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Luana Piovani no Brasil: "Estou apaixonada como se tivesse 19 anos"

A atriz fala sobre o lado positivo e o negativo da separação - Reprodução/Instagram
A atriz fala sobre o lado positivo e o negativo da separação Imagem: Reprodução/Instagram

Ana Bardella

De Universa

29/10/2019 15h39

Na manhã de terça (29), no Palácio Tangará, em São Paulo, Luana Piovani se encontrou com jornalistas para divulgar a nova temporada do programa Luana é de Lua, com estreia prevista só para setembro de 2020 no canal E! Entertainment.

Luana ainda está pensando nos temas que o público poderá ver no ano que vem, mas é impossível dissociar os assuntos tratados nos episódios da sua vida pessoal. "Os temas são escolhidos de acordo com o que eu tenho vontade de falar, perguntar e saber. São totalmente baseados em mim", conta. Na visão da artista, este é o segredo do sucesso. "Não tenho vergonha de me expor, abrir meus medos, buracos e cicatrizes. Isso cria cumplicidade", opina.

Na entrevista a seguir, ela comenta sobre temas como feminismo, maternidade e o romance com o israelense Ofek Malka, jogador de basquete. Luana garante: as expectativas podem mudar, mas a intensidade no jeito de amar continua exatamente a mesma.

Rainha dos cliques

"Não entendo por que qualquer coisa que eu faça ou diga fica gigantesca na mídia. Mas se eu pudesse arriscar uma resposta, diria que o diferente chama muita atenção. Minhas escolhas sempre foram diferentes da maioria. E isso deixa os outros com curiosidade, vontade de saber".

Julgamento na internet

"A crítica não me pega há muitos anos. Ainda mais quando são aquelas sem fundamento. Eu chego a ficar constrangida por quem faz. Eu gosto é do hater que fala bem, escreve bem, sabe elaborar uma frase de impacto. Aí eu paro e penso 'esse aqui mereceu minha atenção'. Se não é relevante, amor, nem me gasta. Não vou perder meu tempo".

Passado sem filtro

"Quando era mais nova, eu era muito mais louca. Hoje sou madura e tenho experiência. Com 20 anos, falava de tudo. As pessoas ficavam realmente surpresas. Elas pensavam 'Quem é essa menina? O que ela está fazendo? Quem pensa que é?'. Sempre tive muita segurança em mim. Se preciso dizia: 'Não vou fazer. Não está no meu contrato, não combinei isso'. Nunca vou me esquecer: uma vez, com 16 anos, fui capa da Folha de S.Paulo com a aspa: 'A Globo é pequena para mim'.

Isso porque o repórter me perguntou por que eu não tinha aceitado o convite para interpretar uma protagonista depois da minissérie Sex Appeal. E eu respondi que a proposta não fez brilhar meu olho. Não queria assinar um contrato de quatro anos. Minha vontade era ir para o mundão, ver o que estava acontecendo lá fora. Mas eu usava as palavras erradas. Minha mãe ficou doida, disse que eu nunca mais ia trabalhar na vida. Só que eu sempre tive essa coragem. Nunca achei que se a Globo não me desse trabalho eu iria ficar desempregada. O poder é meu, não de quem me contrata. Se eu quero, vou estudar, trabalhar e com a experiência vou ficar boa. Pensar assim sempre me deu segurança".

Insatisfação social

"Sinto que todo mundo fala na rede social e ninguém faz nada. O Brasil continua a merda que está porque todo mundo fica em casa postando e ninguém vai para a rua. As pessoas não votam direito. A gente tem lá em cima quem nós mesmos escolhemos".

