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Ex-miss, conselheira tutelar publica livro sobre amor de pais e filhos

Miss escritora de Gritos do futuro inocente Luciane Mello - Arquivo pessoal
Miss escritora de Gritos do futuro inocente Luciane Mello Imagem: Arquivo pessoal

Roseane Santos

Colaboração para Universa

30/12/2019 04h00

Modelo, miss, estilista, cantora, conselheira tutelar e escritora. Luciane Mello de Oliveira, de Niterói, faz tudo isso. Atualmente, ela dá palestras com o objetivo de facilitar a relação entre pais e filhos, falando de temas polêmicos como falta de atenção na paternidade e violência contra a mulher.

Seu principal propósito é incentivar crianças e adolescentes a crescerem profissional, social e psicologicamente. "Conhecimento é uma bagagem que não pesa", diz a autora, que tenta elevar a autoestima de crianças e adolescentes. Disso, nasceu o livro "Gritos do futuro inocente", lançado na Bienal do Livro de 2019. A obra é uma história que nasceu de tudo que ela viu e sentiu nesse tempo.

Miss negra, escritora: a história de Luciane

"Eu sou de família humilde, meu pai era soldador e minha mãe técnica de enfermagem. Aprendi fazer de tudo um pouco. Tive dificuldades, mas sempre consegui muitas vitórias. Vivi momentos complicados como uma tentativa de suicídio por conta da depressão na adolescência e um acidente de carro que me deixou sem falar e andar durante um bom tempo. Talvez por isso, eu compreenda tanto a dor do outro. Desde criança, me sensibilizava com tudo que acontecia ao meu redor.

Cresci em uma região de violência. Na infância, alguns dos meus amigos morreram. Sempre era um jovem com um ciclo de vida interrompido por uma bala perdida, pelas drogas ou por algum envolvimento com o poder paralelo. Aquilo me doía muito.

Eu me apresentava cantando desde muito jovem e isso me tornava de certa forma mais acessível para as pessoas. Elas gostavam de conversar, contar seus problemas. Sempre fui ativa na igreja que frequento. Muitas mães me procuravam, pediam ajuda, conselhos. Passei por momentos fortes nesse convívio.

Atividades na igreja

Certa vez, um rapaz chegou a me chamar de mãe e falou que queria largar as drogas. Passei a incentivá-lo. Uma noite, estava indo para a igreja e ele me parou no caminho. Falou que no dia seguinte iria retomar o tratamento e largar o vício. Chamei para vir comigo, mas ele disse que ainda tinha uma questão para resolver.

Poucos minutos depois, eu estava fritando pastéis na cantina da igreja e escutei tiros. Foram me avisar que tinham matado um filho meu lá fora. Quando vi o corpo dele no chão, fiquei acabada. Até hoje não sei explicar a dor que senti. Foi mais ou menos nessa época que comecei o trabalho voluntário com palestras sobre dependência química. Passou um tempo e eu me formei em aconselhamento para dependentes.

Continuei ajudando até que fui concorrer ao Conselho Tutelar. Ali que tive oportunidade de ver como as leis são violadas. Luto, então, até hoje para orientar os pais e evitar que o vício possa causar mais danos aos jovens.

Moda e autoestima

Depois de escutar tantas histórias tristes, resolvi estudar Moda, porque queria conhecer um lado diferente [da vida]. Eu vivia no preto e branco. Conhecia a dor, mas queria também ter aquele mundo colorido. E quis associar o que aprendia com as pessoas que conhecia, que tinham baixa autoestima.

Fiz então um curso de consultoria de imagem.

Percebi que tinha uma missão com que essa questão de autoestima.

E depois, miss

Sou Miss Beleza Brasil, representei a mulher acima dos 30 anos. Uma mulher me pediu ajuda para a filha participar de um concurso de miss mirim. Estava em um momento difícil financeiro, mas tentei auxiliar de alguma forma. Acompanhei, ensinei a desfilar, desenhei a roupa. E a menina ficou em segundo lugar.

Ali conheci uma agência de modelos que me convidou a concorrer ao concurso de Miss Beleza Brasil, em Curitiba. Fiquei insegura, porque já tinha sofrido preconceito. Não importa se a pele é mais clara ou escura. Sou negra. No Sul, eu imaginei logo que concorreria com mulheres loiras de olhos azuis. Só que sempre gostei dos desafios. Bem, fui e ganhei o título.

Escrevendo o livro

Com tantas histórias para contar, resolvi escrever um livro. Falando disso tudo, minha experiência de vida, a profissional, principalmente no Conselho Tutelar — que é para tratar conflitos familiares e mostrar a importância de a criança ir a escola, por exemplo.

Quis retratar também a agressão entre os pais e a falta de atenção com os filhos. O que eu não consigo falar para as pessoas, o amor falará".

Autoestima