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"Gritaram que viado tinha que morrer", diz tio de jovem espancado em SP

Roger Passebom Junior, 22, estava comemorando o aniversário quando foi agredido por seis pessoas - Arquivo Pessoal
Roger Passebom Junior, 22, estava comemorando o aniversário quando foi agredido por seis pessoas Imagem: Arquivo Pessoal

Natália Eiras

De Universa

11/10/2019 04h00

O atendente Roger Passebom Junior, 22, saiu com três amigos na noite do dia 21 de setembro para comemorar seu aniversário em uma casa noturna de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Voltou para casa no último domingo, 6 de outubro, após passar uma semana em coma, perder uma parte do crânio e ficar sem lembranças do que aconteceu naquela madrugada.

O jovem foi espancado por seis pessoas após deixar a balada. O motivo, de acordo com testemunhas, foi homofobia. "Eles não queriam só brigar. Quem chuta a cabeça de uma pessoa desmaiada várias vezes contra uma sarjeta não quer vencer uma briga. Foi tentativa de homicídio", fala o vendedor Silvio Brito, tio de Roger, em entrevista para Universa. "Gritaram para ele que 'viado' tinha que morrer."

Amigos do Roger contaram que estavam na festa quando começaram a ouvir xingamentos homofóbicos. Os agressores teriam, ainda, começado uma confusão com o grupo. Os seguranças da balada intervieram e expulsaram os agressores. "Um deles disse, então, que não levaria desaforo para casa de uma pessoa homossexual", conta Silvio. Eles teriam, então, esperado a saída de Roger para espancá-lo na rua.

O caso foi registrado no 1º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. Com a ajuda de imagens de câmeras de segurança, a Polícia Civil identificou três agressores, que foram chamados para prestar depoimento. No dia 25 de setembro, foram indiciados por lesão corporal com motivação homofóbica. Os suspeitos estão respondendo ao processo em liberdade.

Silvio Brito acredita, no entanto, que os agressores deveriam ser indiciados por tentativa de homicídio. "Foi uma emboscada o que eles fizeram para o meu sobrinho, chutaram sem parar a cabeça dele. Não foi apenas um desentendimento, foi ódio", diz o vendedor.

"Essa é a nossa luta nesse momento. Estamos com uma assessoria jurídica porque queremos colocar esses seis agressores dentro da cadeia. Eles queriam matar meu sobrinho por ele ser quem ele é."

Roger teve um traumatismo craniano, passou por uma intervenção em que parte do crânio foi retirada para ajudar no desinchaço do cérebro e ficou oito dias em coma. O estado era tão grave que ele foi, segundo o tio, "desenganado" pelos médicos. "Disseram para a gente se preparar, porque ele estava bem mal. Porém, surpreendentemente ele se recuperou bem", afirma Silvio.

Hoje em casa, o atendente está se recuperando das lesões. A extensão das possíveis sequelas ainda será analisada. "Ele às vezes perde a linha do pensamento, mas os médicos disseram que é normal, que pode ser consequência da medicação forte, mas também pode ser algo permanente. Vamos saber mais para frente".

Ter ele de volta em casa, entretanto, deixa a família aliviada. "Ele está tendo dificuldade para fazer tudo, mas está vivo. Ainda bem."

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