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Mãe de jovem que teve AVC após agressão do ex: "Ele acabou com a vida dela"

Franciele Gonçalves sofreu um AVC por agressões do ex-marido - Arquivo pessoal
Franciele Gonçalves sofreu um AVC por agressões do ex-marido Imagem: Arquivo pessoal

Abinoan Santiago

Colaboração para Universa

11/11/2019 04h00

"A gente ouve todo dia um caso desses, mas nunca espera que vá acontecer com a nossa família." É assim que a vendedora Isabel Voitech consegue reagir à violência sofrida pela filha no último dia 3. Franciele Gonçalves, de 22 anos, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) após ser agredida pelo ex-marido, em Ponta Grossa (PR), e foi internada na UTI de um hospital local. Ela já está em casa, se recuperando.

"Por ele, não sei o que sinto agora", diz Isabel. "Mas tenho pena da mãe dele porque ela não tem culpa, igual a mim. Não desejo isso que estou passando agora para ninguém."

A dona de casa Franciele e o ex, João Carlos dos Santos, 30, tiveram um relacionamento de oito anos. De acordo com a mãe da vítima, a filha e o suspeito, que têm uma filha de dois anos, aparentavam ter uma relação amigável após o fim da relação, apesar de o ex não se conformar com o término. O casamento acabou há um ano.

Agredida na manhã de domingo, Franciele ficou em coma induzido até quarta. O ex-marido dela está preso preventivamente desde a manhã de quinta (7). A defesa nega a acusação.

"Minha filha tem 22 anos, e ele acabou com a vida dela. Ela vai ficar com consequências gravíssimas. Poderia acordar e não lembrar de nada. Ele vai para a cadeia, tudo bem, mas a saúde dela não retorna", diz a mãe da jovem.

Os familiares dizem que Franciele já sofre sequelas do AVC. Ele está com o lado esquerdo do corpo paralisado depois de ser atacada com socos e chutes na cabeça, segundo apontaram testemunhas.

Segundo o Hospital Universitário Regional, as agressões geraram um AVC pós-traumático em Franciele. O quadro dela é considerado estável depois de dias sedada em coma induzido na UTI. Até a última sexta (8), não havia previsão de alta médica.

O crime

O caso é tratado como tentativa de feminicídio pela Delegacia de Investigação de Crimes Contra a Mulher, em Ponta Grossa.

Segundo a delegada Cláudia Krueger, responsável pelo caso, João foi até a casa de Franciele, chamou a ex para a frente da casa e a agrediu. "Inicialmente desferiu um soco, que a deixou desacordada. Ele a levantou e a arremessou ao chão, fato que provavelmente fez com que ela batesse a cabeça no meio-fio, e ainda deu chutes na cabeça, além de ter colocado no corpo dela uma substância inflamável. Por certo, a intenção era colocar fogo nela", diz a delegada.

João teria arremessado material inflamável na ex. Vizinhos e familiares da mulher interromperam a ação do suspeito, que fugiu em seguida na motocicleta que pilotava. Testemunhas disseram à polícia que a jovem estava com cheiro semelhante ao de gasolina.

Em depoimento, João disse que houve "apenas trocas de empurrões". A defesa do suspeito considerou a prisão exagerada.

"Tinham discussão normal de casal"

"Eu nunca soube que eles brigavam muito", diz a mãe de Franciele. "Mas teve um caso, quando se separaram. Ele a agrediu, mas a minha filha não foi à polícia. Tinham discussão normal de casal, mas ela nunca comentou de algo", diz Isabel.

"A gente procura forças porque é muito difícil. Não podemos perder a fé. Estou de mãos atadas agora e só peço a Deus pela saúde dela."

Violência contra a mulher