Críticas ao feminismo

"Eu quero ver feminista botar dedo na minha cara. Quero saber quem fez um terço do que eu fiz na minha história. Tenho 27 anos de carreira, às vezes nem eu mesma acredito. Comecei a trabalhar com 14, aos 16 já era famosa. Eu transgredi tanta coisa, queimei tanto sutiã na praça... Podem me chamar do que for, isso não me diz respeito. Meu público é outro. Eu não ganho dinheiro vendendo produto no Instagram, então não tenho medo de dizer as coisas que eu penso. Sou atriz. Não vivo de ser boazinha e não me indispor com ninguém. Tenho minhas críticas, a minha opinião e quando alguém me perguntar, vou dizer o que penso.

Aquela história do 'Mexeu com uma, mexeu com todas'... Nunca vi coisa mais fajuta. Apesar de superimportante, todo mundo botou a camiseta, fez a maquiagem, deu o close e postou a foto. Alguém abriu a boca? Ou você acha que aquela mulher foi a única assediada durante toda a existência da Rede Globo? Todo mundo deveria ter falado para que ela não virasse um monstro. E ele [José Mayer] também. Ele virou Jesus Cristo, mas não foi o único homem a fazer aquilo ali dentro. Ele cometeu um erro? Sim e tem que ser punido. Mas se ninguém fala sobre outros casos, não existe movimento".

Assédios anteriores

"Já gravei um programa sobre as duas vezes em que sofri assédio. Não me dói falar sobre o assunto, porque nunca me senti subjugada, humilhada. Eles não eram meus patrões. A primeira vez foi com um produtor de teatro: na hora de me deixar em casa, ele tentou me dar um beijo na boca. Era um conhecido, já havíamos saído para jantar mil vezes. Eu falei: 'Ué, enlouqueceu? Pode ter certeza de que se eu quisesse, já teria te avisado há muito tempo'. Nunca mais nos vimos.

O segundo foi dentro da Globo, com várias pessoas famosas dentro da sala. Ele me olhou e falou: 'Vem cá', batendo no próprio colo para que eu sentasse. Levantei bem esbelta, rebolativa, sentei no braço da cadeira e fiz que não com a mão. Não fiquei com vergonha. Mas imagino o quanto deva ser cruel para uma mulher ser assediada pelo patrão dentro de uma empresa convencional. Imagina? Com três filhos para criar e pensando 'Meu Deus, quando esse cara vai parar de dar em cima de mim?".

Momento tranquilo

"Tenho 43 anos, 3 filhos. Está feito. Agora é diversão. Tenho minha casa, já fiz a escolha da profissão e tenho sucesso. Já tive minha história de amor: escolhi alguém para casar, chamei todas as pessoas importantes para dizer que queria casar com ele. Já cheguei para ele e disse 'Não está bom. Você vai mudar? Não vai? Então um beijo, por favor se retire'. Já vivi todas as coisas mais importantes de uma vida. Tanto com relação a escolhas como com relação às consequências. Agora vou com o barco, escolhendo bons projetos, estudando coisas que eu gosto. Tudo ficou mais relax".

Os dois lados da separação

"A melhor parte do divórcio são as 'férias de filho'. Nenhuma mãe tem isso: mesmo quando eles estão dormindo, você está preocupada com o almoço de amanhã, se o catarro saiu com a inalação que fez ontem. Mas quando existe a separação, em algum momento eles vão estar com o pai. E é uma loucura, a gente quase não sabe como lidar com essa liberdade.

A pior parte, sem sombra de dúvida, é a desilusão de não ter conseguido viver o sonho como você gostaria, como vislumbrou. Porque ninguém casa para separar. É muito triste quando você chega à conclusão de que vocês não conseguiram. De que a parte ruim ganhou da boa (porque sempre existem duas partes). Quando a ruim ganha, isso é muito triste".

Intensa como sempre

"Apesar do momento tranquilo, não acho que o tipo de amor mude. Eu estou apaixonada pelo meu namorado como se tivesse 19 anos. Eu choro de saudade, sabe? Às vezes deito e escorre aquela lágrima. Então o amor não mudou. O que mudou foi a expectativa e isso é libertador. Porque expectativa é uma merda".

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