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Brincadeiras como as de Faustão com funcionários podem virar bullying; veja

Faustão costuma fazer brincadeiras com ex-funcionárias; piadas renderam pelo menos três processos contra a Rede Globo - Reprodução/TV Globo
Faustão costuma fazer brincadeiras com ex-funcionárias; piadas renderam pelo menos três processos contra a Rede Globo Imagem: Reprodução/TV Globo

De Universa

26/10/2019 11h11

Três ex-funcionários do "Domingão do Faustão" processaram a Rede Globo por conta das brincadeiras que o apresentador Fausto Silva, conhecido por muitas vezes colocar suas assistentes de palco e produtores em evidência na frente das câmeras, fazia durante os programas. Os cinegrafistas Ivalino Raimundo da Silva, que era conhecido como "Gaúcho", Renato Larangeira, o "Renatão";e o ex-diretor de palco Renato Oliveira Cardoso, o "Renatinho", acionaram a Justiça por terem, enquanto trabalhavam na produção do dominical, sido alvos de piadas de Faustão ou por serem "coagidos" a trabalhar fantasiados em rede nacional.

Segundo Vanci Magalhães, diretora da JBV - Soluções de Recursos Humanos, a linha que separa uma piada do bullying é bastante tênue. "Quando a brincadeira é rotineira e desrespeitosa, gerando incômodo, vira bullying", explica. "A vítima se torna o centro das atenções de maneira negativa." Principalmente se as brincadeiras forem relacionadas a situações da vida pessoal ou aparência do funcionário.

Para Françoise Trapenard, diretora comercial da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), a semelhança entre o bullying escolar e o corporativo é a questão de poder envolvida. "Enquanto na escola o que está em jogo é a força de um grupo de pessoas, na empresa é a de uma pessoa com respaldo institucional." No caso dos ex-funcionários de Faustão, eles poderiam se sentir coagidos a "entrar na brincadeira" em rede nacional. "Quem ataca costuma estar sozinho, mas representa uma organização, costuma ocupar posições de gestão e não tem autocrítica para perceber que está ultrapassando limites. É um desequilíbrio que acaba atingindo o mais fraco", explica Françoise.

A situação se torna ainda mais problemática quando assume condições absolutamente humilhantes e degradantes. O bullying, então, pode se tornar uma situação de assédio moral. "O funcionário acaba se tornando alvo de perseguição e olhares maldosos", conta Vanci. É o caso de Renato Cardoso, que alega, no processo judicial, que teve o casamento arruinado por conta de piadas do Faustão sobre ele ser mulherengo e ter "noivado oito vezes". Os advogados do cinegrafista argumentam que os comentários causou brigas entre ele e a mulher, o que levou ao divórcio.

*Com informações na reportagem "Brincadeira, assédio, bullying no trabalho: como diferenciar?"

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