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Sexo a seco: como mulheres podem resolver a falta de lubrificação vaginal

Se sentindo num deserto? Calma. Tem jeito. - Reprodução
Se sentindo num deserto? Calma. Tem jeito. Imagem: Reprodução

Christiane Ferreira

Colaboração para Universa

17/10/2019 04h00

A sensação é conhecida de algumas mulheres. Apesar de excitadas e com vontade de fazer sexo rápido — aquela rapidinha —, as mulheres encontram um empecilho para a penetração: seca, a vagina não permite a passagem do pênis. Aí, dá-lhe sexo oral, preliminares ou lubrificantes à base de água para deixar molhada e a vontade de transar não virar uma frustração completa.

Ter dificuldade em ficar molhada antes ou durante a relação sexual é comum. E nem sempre a pouca lubrificação ou a falta dela significam ausência de desejo. Às vezes, o tesão está lá, mas a lubrificação não ocorre de forma adequada para que o sexo seja confortável e prazeroso. Antes de sair em busca de lubrificantes vaginais, que nem todas as mulheres gostam, é preciso investigar as causas do problema, que podem ser físicas ou emocionais.

"A mulher pode estar envolvida sexualmente e mesmo assim apresentar secura. São situações que o ginecologista deve avaliar, para checar o que está atrapalhando o processo", afirma a especialista em sexualidade do Sexo sem Dúvida, Carolina Freitas.

O ressecamento vaginal pode aparecer em qualquer idade. Apesar de mais comum no período da menopausa, acontece no pós-parto e durante a amamentação devido às alterações hormonais, principalmente relacionadas à queda de estrogênio e testosterona. O uso de anticoncepcionais e antidepressivos também podem prejudicar a lubrificação feminina.

A organizadora de eventos Priscila*, 34 anos, de São Paulo, é mãe de um menino de um ano e meio. Ainda amamentando e com a rotina exaustiva — com a cama compartilhada com a criança e o marido, cansaço devido às mamadas noturnas e libido baixíssima —, ela conta que a lubrificação diminuiu consideravelmente. "Fiz meus exames de rotina e a ginecologista disse que era por conta da amamentação", afirma Priscila. A saída foi aumentar o tempo das preliminares para que a vagina fique mais molhada e o sexo seja prazeroso para o casal. "O início é bem difícil, mas depois de muito sexo oral e masturbação a transa rola numa boa. Também faço uso de lubrificantes à base de água comprados na farmácia."

Causas físicas e emocionais

Para saber se o problema é hormonal, será preciso realizar exames que vão verificar o funcionamento da tireoide; analisar índices de testosterona total e livre; cortisol (hormônio do estresse); além do estrogênio e prolactina, que podem interferir diretamente na vida sexual. "O estrogênio e a testosterona, por exemplo, estão relacionados à musculatura, ao revestimento de colágeno da mucosa genital e aos microrganismos que ali habitam. A falta deles diminui a lubrificação", afirma a ginecologista Patrícia Romeiro Bretz, especialista em reposição hormonal e endometriose.

A sexualidade da mulher é complexa. Portanto, as causas emocionais devem ser consideradas. Excesso de ansiedade, medo de sentir dor na relação sexual, relacionamento em crise e falta de conhecimento do corpo podem afetar a saúde sexual. "Nesses casos, a terapia ajuda na retomada e manutenção da lubrificação", afirma Carolina Freitas, que também é mestre em Psicologia.

Casada há 45 anos, a aposentada Maria Aparecida*, 70 anos, conta que há dois anos passou a sentir um ressecamento na vagina. Na hora do sexo, ela relata uma sensação de 'areia' no canal vaginal, o que a deixava com medo de sentir dor. "Era horrível e nenhum lubrificante dava jeito", afirma. Ao procurar a ginecologista, Maria Aparecida passou a fazer uso de testosterona três vezes na semana (a aplicação ocorre na pele, em locais com pouco pelo); e também estrogênio nos outros dias, que é introduzido dentro da vagina. Depois de um tempo de uso, a aposentada relata que o sexo melhorou muito e que a sensação de areia foi embora.

O que pode ajudar

Tratamentos com laser ou radiofrequência promovem ótimos resultados, segundo a ginecologista. Na primeira sessão são indicadas três aplicações e, após esse período, basta uma vez ao ano. "São indicados para as mulheres que param de usar os cremes vaginais à base de estrogênio ou testosterona devido ao desconforto, pois alguns escorrem", afirma Patrícia Bretz.

Por ser um músculo, algumas técnicas de exercícios vaginais, como a fisioterapeuta pélvica e uroginecológica ou o pompoarismo são indicados para diminuir o ressecamento. "Estar em contato com o corpo, conhecer as sensações de prazer tendem a aumentar o desejo e a excitação, melhorando a lubrificação", afirma a especialista em sexualidade.

Outras dicas para dar um up na lubrificação são: manter a higiene adequada da região vaginal com água e sabão e evitar sabonetes que alteram o pH da região.

*Os nomes foram trocados para manter o anonimato das entrevistadas

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