Topo

Trump é acusado de assediar modelos, incluindo menores, nos anos 1990

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Leah Millis/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Imagem: Leah Millis/Reuters

De Universa, em São Paulo

22/10/2019 11h51

Prestes a ser lançado, o livro All The President's Women: Donald Trump and the Making of a Predator [Todas as Mulheres do Presidente: Donald Trump e a Gênese de um Predador, em tradução livre] documenta diversas denúncias de assédio sexual contra Donald Trump por mulheres que trabalharam como modelos nos anos 1990.

O atual presidente dos EUA, que na época era conhecido como desenvolvedor imobiliário, tinha grande influência neste meio, uma vez que organizava concursos de beleza e comparecia a eventos de moda regularmente. Os trechos do livro foram liberados pela revista "Cosmopolitan".

A modelo NaKina Carr, que desfilava para Oscar De La Renta neste período, comentou sobre o presidente: "Ele era pegajoso... Ele sempre colocava as mãos nos lugares mais inapropriados. Quando ele vinha cumprimentar alguém com um beijo, ele sempre colocava a mão no quadril ou no bumbum".

"Outra coisa que era sua especialidade era quando posávamos para fotos. Sempre que ele colocava o braço ao redor de nós para posar, ele dava um jeito de tocar nos nossos seios", disse ainda.

Em outra ocasião descrita no livro, Trump apalpou o corpo de várias modelos nos bastidores de um desfile, enquanto tentava adivinhar o tamanho de roupa que vestiam. Em mais uma, passou a mão pelos seios de uma mulher enquanto fingia examinar a textura do tecido de sua roupa.

A reputação do atual presidente, na época, era que ele preferia garotas bem jovens. "Se você tinha mais de 21 anos, não precisava se preocupar com ele", comentou Carr.

Vestiários e iates

Essa predileção se estendia para modelos menores de idade. Stacy Wilkes tinha 16 anos quando competiu no concurso Look of the Year de 1991. Trump, um dos organizadores e jurados da competição, visitava os vestiários das modelos regularmente, e sem avisar.

"Era muito desconfortável, porque parecia que ele arranjava alguma desculpa para ver todas as adolescentes se trocando todas as vezes. Quando você está fazendo um desfile, as pessoas precisam te ajudar a se despir e vestir a próxima roupa. Ele não precisava estar lá", contou.

As modelos, é claro, não se sentiam confortáveis para reclamar. "Nós tínhamos medo que, se falássemos algo, não iríamos ganhar de jeito nenhum. Nós éramos muito jovens", completou Wilkes.

Shawna Lee participou do Look of the Year em 1992, aos 14 anos. Ela se lembrou que um dos eventos da competição era um desfile em um iate, onde as garotas tinham que descer uma escada e dançar na frente de Trump e John Casablancas, da agência de modelos Elite.

"Eles estavam sentados em cadeiras na parte de baixo da escada. Era uma área muito pequena onde elas tinham que dançar. Eles riam e tiravam sarro das meninas. Esses caras são mais velhos do que o meu pai. Foi nojento. E não tinha nada a ver com ser uma boa modelo", contou.

"Segunda mão"

A última história contada nos trechos do livro divulgados pela "Cosmopolitan" envolve uma modelo famosa e um empresário do ramo, que quiseram manter o anonimato para não perder oportunidades de trabalho na área.

Segundo o homem, Trump invadiu o quarto da modelo em um hotel em Nova York enquanto os dois estavam nus, na cama. A princípio, os dois acharam que se tratava do serviço de quarto, mas logo ficou claro que este não era o caso.

"Eu disse: 'O que diabos você está fazendo?'. Nós estávamos pelados, e ela puxou os lençóis para se cobrir. Eu mal consegui acreditar. Ele olhou para nós dois demoradamente, e bateu a porta atrás de si quando estava saindo", contou.

Os dois se vestiram e seguiram Trump para tirar satisfação, encontrando-o no lobby do hotel. "Eu fiquei furioso. Ela ficou chorando. Eu fui na direção dele, mas um guarda-costas me impediu de pegá-lo. Eu disse: 'Que p*rra você está fazendo, entrando no quarto desse jeito?'. E ele disse: 'Odeio coisas de segunda mão'", relatou.

Depois, no elevador, a modelo admitiu para o homem que Trump estava cortejando-a há semanas, e que ela havia rejeitado os avanços dele muitas vezes. "Foi quando eu percebi que, se eu não estivesse naquele quarto quando ele entrou, a história poderia ter sido bem diferente", completou.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{user.alternativeText}}
Avaliar:

O UOL está testando novas regras para os comentários. O objetivo é estimular um debate saudável e de alto nível, estritamente relacionado ao conteúdo da página. Só serão aprovadas as mensagens que atenderem a este objetivo. Ao comentar você concorda com os termos de uso. O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Violência contra a mulher