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Vídeos manipulados, deepfakes podem fomentar violência de gênero

Página do app Zao, de troca de rostos (deepfake) na App Store chinesa - Reprodução
Página do app Zao, de troca de rostos (deepfake) na App Store chinesa Imagem: Reprodução

De Universa, em São Paulo

16/10/2019 20h20

O aumento do uso da tecnologia deepfake, que permite manipular vídeos de modo a criar a ilusão de que indivíduos estão falando ou fazendo algo falso, tem visado especialmente a violência de gênero com ataques virtuais a mulheres. É o que diz o relatório divulgado hoje pela organização Witness, voltada para a luta de direitos humanos. O documento foi elaborado com base em uma convenção sobre o tema realizada em junho deste ano.

"Atualmente, os deepfakes frequentemente impactam mulheres, em relação à produção de imagens e vídeos sexuais, manipulados, e não consensuais. Ao mesmo tempo, há temores que essa manipulação audiovisual possa ameaçar várias outras áreas de nossa sociedade", diz trecho do relatório.

O encontro, realizado no Brasil, teve workshops para ajudar a identificar os vídeos falsos e discussões sobre como combater possíveis ameaças derivadas das montagens, que podem acabar denegrindo e satirizando agentes públicos, jornalistas e movimentos sociais.

A Witness propõe que, da mesma forma que a tecnologia de deepfakes foi criada, outra também seja idealizada para detectar quando um vídeo foi alterado.

A organização também alerta para imagens de procedência duvidosa.

"Hoje já começamos a sentir um impacto negativo dos deepfakes em relação à violência de gênero (especialmente por meio de vídeos pornográficos deepfake, o lugar onde tudo começou), mas ainda não por desinformação - embora isso pareça apenas uma questão de tempo", diz o texto.

Violência contra a mulher