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Mayana Neiva: "Ser feminista é fundamental, é como respirar"

Mayana Neiva em Éramos Seis - João Miguel Júnior / TV Globo
Mayana Neiva em Éramos Seis Imagem: João Miguel Júnior / TV Globo

De Universa, em São Paulo

21/11/2019 11h10

Mayana Neiva ficou cerca de dois anos afastada das novelas e retorna com seu papel em Éramos Seis, da TV Globo. A atriz falou sobre sua atual fase e outros temas, entre eles feminismo, em uma entrevista para O Globo.

Mayana chama atenção por tratar muito do tema nas redes sociais e explica que há diversos olhares para o assunto e para as ações em relação às mulheres, principalmente falando de assédio.

"Existe aquele assédio que é um flerte, que é diferente de assédio. Existe um flerte que é lindo e maravilhoso e que está aí para ser vivido da maneira que cabe, mas existe muito assédio que está completamente ligado a uma série de opressões históricas contra a mulher e sobre isso, nesse ponto, eu sou bem ativa. Toda essa reflexão sobre o assédio vem para igualar mais os gêneros, as pessoas e trazer um outro tipo de parâmetro para a nossa sociedade que pode ser bem mais justo e interessante", afirmou ela, ao jornal.

"Sou feminista, porque acho que isso é digno com o nosso tempo. Contudo, ser feminista é fundamental, é como respirar, é abrir a porta dessa transformação. O mundo vive um grande levante com esses personagens, essas vozes femininas. Acho que faz parte de ser artista lidar com haters, mas deixar de ser feminista jamais, por ninguém. Como eu lido com isso? Dando para isso a importância que isso tem: zero. É claro que não é fácil ser criticada e ouvir coisas ruins, mas, em geral, tento não dar importância", acrescentou.

Volta ao Brasil e às novelas

Mayana afirmou que o momento atual é "estranho, difícil", mas que é importante fazer parte de um processo de mudança.

"Estou muito feliz em voltar. Acho que é um momento estranho, difícil, mas é nossa responsabilidade fazer parte da mudança. Arregaçar as mangas e fazer o que estiver ao nosso alcance para melhorar esse lugar, as coisas e as relações ao nosso redor. E faz parte desse processo de limpeza jogar tudo no ventilador e ver onde a gente realmente está."

A atriz fala do ponto de vista de quem morou duas vezes fora do Brasil. "Quando você vai pra fora, observa outras belezas e questões que não vê estando aqui. Fui morar no Estados Unidos pela primeira vez com 15 anos, lá me formei no "high school" (Ensino Médio), fiz teatro pela primeira vez, o que mudou completamente a minha vida. Da segunda vez, morei por cinco anos em Nova York, quando me casei. Vivi uma vida naquela cidade que significou também uma reinvenção de mim. Fiz teatro, cinema, tenho agente e trabalhei por lá, mas, em essência, me descobri também no lugar humano. Conheci e me aproximei mais do budismo, pratiquei meditação e fui para vários retiros. Sempre fui uma pessoa muito espiritualista. Diferente do que muita gente pensa sobre morar em Nova York, para mim, estar lá me deu uma experiência de integração com a espiritualidade muito forte."

Sobre o retorno às novelas, deixa claro que não esteve parada - fez séries e filmes, como O Silêncio da Chuva, ainda a ser lançado. "Trabalhei bastante nesse período. Foi extremamente produtivo. Porém, o que mais senti falta é que a novela se comunica com o Brasil inteiro, tem uma entrada profunda em todos os lugares do país. A gente sente um retorno muito rápido e esse diálogo é gostoso."

Em Éramos Seis, ela será Karine, uma jovem ambiciosa casada com Assad (Werner Schünemann). Mayana falou de sua criação para ela.

"Essa personagem já foi feita, e as minhas escolhas são diferentes de como foi antes. Gosto de pensar em A Garota Dinamarquesa, em atrizes que trazem essa coisa voluntariosa, espirituosa, ampla. De alguma maneira, tenho fascínio por personagens que são mulheres difíceis, que não se encaixam. Isso sempre cria um bom drama, e algumas das personagens que mais me atraem têm traços assim. A Meryl Streep fez personagens assim. E a Karine, apesar de o texto trazer alguns desses pontos, está mais para luminosa, ela é difícil no sentido de ser ampla, fazer o que quer, ser voluntariosa."

Direitos da mulher