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Ela foi de um bolo despretensioso em casa à empresária do setor em 4 anos

Luiz Ruggero/Divulgação
Imagem: Luiz Ruggero/Divulgação

Silvia Regina Sousa

Colaboração para Universa

05/12/2019 04h00Atualizada em 14/02/2020 12h42

Se há quatro anos alguém falasse para Mara Angelo Gasques, 40, que ela se tornaria uma confeiteira reconhecida e que organizaria a primeira feira do setor no Brasil, com 32 aulas-show, uma conferência internacional e 20 mil visitantes e que, além disso tudo, a feira levaria o seu nome, seria considerada uma previsão maluca. Mas foi exatamente isso que aconteceu.

A Mara Cakes Fair reuniu em São Paulo o que tem de mais novo no setor de confeitaria no país e ainda trouxe nomes para lá de badalados para aulas ou conversas com os visitantes. Carole Crema, Lucas Corazza, Raíza Costa foram alguns dos profissionais que participaram do evento, em outubro.

Por trás disso está a Mara, que trabalhava com moda, mas em 2015 vendeu sua loja para se mudar da pequena Paranavaí, no interior do Paraná, para Presidente Prudente, em São Paulo. Antes de encarar o novo lar, ela resolveu reunir as amigas para comemorar seu aniversário de 36 anos.

Quebrando um hábito na família - em que todos os bolos de aniversário eram comprados no mercado - ela resolveu fazer o próprio bolo. "Eu cozinhava bem pratos quentes, mas nunca tinha feito um bolo confeitado. Aí peguei umas dicas com uma amiga que é confeiteira, outra amiga me emprestou uns bicos de confeitar e eu encarei o desafio", conta ela. E não é que a ideia deu certo? Ou melhor, supercerto. As amigas gostaram tanto da guloseima que pediram bolos também. Foram cinco encomendas em poucos dias.

Com a foto desses bolos, ela abriu uma conta nas redes sociais e viu o número de visualizações subir rapidamente. "O sucesso foi tanto que as pessoas começaram a entrar em contato comigo perguntando sobre cursos", conta.

Mara Cakes - Luiz Ruggero/Divulgação - Luiz Ruggero/Divulgação
Imagem: Luiz Ruggero/Divulgação
Ela então reuniu cinco alunas e ensinou o pouco que sabia fazer. Dias depois viajou para Lourdes, no interior paulista, para passar uns dias com a família e a notícia de que estava fazendo bolos já tinha se espalhado. Mara, em vez de descansar, deu cursos todos os dias e fez até um bolo de casamento.

Já morando em Presidente Prudente, as aulas continuaram. Agora na sala do apartamento em que morava com o marido e os dois filhos. "Eu tinha uma vontade muito grande de transformar as pessoas e transformar a vida daquelas mulheres que estavam buscando outra fonte de renda", conta Mara.

Daí surgiu o convite de uma distribuidora de alimentos para dar as aulas lá. Isso apenas cinco meses daquele primeiro bolo. Nesse momento, as aulas já acumulavam mais de 30 pessoas por vez e ela começou também a viajar para outras cidades para ensinar suas técnicas de confeitaria.

Aos finais de semana, colocava todos os equipamentos no carro e, junto com o marido, ia dar aulas. "Dei aulas em locais sem estrutura nenhuma. Mas o importante era atender aquela demanda. Depois também atendia minhas alunas pelo WhatsApp, dava dicas, acompanhava pelo telefone enquanto faziam os bolos. O importante era dar certo." Ao mesmo tempo, também começou a vender apostilas com suas receitas. Em quatro meses, já tinha vendido o material para todos os estados e quatro países.
O sucesso foi tanto que em 2016 foi convidada para dar aulas em uma distribuidora de São Paulo. "Foi marcante porque só grandes nomes da confeitaria passavam por lá. A sala era para 80 pessoas. E todas as minhas aulas lotaram." Depois vieram aulas pela internet, contrato com marcas, uma linha de utensílios de confeitaria com o seu nome e três livros publicados.

Eu não sabia que tinha esse dom. Sou pedagoga de formação, mas me descobri fazendo um bolo

Para Mara, o segredo desse sucesso é trabalhar não apenas para ensinar aquelas pessoas, mas motivá-las. E sem nunca ter feito um curso de confeitaria, Mara foi convidada a dar aulas em Milão, Dubai e Toronto.

Minha feira, minha vida

Aquele medo que ela nunca teve também a levou a usar todo o dinheiro que ganhava no próprio negócio. Em 2016, ela movimentou R$ 1 milhão. Nos anos seguintes, as cifras aumentaram. As aulas estavam cheias, mas ela queria mais. Daí passou a participar de feiras de alimentos do setor. Mas o número de pessoas que atraía incomodava os outros participantes. Então ela decidiu que teria a sua própria feira.

Foram dois anos estudando o assunto e conhecendo eventos do setor em outros países. Um ano inteiro dedicado ao planejamento e R$ 2,5 milhões investidos. Assim nascia a Mara Cakes Fair. Seu próximo passo é franquear seu café gourmet. Por enquanto, com uma loja aberta em Presidente Prudente, ela já tem uma lista com mais de 200 interessados em abrir uma unidade.

Não ter medo de trabalhar, atender a todos com a mesma atenção (mesmo com mais de 70 grupos de alunos no WhatsApp) e motivar para que o outro vá em frente e vença como ela venceu são, diz ela, os segredos da Mara. "Comece fazendo os bolos da família, depois vá aumentando sua clientela. Crie uma rede social. Acredite em você, que seu negócio dará certo", sugere a confeiteira empresária.

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