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Mães e filhos

Como Vitória, da novela, ela foi mãe pela adoção: "Vou cuidar para sempre"

Depois de várias tentativas, Marcia adotou dois irmãos - Acervo pessoal
Depois de várias tentativas, Marcia adotou dois irmãos Imagem: Acervo pessoal

Christiane Ferreira

Colaboração para Universa

02/12/2019 04h00

A novela Amor de Mãe estreou nesta semana e já trouxe dramas sobre amores, perdas, luta e histórias que se confundem o tempo todo com a vida real. Afinal, os dissabores e as alegrias da maternidade permeiam a vida de todas as mulheres, principalmente quando o desejo de tornar-se mãe passa por frustrações e não se concretiza.

A advogada Vitória, interpretada por Taís Araújo, é uma profissional bem-sucedida e adiou a maternidade por conta da carreira. Quando finalmente consegue engravidar, perde o bebê aos seis meses de gestação. Desde então, o desejo de ser mãe vira sua meta de vida. No entanto, a trajetória da advogada terá uma reviravolta após conseguir adotar um menino e logo em seguida descobrir que estava grávida.

A história da confeiteira Márcia Adriana de Novais Santos, 48 anos, de São Paulo, tem algumas semelhanças com a vida de Vitória: fez diversas tentativas de inseminação artificial e tornou-se mãe de dois ao mesmo tempo, ao adotar Eduardo e Arthur, de 17 anos. A seguir, veja o depoimento dela para Universa.

"Casei em 1994 e desde então nunca usei métodos anticoncepcionais para evitar uma gravidez. Depois de seis anos casada começaram as cobranças para que tivéssemos filhos. Escutávamos muitas brincadeiras sem graça. Como não ficava grávida, fui procurar um ginecologista para descobrir se tinha algum problema. Após uma videolaparoscopia, fui diagnosticada com endometriose.

Aos 29 anos, procurei uma clínica de reprodução humana. Fizemos todos os exames pelo convênio médico, mas os remédios de estimulação da ovulação pagamos do nosso bolso. Foram duas tentativas de inseminação que custaram cerca de R$ 10 mil. Mas não consegui engravidar.

Nessa época foi muito difícil, pois sempre consigo o que quero. Não ter ficado grávida me deixava frustrada e triste. Lembro que chorava muito e achava que era o fim do mundo. Procurei um psicólogo e fiz algumas sessões de terapia, pois passei a ter um ciúme imenso do meu marido que queria muito ser pai. Via outra mulher grávida e me entristecia. A terapia me ajudou a aceitar essa limitação.

Até que um dia meu tio ligou para a minha mãe contando que uma moça que havia dado à luz, mas que não queria ficar com a criança. Mas que não era apenas uma, mas dois. No mesmo dia fui ao hospital conversar com a mãe biológica e ela disse que havia outras pessoas querendo adotá-los, mas não juntos. Então ela me escolheu como mãe deles.

Quando soube, fui ao conselho tutelar para que a adoção fosse feita de acordo com a lei. Em seguida, a mãe biológica assinou uma carta e a registramos no cartório. Depois fizemos os trâmites para adotá-los. Fomos ao fórum, recebemos visita da assistente social. A mãe biológica também foi ao juiz. Ao saírem do hospital após seis dias os meninos foram para a minha casa com uma guarda provisória, até que um tempo depois obtivemos a definitiva.

Minha vida mudou completamente. Eu não tinha nada de enxoval, comprei as roupinhas para eles saírem do hospital apenas. Uma amiga que tinha acabado de ter bebê me deu algumas coisas. Vendemos um carro, fizemos um quartinho para eles e a partir daí minha vida melhorou. Passou a dar tudo certo.

O meu marido foi muito companheiro e ficou afastado do trabalho para me ajudar. Eu tinha pavor de cuidar de bebê pequeno e era ele quem dava banho e mamadeira. Eu tinha receio de derrubar no chão, de machucar. Era um amor tão grande que dava até medo.

Acho que fui uma mãe protetora sem que eles percebessem. Sempre quis saber com quem estavam, não faltava em nenhuma reunião de escola. O Eduardo e o Arthur são bons alunos desde pequenininhos. Eles terminam o Ensino Médio agora e pretendem fazer faculdade de Design Gráfico.

Nunca escondi a história deles e durante a vida deles falei a verdade. Digo que a partir do momento que a mãe biológica os entregou a mim vou cuidar até o último da minha vida. Se um dia os dois quiserem conhecer a família biológica tudo bem, mas não vai partir de mim.

Até hoje não acredito que sou mãe, para mim ainda são meus bebês, mesmo os dois já namorando. Ser mãe é ser forte e fraca ao mesmo tempo. É tanto amor."

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