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Casal gay sofre homofobia em hotel LGBT friendly e critica omissão do local

William e Gustavo no dia do ocorrido, em Guaratuba (PR) - Arquivo pessoal
William e Gustavo no dia do ocorrido, em Guaratuba (PR) Imagem: Arquivo pessoal

Mariana Gonzalez

De Universa, em São Paulo

05/11/2019 19h44

O influenciador William Mello e o dermatologista Gustavo Saczk, que vivem em Curitiba, contam que foram vítimas de homofobia enquanto curtiam o final de semana no Hotel Cabana Suíça, na cidade de Guaratuba, no litoral paranaense.

Segundo eles, além do crime, o que os deixou revoltados foi o fato de o local se declarar LGBT friendly e ter bandeiras de arco-íris hasteadas na recepção e na piscinas, mas não ter agido para garantir a segurança dos hóspedes ou evitar a ação dos agressores.

No sábado (2), William e Gustavo estavam com a cachorrinha Glória à beira da piscina, quando, segundo eles, um grupo de homens que jogava vôlei começou a jogar a bola sobre os dois.

"Aquilo não parava: a bola vinha sempre em mim, no Gustavo ou na Glória. Logo começaram as risadas. Eles ficavam pedindo para a gente buscar a bola, mas sempre em tom de piada", conta William, em entrevista para Universa. "Quando percebemos que era proposital, ignoramos por muito tempo, afinal estávamos descansando, não queríamos confusão."

O casal disse que ouviu comentários entre os agressores e um deles teria dito ao outro, que os provocava mais, algo como "daqui a pouco você vai parar na cama com eles". "Era um sentimento ruim de perseguição", lembra William.

Gustavo teria se dirigido, então, à recepção e relatado o ocorrido a um funcionário do hotel. Segundo o casal, porém, nenhuma atitude foi tomada.

As agressões teriam continuado até o dermatologista pegar a bola do grupo, depois de ter sido atingido no rosto, e jogá-la para o outro lado. Naquele momento, um dos homens teria começado a discutir, chamado o casal de "dois viados" e dito para "fazer viadagem em outro lugar".

Crime

Desde junho, por decisão do Supremo Tribunal Federal, homofobia é crime e pode render ao condenado de dois a cinco anos de prisão.

"Já que o hotel é gay friendly, que tomasse alguma providência. Tem bandeira na piscina, bandeira na recepção...", criticou William. "Ficamos com medo de deixar o carro lá fora e ele ser depredado, ou de sair para jantar e sermos agredidos na rua, fora do hotel. Nós estávamos muito abalados e não sabíamos o que poderia acontecer."

A bandeira LGBT hasteada na área da piscina do Hotel Cabana Suíca, no Paraná - Arquivo pessoal
A bandeira LGBT hasteada na área da piscina do Hotel Cabana Suíca, no Paraná
Imagem: Arquivo pessoal

Ao relatar o ocorrido ao gerente do hotel, na recepção, William disse que ele e Gustavo não poderiam continuar hospedados sem que o hotel tomasse uma atitude em relação aos agressores. Segundo ele, no entanto, apenas uma alternativa foi oferecida: reembolso no check-out.

"Nada foi feito com o grupo que nos agrediu e para nós restou pegar o dinheiro e ir embora. Saímos de lá à noite, muito nervosos", lembra. "Nossa indignação é com certeza com quem cometeu o crime, mas também com o hotel que diz abraçar a comunidade LGBT, mas foi omisso em relação à homofobia que aconteceu lá dentro."

William disse que, apesar de sofrer bullying por ser gay desde criança, essa foi a primeira vez que sofreu homofobia de forma explícita.

O casal não informou se prestou queixa contra os agressores ou contra o hotel, mas disse que pretende levar o caso à Justiça.

Outro lado

No dia do ocorrido, o Hotel Cabana Suíça publicou uma nota de esclarecimento nas redes sociais dizendo que tomou "todas as diligências necessárias" e que advertiu o grupo que agrediu William e Gustavo.

"O fato foi comunicado pelo casal à equipe da recepção, que prontamente advertiu o hóspede agressor e solicitou que o mesmo se retirasse da área da piscina, orientação que foi atendida de imediato. Depois da interferência da equipe, o casal retornou à piscina e continuou a usufruir o espaço tranquilamente", escreveu a empresa, no Instagram.

No mesmo dia, o hotel publicou uma foto da equipe segurando uma bandeira LGBT, dizendo que a denúncia de William e Gustavo é "caluniosa" e reforçando que "defende a pluralidade de ideias".

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