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Como Éramos Seis: dramas que só os familiares dos alcoólatras conhecem

Lola de Éramos Seis após ver o marido embriagado outra vez - Reprodução / TV Globo
Lola de Éramos Seis após ver o marido embriagado outra vez Imagem: Reprodução / TV Globo

Ana Bardella

De Universa

07/11/2019 17h48

Faz anos que o personagem Júlio (Antonio Calloni), de Éramos Seis, luta contra o vício em álcool. Mesmo sendo um pai que se esforça pelo bem-estar da família, graças aos efeitos da bebida, à infidelidade e aos hábitos boêmios, ele não consegue ter um bom relacionamento com os filhos. Lola (Gloria Pires) sofre por tabela ao ver os problemas que as substâncias trazem para dentro de casa.

O drama é bastante comum: de acordo com a Organização Mundial da Saúde, o uso abusivo do álcool está relacionado a 3 milhões de mortes por ano no mundo. Isso porque o hábito provoca doenças como cirrose hepática, aumenta os riscos de desenvolvimento de câncer e pode causar acidentes de trânsito.

Livia Marques, psicóloga organizacional e clínica, relembra que existem diferenças entre quem gosta de beber e quem sofre com o alcoolismo. "O alcoólatra é dependente da bebida. Ele passa a ter a substância como a principal ferramenta de norteamento da vida. Ou seja: não é capaz de consumir esporadicamente. Pelo contrário, começa a ajustar a rotina em torno disso e, quando percebe, não é mais capaz de realizar atividades ou ser produtivo em função dos seus efeitos", diz.

Se para a pessoa presa no vício a situação é difícil, para aqueles que convivem de perto com ela pode ser tão dolorida quanto. A seguir, especialistas detalham as principais dificuldades de familiares e amigos diante da dependência:

Vergonha, culpa e medo

De acordo com Daniela Generoso, psicóloga clínica, o álcool é uma droga bem aceita socialmente, mas com potencial de causar muitos danos. "Quando uma família precisa lidar de perto com os episódios de embriaguez de um membro querido, encara um misto de sensações. Muitas vezes, ao ver a pessoa fora de si, sentem medo ou raiva. Quando os casos acontecem fora de casa ou na frente estranhos, sentem vergonha. Por fim, há quem desenvolva culpa por não conseguir ajudar", detalha.

Crianças são as principais afetadas

Para os pequenos, conviver com um familiar alcoólatra é bastante prejudicial. "Muitas podem ir mal na escola ou ter a convivência com os amigos prejudicada, uma vez que não conseguem confiar totalmente nos demais", alerta Daniela. As memórias ruins permanecem por muito tempo e podem interferir também na vida adulta. "O melhor ambiente para o desenvolvimento infantil é aquele na qual a criança se sente segura e recebe afeto. Quando isso não acontece, a vida adulta pode ser afetada: por causa do trauma, é possível que as relações com os demais não se desenvolvam de forma saudável", complementa Livia.

O jeito certo de ajudar

O primeiro passo é também o mais complexo: convencer a pessoa de que está doente e que precisa de ajuda. "A indicação, antes de tentar ajudar, é procurar por um psicólogo ou psiquiatra para receber orientações", pontua Daniela. Mas entre as principais medidas estão: ter perseverança, escolher os momentos certos de falar (não quando a pessoa estiver sob efeito da bebida) e ir direto ao ponto, sem muitos rodeios. "Um ponto importante é não abordá-la em tom acusatório, mas sim amigo", ressalta a especialista. Por fim, é preciso ajudá-la a quebrar o ciclo que leva ao consumo do álcool. "Parar de frequentar festas com álcool ou barzinhos, principalmente no início, é fundamental", finaliza.

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