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Feminismo é mais importante para mulheres negras mais pobres, diz pesquisa

25.jul.2017 - Mulheres fazem marcha contra o racismo, machismo, homofobia e reformas propostas pelo governo Michel Temer (PMDB). A concentração foi na praça Roosevelt, região central de São Paulo - Cris Faga/Fox Press Photo/Folhapress
25.jul.2017 - Mulheres fazem marcha contra o racismo, machismo, homofobia e reformas propostas pelo governo Michel Temer (PMDB). A concentração foi na praça Roosevelt, região central de São Paulo Imagem: Cris Faga/Fox Press Photo/Folhapress

Marcos Candido

De Universa

18/11/2019 14h06

O feminismo é um dos assuntos mais importantes para a população negra, especialmente às camadas mais pobres. É o que aponta um estudo encabeçado pelo Google e Datafolha divulgado nesta segunda (18).

Para os entrevistados, o feminismo só não é mais importante do que a inserção no mercado de trabalho e da luta contra o racismo.

Segundo o estudo, quanto maior a escolaridade, menor é a preocupação em se discutir feminismo. A pesquisa realizada com 1.225 pessoas negras e pardas mostra que 30% dos entrevistados concordam que o feminismo é uma pauta importante, contra 29% das entrevistas feitas com quem tinha o ensino médio e 18% daqueles que são formadas no ensino superior.

Os pesquisadores estipulam que a mulher negra sofre com violências específicas de gênero, como violência obstétrica durante o parto, e com a desigualdade salarial até mesmo entre homens negros. Em outubro, o Ministério do Trabalho divulgou que as mulheres negras brasileiras ganham 55% a menos do que os homens negros.

Mais pobres são mais engajados

A adesão das camadas mais pobres ao ativismo não é restrita apenas ao feminismo, mas com toda a pauta racial em si. Os mais

Mais de 60% das classes D e E se consideraram como ativistas do movimento negro, contra 31% das classes A e B. A pesquisa agrupou classes econômicas que tiveram comportamento e rendas semelhantes entre si, o que excluiu a análise da classe C. Para 85% da classes D e E, o Dia da Consciência Negra é um momento de luta, contra 72% das classes A e B.

"O ativismo negro não é só visto como um assunto acadêmico", diz Joyce Prestes, uma das pesquisadoras do Google.

Negros ainda evitam serem identificados 'preto'

A população negra ainda tem dificuldade para se reconhecer como "preto", terminologia usada por institutos como IBGE.

De acordo com uma pesquisa lançada nesta segunda (18) pelo Google, 69% de 1.225 pessoas negras e pardas se declararam como pardas quando perguntadas sobre a qual cor se declararam. Apenas 31% se identificaram como pretos. Quando perguntados se eram negros, pretos ou pardos, o número mudou: 46% se declarou como negro. Já 26% dos que anteriormente se declararam como pardos passaram a se identificar como negros.

Uma das justificativas é a de que o termo preto ainda remete a uma herança na qual as raças foram definidas de 'cima para baixo' e criaram um ruído para o termo ser identificado pela população negra.

Do total dos que se autodeclararam como negros, 74% afirmaram que sempre souberam que eram negros e 17% entendiam-se como pardos e só mais tarde entendem-se como negros.

"Nem todos os pardos se entendem como negros. A confusão do IBGE deixa as pessoas ainda mais confusas", explica Joyce Prestes, uma das pesquisadoras do Google.

As conclusões são parte de um estudo do Google realizado pelo Datafolha e MINDSET-WGSN para a semana da Consciência Negra, data celebrada no dia 20 de novembro.

A pedido do Google, o estudo foi feito com 1.225 pessoas de todo o país e realizado pelo Mindset-WGSN e Datafolha.

Mês da Consciência Negra