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Mumuzinho chorou: por que emoção do homem mexe tanto com as pessoas?

Mumuzinho chora ouvindo Péricles cantar "Melhor eu ir" - Reprodução/Youtube
Mumuzinho chora ouvindo Péricles cantar "Melhor eu ir" Imagem: Reprodução/Youtube

Nathália Geraldo

De Universa

10/12/2019 17h49

Se quiser falar de amor...Escolha um dos muitos pagodes cantados por Péricles, "O Rei da Voz", Thiaguinho ou Mumuzinho. Os três artistas são alguns dos mais conhecidos nesse segmento da música brasileira e, nos últimos dias, viraram assunto nas redes sociais por terem se emocionado justamente quando cantavam (ou ouviam) sobre amor e desamor.

Pagode "machuca", é fato. Mas por que a emoção de um homem, especialmente negro, ainda mexe tanto com as pessoas?

Para o psicanalista Allan Fernando de Souza Félix, alguns fatores associados ao exercício da masculinidade do homem negro podem explicar o fato de, por exemplo, o nome de Mumuzinho ter ficado entre os assuntos mais comentados entre os usuários do Twitter na terça-feira. Entenda.

Mumuzinho chorou: sentimentos dos homens negros

Um vídeo em que Péricles canta a música "Melhor eu ir", em um programa televisivo, ganhou as redes sociais pelo fato de o cantor Mumuzinho, que também estava na atração, ter chorado frente às câmeras ao ouvir a canção. A gravação foi feita em julho deste ano e resgatada pela web.

Na letra, Péricles conta a história de uma desilusão amorosa, revelando que a pessoa com que se relacionava também tinha outras vivências românticas. "Não era só comigo que você ficava/Foi tão difícil ter que enxergar/Que tudo isso foi ilusão", diz um trecho da música.

As lágrimas de Mumuzinho comoveram muita gente no Twitter, que inclusive se identificou com a emoção do artista. "Você não sabe quantas vezes eu virei a madrugada chorando com essa música", escreveu um dos usuários.

O próprio Mumuzinho explicou o motivo de tanta emoção, relacionando ao fato de Péricles ter sido uma referência e um incentivador de sua carreira e ao poder da música de tocar sentimentos. "Quem nunca chorou ouvindo Pericão, que atire a primeira pedra. Ele é o rei da voz, até quem não quer chorar, quem não está sofrendo, se emociona, chora, relembra momentos", explicou.

Apesar da empatia de quem quebrou o coração em relacionamentos amorosos (ou nem quebrou, mas entra no "modo sofrência" mesmo assim), um homem negro mostrar sentimentos tende a ser visto como algo raro, como explica o psicanalista Allan Fernando de Souza Félix.

"O homem negro é enxergado em um perfil estereotipado: ele geralmente é visto como quem é firme o tempo todo, sexualmente ativo, aquele que precisa ser igual ao rapper 50 Cent. Ele é o cara fortão, com tatuagem, cara de mau. Quando ele foge disso, é visto como algo raro", pontua.

A mesma lógica de exceção se aplica para a comoção gerada pelo vídeo de Thiaguinho se emocionando ao cantar em um show sua composição "Ainda bem", feita para sua ex-mulher, a atriz Fernanda Souza. "No caso do Thiaguinho, há uma admiração pelo fato de ele estar se permitindo ter esse sentimento. Só que isso é o que mais vejo no meu consultório, homens que querem expressar o que sentem".

Como mudar a chavinha?

Allan avalia que homens negros têm mais dificuldade de buscar válvulas de escape para demonstrar sentimentos — apesar de, mais recentemente, parte deles se dedicar a rodas de conversa sobre o tema. Por essa razão, reproduzem comportamentos sociais de excessos no sexo e na bebida, por exemplo. O pagode romântico, feito majoritariamente por eles, pode ser uma saída?

"O pagode pode estar ligado ao sentir, sim, ao mesmo tempo que, por vezes, pode reafirmar a ideia do 'negão pegador', quando há letras em que eles dizem que a mulher foi inesquecível, mas que vai pegar todas. Então, é preciso ver que há também uma ambivalência aí. O homem negro ainda pode estar nesse lugar".

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