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Dois anos após #MeToo, atriz americana relata estupro em set de filmagem

Atriz Alyssa Milano em protesto na Times Square em julho deste ano  - REUTERS/Carlo Allegri
Atriz Alyssa Milano em protesto na Times Square em julho deste ano Imagem: REUTERS/Carlo Allegri

De Universa, em São Paulo

15/10/2019 15h43

Dois anos após dar o pontapé inicial para o movimento #MeToo, que denuncia casos de abusos em Hollywood, a atriz Alyssa Milano contou, pela primeira vez, sobre um estupro que sofreu durante as gravações de um filme em 1993.

"Já compartilhei outras histórias do #MeToo, mas nunca contei isso publicamente antes", declarou a atriz, que fez sucesso com série Charmed, no podcast "Sorry Not Sorry", onde trata de temas relacionados ao movimento.

Desde que pediu em sua conta no Twitter, há dois anos, que mulheres que já haviam sofrido com abusos utilizassem a hashtag #MeToo para contar suas histórias, Milano deu início ao movimento que denunciou diversos atores, diretores, empresários e personalidades. A própria atriz já havia relatado outras situações difíceis pelas quais passou no meio.

No episódio que foi ao ar ontem, Milano contou que a agressão ocorreu durante a gravação de uma cena de sexo. O ator americano, 17 anos mais velho que ela, teria aproveitado um momento "de vulnerabilidade", como ela descreveu, para colocar a mão debaixo de sua calcinha e penetrá-la com os dedos.

"Ele me estuprou ali no set, com as câmeras girando em torno de nós. Chorei, tive crises de ansiedade e fiquei muito furiosa", disse.

A situação atraiu a atenção do diretor do longa, que a chamou de canto para perguntar se ela gostaria de tomar alguma atitude sobre o ocorrido e denunciar o ator à polícia. Apesar da conversa, Milano precisou continuar filmando por mais seis horas com o homem que a abusou.

Ela disse que pensou em denunciar seu agressor por muitos anos, mas que mudou de ideia recentemente. A artista diz se tratar de um ator famoso e que atua em grandes produções do cinema. O fato de ele ser pai de crianças pequenas teria sido um dos motivos que a fez desistir de levar o caso à polícia.

"É sempre muito difícil falar sobre isso", desabafou no podcast.