Topo

Repórter que acusa Datena de assédio diz que foi induzida a assinar carta

Após divulgação de texto retirando alegações, Bruna Drews assinou, nesta segunda-feira (28), uma nova carta, desta vez reiterando acusação de assédio - Reprodução/Instagram
Após divulgação de texto retirando alegações, Bruna Drews assinou, nesta segunda-feira (28), uma nova carta, desta vez reiterando acusação de assédio Imagem: Reprodução/Instagram

Natália Eiras

De Universa

28/10/2019 14h35Atualizada em 28/10/2019 17h03

A jornalista Bruna Drews falou, em entrevista para Universa, que assinou uma carta retirando as acusações de assédio contra o apresentador José Luiz Datena por causa da pressão que estava vivendo. "Queria colocar uma pedra em tudo o que aconteceu, para que nem eu e nem o Datena tivéssemos mais prejuízo com isso. Fui induzida pelos advogados dele e mal instruída pelos meus advogados, que garantiram que tudo ficaria em sigilo, porque eu não aguentava mais", falou a ex-repórter.

Bruna afirma que o processo criminal que ela abriu contra o apresentador foi "inexplicavelmente" arquivado sem que ela fosse ouvida pela polícia.

Como Datena entrou na Justiça processando a ex-repórter por difamação e calúnia, a jornalista se viu no papel de ré. "Eu não tenho dinheiro e nem saúde para enfrentar esse processo", diz Bruna, que alega sofrer de estresse pós-traumático por conta do trabalho na Band e, inclusive, diz ter se aposentado por invalidez pelo INSS. "Eu assinei a carta na esperança de respirar, de me livrar daquilo. Mas eu reitero que o assédio aconteceu. Temia pela minha integridade, mas não vou mais temer".

Nova declaração pública feita por Bruna Drews nesta segunda-feira (28) - Bruna Drews
Nova declaração pública feita por Bruna Drews nesta segunda-feira (28)
Imagem: Bruna Drews

Universa teve acesso à nova carta pública assinada por Bruna Drews nesta segunda-feira (28). No texto, ela recua em relação às declarações feitas no documento anterior e justifica: "Acresço que a declaração inverídica apenas foi feita por medo de ação criminal [...] e porque havia sido combinado que, se eu firmasse uma declaração pública me retratando de tudo, o querelante arquivaria o processo e manteria a declaração em sigilo." A repórter diz, ainda, que não recebeu nenhuma "contrapartida financeira".

A decisão em voltar a falar sobre o assunto e continuar com o processo trabalhista que ela move contra a emissora foi tomada, de acordo com Bruna, por conta da divulgação da carta.

"Não era para o conteúdo vir à tona. Mas como o Datena quis divulgá-la, decidi retrucar", afirma a jornalista, que fez uma publicação em seu Instagram dizendo que não mentiu sobre o assédio que teria sofrido.

"Já fiz uma nova declaração pública reiterando tudo isso e desmentindo a carta anterior. Contando verdadeiramente como os fatos aconteceram e dizendo porque eu assinei aquela carta. No processo trabalhista, isso vai constar."

Carta aberta a quem interessar : Eu não menti. Fui induzida e mal orientada a assinar um documento que não condiz com a realidade . A verdade é que meu processo de assédio sexual contra o apresentador inexplicavelmente foi arquivado. Não houve investigação policial, meu depoimento não foi colhido e nenhuma testemunha foi ouvida. A justiça não me permitiu brigar pelos meus direitos . A situação se inverteu e acabei processada por calúnia e difamação, mas não tinha condições psicológicas e financeiras para encarar mais esta briga.Fui induzida a fazer um acordo. No entanto, não estava totalmente consciente das consequências cíveis e criminais de declarar fatos que não aconteceram; somente o fiz porque pensei que assim se encerrariam todos os processos. Os fatos aconteceram como eu havia declarado inicialmente mas a outra parte envolvida conseguiu reverter inexplicavelmente a situação. Assinei tal carta na intenção de recuperar a minha saúde física e mental e enterrar o ocorrido. Ontem em uma reunião com meus familiares, que sofrem junto comigo todos os reflexos do ocorrido, decidimos não fugir da luta e acreditar que em algum momento a justiça será feita . Mais uma vez digo: EU NÃO MENTI . Mulheres que passaram por isso sabem como é difícil encarar essa briga e vence-la. Por último , quero deixar claro que não recebi nenhuma compensação financeira para cometer o ato errôneo de assinar a tal carta. Sigo com a minha moral e integridade intactas . Minha consciência está tranquila. Tudo o que eu mais quero é me livrar de uma situação que estava acabando com a minha saúde .

A post shared by Bruna Drews (@brudrews) on

O caso

Em janeiro deste ano, Bruna Drews relatou que ouviu Datena, em um restaurante, dizer que "se masturbava pensando nela" e que ela não precisava emagrecer porque "já era muito gostosa". O caso motivou a repórter a abrir um processo criminal e outro trabalhista contra o apresentador e a rede Bandeirantes.

A jornalista diz, no entanto, que esta foi apenas a gota d'água e que, na realidade, já havia passado por outras situações constrangedoras. "Eu era frequentemente assediada no ar. Ele achava que era apenas brincadeira, mas não era. Uma vez, o Datena mandou o cinegrafista baixar a câmera para mostrar o meu corpo", afirma para Universa.

Ela afirma que administrava os comentários para não perder o emprego. "Aguentava porque tinha que pagar as minhas contas, mas os próprios telespectadores me mandavam mensagem perguntando porque eu não falava nada."

Para o colunista Mauricio Stycer, Datena lamentou que Bruna Drews queira, segundo ele, "continuar mentindo".

Disse o apresentador: "A decisão já foi homologada pela justiça. Só ler o texto da declaração onde ela reconhece a mentira que contou e pede desculpas a mim e minha família, de livre e espontânea vontade (está no texto). Reconhece que mentiu, prejudicou a mim e minha família e quer continuar mentindo perante um documento assinado perante a Justiça. Reitero que tais fatos como esta moça conta nunca aconteceram."

Violência contra a mulher