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Corpo de brasileira achada morta na Holanda chega ao Brasil neste sábado

Patrícia de Oliveira Santos, 32, foi encontrada morta junto com um bebê na Holanda - Arquivo pessoal
Patrícia de Oliveira Santos, 32, foi encontrada morta junto com um bebê na Holanda Imagem: Arquivo pessoal

Aliny Gama

Colaboração para Universa, em Maceió

22/11/2019 22h58Atualizada em 25/11/2019 09h42

Os corpos da brasileira Patrícia de Oliveira Santos, 32, e do filho dela, um recém-nascido prematuro de sete meses, encontrados mortos na cidade de Diemen, na Holanda, devem chegar ao Brasil amanhã. Até agora, as autoridades policiais não informaram oficialmente a causa da morte dela e da criança. Sites holandeses publicaram que a cearense morreu após um suposto aborto ilegal.

O noivo de Patrícia, o holandês Dennis van E., 48, está preso suspeito de indução de aborto ilegal e homicídio. Ele nega as acusações e diz que a noiva tomou os remédios por conta própria. O holandês foi quem convidou e pagou a passagem para ela ir para o país europeu.

O holandês foi preso, inicialmente, sob a suspeita de ter demorado a acionar o socorro e ficaria duas semanas detido. Mas, a Justiça determinou mais 60 dias de prisão com a suspeita de homicídio culposo e indução de aborto ilegal. A polícia da Holanda deverá vir ao Brasil colher depoimento de familiares da brasileira.

A família de Patrícia disse que o Consulado-Geral do Brasil em Amsterdã informou que os corpos virão em um voo desde a capital holandesa para Fortaleza, com previsão de chegada às 16h. Os corpos serão velados em uma igreja evangélica no bairro Jangurussu, na capital cearense, próximo à residência da família dela, com previsão para início às 18h. O enterro será no domingo, ainda sem horário definido, no cemitério Jardins do Éden, em Pacatuba, região metropolitana de Fortaleza.

Os corpos da brasileira e do filho foram localizados no dia 18 de outubro no apartamento do noivo dela. Van E. está preso desde a descoberta das mortes e a polícia investiga a participação dele no suposto aborto. Até agora, as autoridades não detalharam o que aconteceu e a polícia continua investigando as circunstâncias das mortes.

A família de Patrícia foi informada, oficialmente, sobre a morte dela no dia 22 de outubro pelo Consulado-Geral do Brasil em Amsterdã. A brasileira estava com sete meses de gestação quando viajou, no dia 28 de setembro, para a Holanda a convite do noivo. Ela estava com passagem de volta marcada para o dia 2 de dezembro. Patrícia tinha outros dois filhos.

O Ministério das Relações Exteriores disse, em nota enviada a Universa na noite de hoje, que o Consulado-Geral em Amsterdã acompanha o caso e que está em contato com familiares da brasileira, mas que não pode fornecer informações sobre o assunto em "atendimento ao direito à privacidade dos envolvidos."

De acordo com o site holandês AD News, que vem acompanhando o caso, Vaan E. ficará preso por mais 60 dias por determinação da Justiça. A reportagem diz que ele é suspeito de homicídio culposo (quando não há intenção de matar) porque teria demorado a acionar o socorro para levar Patrícia para o hospital. O site diz também que polícia da Holanda está em buscas de provas que apontem que o holandês participou do aborto ilegal.

Áudios revelariam ameaças do namorado contra Patrícia

Familiares e amigos de Patrícia afirmam que ela estava sendo coagida e ameaçada pelo noivo holandês a abortar o filho. Ela enviou mensagens de áudio para a irmã e amigos dizendo que era contra o ato ilegal e pediu que eles falassem com o noivo para ele mudar de ideia.

O italiano Francesco Moglia, amigo de Patrícia há 17 anos, disse que repassou à polícia os áudios da brasileira relatando as ameaças feitas pelo noivo para que ela abortasse o bebê. Moglia está em contato diário com a polícia e com a família da amiga. Ele morou no Brasil, e Patrícia apresentou o noivo ao amigo.

Moglia disse a Universa que falou com a polícia holandesa hoje e que foi explicado que a investigação ainda está em curso. Ele afirmou que a amiga relatou que o noivo estava violento e queria obrigá-la a tomar remédios abortivos contra a vontade dela.

"Ele [Dennis van E,] apagou os arquivos do celular de Patrícia, mas ainda bem que temos aqui nos nossos aparelhos. Enviei os áudios para a polícia. Eles me falaram que vão bater aqui na Itália e vão ao Brasil ouvir a família de Patrícia. Vão juntar todas as provas para apresentar ao juiz. A Justiça é demorada, mas se existem provas, ele vai pagar pelo que ele fez", disse Moglia.

A irmã de Patrícia, Fabiana de Oliveira Santos, afirma que tem provas para comprovar que a brasileira não fez aborto por vontade própria e que o cunhado está mentindo para a polícia "Ele está dando a versão dele, mas eu tenho todas as provas que ele não aceitava o filho porque queria uma menina. Eu tenho mensagens de Patrícia no WhatsApp falando que ele queria que ela abortasse e ela não queria, que estava com medo dele", disse.

Fabiana disse que a família está revoltada porque soube pela imprensa da Holanda que o cunhado afirmou para a polícia que ele e a noiva usaram drogas antes de praticar o aborto, que teria ocorrido com uso de remédios abortivos e que Patrícia agiu sozinha.

"Minha irmã não usava drogas e queria muito ter esse filho. Ele falou para polícia da Holanda que ela usou drogas e tomou o remédio para abortar porque ela quis. Isso não é verdade. Temos mensagens dela falando que ele estava decidido a obrigá-la a abortar e que estava com medo de morrer. Dennis negou ter conhecido minha irmã, é mentira. Eu tenho provas que ele forçou tudo isso. Ele está inventando para ser solto", afirma Fabiana.

Após os corpos serem localizados, o holandês foi interrogado pela polícia e negou que conhecesse Patrícia, segundo a imprensa local. O site Ad News cita que o holandês afirmou ter alugado o apartamento a ela. Mas a carta de visita comprova que a brasileira entrou na Holanda a convite do noivo e desmente a versão dele. O documento foi entregue à polícia.

Familiares e amigos de Patrícia contaram que ela estava realizando o sonho de ir conhecer a Holanda com a promessa que eles iriam se casar. O casal mantinha um relacionamento havia três anos e, este ano, segundo a irmã de Patrícia, o holandês comprou as alianças e pediu namorada em casamento. Eles se conheceram em uma praia de Fortaleza quando o holandês estava em férias no Brasil.

Violência contra a mulher