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Sexo melhora o problema: o que causa vagina flácida e como tratar

Flacidez pode ter motivos variados - iStock
Flacidez pode ter motivos variados Imagem: iStock

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

24/10/2019 04h00

Também conhecida como frouxidão, a flacidez da vagina é um contratempo que pode acometer qualquer mulher.

Porém, diferentemente do que o senso comum e a falta de informação costumam levar as pessoas a supor, uma vida sexual movimentada não tem nada a ver com isso.

"A vagina é adaptada para o sexo, portanto não há riscos de flacidez por conta da penetração frequente", diz Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista obstetra membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP).

"É justamente o contrário: a atividade sexual frequente aumenta a irrigação sanguínea e ajuda a combater esse problema"

Maura Seleme, especialista em fisioterapia pélvica no Brasil e na Holanda e idealizadora do aplicativo Ipelvis

Então, o que causa a vagina flácida? Um dos possíveis motivos é o parto normal, que exige que a vagina se distenda para a passagem do bebê. Segundo Alexandre, bebês de até 3,5 kg têm, em média, o diâmetro da cabeça como a parte mais larga do corpo — o que não acarreta dificuldades. Porém, bebês maiores podem ter o diâmetro do ombro maior do que a cabeça.

"Quanto maior for a criança, mais a vagina deve se distender e mais demorado pode ser o parto. Ambos os fatores podem influenciar o rompimento de tecidos ao redor da vagina que dão a sustentação dela e, assim, acarretar uma flacidez", explica o médico. "Vale lembrar que com a ocorrência sucessiva de partos, alguns músculos não retornam às suas propriedades originais de elasticidade, tornando-se mais alargados que o normal", informa Nivia Cristina Tot Vinhola, fisioterapeuta especializada em saúde da mulher e fisioterapia pélvica internacional, de São Paulo (SP).

É importante entender que a vagina faz parte do assoalho pélvico, formado pelo conjunto de músculos e ligamentos que promovem a sustentação dos órgãos pélvicos como bexiga, uretra, útero, reto e intestino. "O enfraquecimento ou uma lesão no assoalho pélvico, como alterações anatômicas ou influência de hormônios, como a relaxina, que deixa os músculos pélvicos amolecidos para o parto, podem gerar diversas complicações na mulher", observa Karina Tafner, ginecologista e obstetra, especialista em endocrinologia ginecológica e reprodução humana pela Santa Casa Misericórdia de São Paulo.

As alterações do assoalho pélvico envolvem a queda (prolapso) de bexiga, uretra, intestino delgado, reto, útero ou vagina, causada por fraqueza ou lesão nos ligamentos, tecido conjuntivo e músculos da pelve. "Ou seja, são hérnias, condição em que os órgãos se projetam de forma anormal, quando o tecido de sustentação está enfraquecido", completa Karina.

Doenças envolvendo o colágeno como artrite reumatoide e lúpus e miopatias também podem causar flacidez vaginal. "Cirurgias na região, como a retirada do útero e o tratamento do câncer radiológico através da radioterapia, também podem alterar os tecidos da região", fala Maura.

Outro fator relevante é o envelhecimento. O tônus muscular se altera e a musculatura dessa região, assim como a musculatura de todo o corpo, perde seu vigor. Após a menopausa a mulher pode notar uma atrofia por causa da diminuição de hormônios, o que provoca um estreitamento do tubo vaginal e a redução da lubrificação.

Quando prestar atenção

Quando a região íntima fica com uma aparência flácida, muitas mulheres podem sofrer um baque na autoestima. De acordo com Alexandre Pupo, existe flacidez interna e externa. "Na flacidez interna há uma ampliação do diâmetro do tubo vaginal que pode reter ar durante o sexo e após a retirada do pênis sair ar, dando a impressão de um flato vaginal. Isso pode ser um sinal de flacidez. Outro sinal seria a formação de uma 'bola' na entrada da vagina por flacidez das paredes anterior, da bexiga, ou posterior, perto do reto", conta.

Alexandre explica que durante o sexo é difícil a percepção de uma flacidez vaginal, pois toda a parte sensorial da mulher está na entrada da vagina, onde a musculatura a mantém mais fechada. "Eventualmente, em casos de rompimento do períneo devido a um parto de bebê de grande peso ou manobras obstétricas necessárias para complementar um parto mais difícil, o homem pode perceber que há pouco contato do pênis com esta parte da entrada da vagina", ressalta. Outro sinal de flacidez vaginal é a incontinência urinária devido a esforços como caminhar, se levantar da posição sentada, carregar peso ou tossir.

Formas de tratamento

Uma das principais formas de combater a queda do assoalho pélvico e a flacidez vaginal é fazer exercícios para fortalecer a região. Se a mulher passou a vida toda sem exercitar esses músculos, é natural que eles enfraqueçam e adquiram um aspecto flácido. "Há exercícios simples, que podem ser feitos em casa, em alguns minutos do dia. Porém, para começar a fazê-los, é importante procurar um fisioterapeuta especialista na área - sempre sob a recomendação de um ginecologista, que também pode prescrever uma reposição hormonal. O fisioterapeuta vai recomendar o melhor treinamento, já que cada corpo é de um jeito e existem diversos motivos para exercitar a região", conta Nivia.

Segundo a fisioterapeuta, em alguns casos também é necessário fazer uma reeducação corporal e utilizar técnicas conduzidas pelo fisioterapeuta como eletroestimulação, biofeedback, cinesioterapia pélvica e cones para vaginismo, entre outros, que, com a fisioterapia, restabelecem a estrutura das paredes vaginais, deixando o tônus da musculatura mais forte.

No caso de rompimento muscular da região do períneo, pode-se optar por uma cirurgia de reparação (perineoplastia). "Se envolver perda urinária, pode ser necessário a correção cirúrgica com elevação da bexiga", conta Alexandre, que destaca: "As melhores maneira de se prevenir a flacidez é manter o peso dentro do ideal, evitar principalmente a gordura intra-abdominal, fazer atividade física frequente com atenção à musculatura perineal, eventualmente até com ajuda de fisioterapia, e seguir à risca as orientações médicas de pré-natal para evitar bebês de grande peso ao nascimento."

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