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Feminismo amplo e frases marcantes que Angela Davis disse em palestra de SP

Angela Davis fala em seminário no Sesc Pinheiros (SP), no sábado (19) - Divulgação/Boitempo
Angela Davis fala em seminário no Sesc Pinheiros (SP), no sábado (19) Imagem: Divulgação/Boitempo

Nathália Geraldo

De Universa

20/10/2019 17h49

A ativista, filósofa e professora emérita do Departamento de Estudos Feministas da Universidade da Califórnia em Santa Cruz Angela Davis desembarcou pela primeira vez em São Paulo no sábado (19) para a palestra "A liberdade é uma luta constante" e provocou a plateia a se aprofundar em questões do feminismo negro, do abolicionismo penal e dos caminhos da democracia, entre outros temas que fazem parte de sua vivência política.

Lançando também a versão brasileira de "Angela Davis - Uma autobiografia", a militante falou ao microfone por pouco mais de duas horas e, como em toda sua trajetória política e intelectual, ofereceu ao público frases impactantes sobre os conflitos sociais, especialmente ligados à raça e ao gênero, que oprimem mulheres negras.

A luta das mulheres negras na democracia

Márcia Foletto/Agência O Globo
Imagem: Márcia Foletto/Agência O Globo

"Marielle permanece viva e como um farol de esperança pelo mundo afora para as pessoas que acreditam profundamente na possibilidade da transformação racial no Brasil, nas Américas e por todo planeta. Ela não acreditava que o racismo estava destinado a ser uma característica permanente da sociedade, mesmo com o legado de 500 anos, ainda assim poderia ser abolido".

Marielle Franco sabia que a liberdade era uma luta constante.

"E seu legado continua por aqueles e aquelas que levam adianta a luta contra o racismo, a violência, a homofobia, a destruição do meio ambiente".

"Libertem as Pretas"

"A ativista Preta Ferreira disse que não é somente um movimento 'Libertem Preta', mas 'Libertem Pretas'. E devemos reconhecer que quando falamos liberdade para mulheres negras, queremos dizer liberdade para todos e todas".

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

"A democracia que exclui as mulheres negras não é uma democracia de forma alguma. Elas não representam só a si mesmas, mas comunidades indígenas, negras, pobres, vítimas de opressão econômica, de gênero, de violência racial. Quando as mulheres emergem, elas emergem juntas".

Violência de gênero: o que fazer?

"É preciso desmantelar as estruturas ideológicas que legitimam a violência de gênero — que também faz parte em relações de trabalho, como de trabalhadoras domésticas — e o assédio sexual. É tão importante quanto desfazer as que promovem o racismo".

Representante do feminismo negro

"Cada vez mais as mulheres estão assumindo posições de liderança em lutas em prol da justiça social. E sempre me sinto estranha porque sinto que estou sendo escolhida para representar o feminismo negro.

Por que aqui no Brasil vocês precisam buscar essa referência nos Estados Unidos? Eu aprendo mais com Lélia Gonzalez [uma das mulheres negras para nos inspirar] do que que vocês aprenderiam comigo. Ela estava escrevendo sobre interseccionalidade antes do termo nascer".

Dizer-se feminista

"É um pouco errôneo pensar que havia um feminismo branco e outras de nós desenvolvendo um trabalho feminista em outros espaços.

Me levou bastante tempo para abraçar essa identidade feminista.

Eu conceitualizava como o 'feminismo branco burguês', que pressupunha não pensar no racismo e no capitalismo como exploração econômica.

Feminismo amplo: gênero, raça e classe

"Acho que o feminismo nos permite pensar de forma ampla. Não falo de um tipo específico, mas que ele pense sobre as formas múltiplas de opressão, que seja inflexionado ao marxismo e o anticapitalista. Tem que haver um feminismo que seja amplo. Que reconheça que o capitalismo sempre esteve conectado com o racismo".

Direitos da mulher