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Racismo adoece e impede a mulher de crescer, diz coach para pessoas negras

Ana Minuto fala sobre como racismo afeta os negócios - Reprodução/YouTube
Ana Minuto fala sobre como racismo afeta os negócios Imagem: Reprodução/YouTube

Marcos Candido

De Universa

25/10/2019 04h00

Ana Minuto sonhava em mudar o mundo e trabalhava em ONGs para construir um mundo melhor para mulheres negras. Em 2012, depois da morte da mãe, ela decidiu criar a "Terapia Preta", um grupo de aconselhamento às pessoas pretas a preços acessíveis. Hoje, o método também é usado para estimular mulheres negras na área dos negócios.

Nascida no extremo da zona leste de São Paulo, Ana abriu dois salões de estética. Um fechou, o outro foi vendido. Entre idas e vindas, foi aprendendo na marra até que o luto a levou a um curso para tornar-se coach.

Da experiência, saiu com as ideias de criar terapia para pessoas negras, dar palestras e também gerenciar projetos na área de tecnologia. Ela fez um MBA em gestão de projetos na área de tecnologia.

Na semana passada, Ana foi uma das palestrantes em uma edição do Women Will, promovido pelo Google em edição exclusiva para capacitar empreendedoras negras. Mais de cem mulheres negras empreendedoras estavam na plateia em São Paulo.

Assim, relembra, compreendeu quem era, estudou, delineou o que tinha a oferecer ao mercado e reduziu os níveis de estresse ao enxergar um quadro mais realista para o futuro. Ana empilhou os episódios de racismo em uma realidade permanente, não como casos esporádicos do cotidiano.

Segundo ela, os episódios contínuos de preconceito corroem a autoestima das mulheres negras. O alto desemprego e o racismo nas contratações de funcionários obrigam as mulheres negras a se virarem como dá. Segundo uma pesquisa do Sebrae, 49% das das mulheres negras abrem o próprio negócio por pura necessidade. A proporção entre brancas é de 35%.

É difícil manter a cabeça no lugar com tantas opressões sociais sobre os ombros. A coach desenvolveu uma espécie de mantra para isso:

  • Conhecer os próprios conhecimento e habilidades;
  • Ter um objetivo claro e definido;
  • Criar relacionamentos e estudar o que se está fazendo.

As tarefas são parte de uma missão só: a de compreender o que é ser uma mulher negra e empreendedora em um país como o Brasil.

Em evento no Google, Ana Minuto fala métodos para empreender - Divulgação/Google
Em evento no Google, Ana Minuto fala métodos para empreender
Imagem: Divulgação/Google

"Quando você entra bem em uma loja e é mal atendida, quando você não pode entrar em um shopping usando chinelos e quando digo que já fui gerente de projetos de tecnologia e me dizem: 'Nossa te imaginava diferente!', isso adoece ou não?", diz ela, complementando que isso acontece todos os dias.

Precisamos entender que muito do que acontece conosco é uma questão da nossa cor. A busca por ajuda psicológica nos faz entender isso. Caso contrário, adoecemos mesmo

"Todos os dias, o sistema nos lembra e tenta nos impor onde ele acha que é o nosso lugar. E o sistema está posto e em mudança, mas ainda não mudou. Se você não estiver organizada mentalmente para lidar com isso, a depressão e ansiedade te dominam", explica.

Tradutor: Racismo adoece e impede mulher de crescer, diz coach para pessoas negras

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