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Evento da ONU discute como equidade de gênero traz ganhos para empresas

Evento da ONU em São Paulo - Fabiana Correa/Universa
Evento da ONU em São Paulo Imagem: Fabiana Correa/Universa

Fabiana Corrêa

Colaboração para Universa

10/10/2019 14h14Atualizada em 10/10/2019 14h19

Durante dois dias, executivos de pequenas, médias e grandes empresas e especialistas se reuniram em São Paulo para discutir como as empresas podem dar mais oportunidades para a promoção da equidade de gênero no ambiente de trabalho.

O Fórum WEPs (sigla em inglês para Princípios de Empoderamento das Mulheres) faz parte do programa Ganha-Ganha, iniciativa da ONU Mulheres, OIT (Organização Internacional do Trabalho) e União Europeia, para conscientizar as empresas de que dar condições iguais para homens e mulheres resulta em impacto positivo também para a economia.

"O crescimento mundial está parado porque as mulheres nem participam e nem se beneficiam dele", disse, no palco de abertura, Ignacio Ybañez Rubio, embaixador da União Europeia no Brasil.

Se continuarmos no ritmo de hoje, as profissionais terão condições de trabalho iguais às de seus colegas só daqui a 200 anos, lembra ele. Segundo Rubio, o custo financeiro global dessa discriminação é de US$ 12 bilhões anuais.

Hoje, uma mulher que trabalha fora tem 50% a mais de chances de ficar desempregada do que um colega. E, enquanto está empregada, ganha 26% a menos que eles.

Uma das metas do Ganha-Ganha para os seis países que fazem parte dele na América Latina é acabar com essa disparidade até 2030 em 90% das empresas signatárias dos princípios WEPs.

O Brasil hoje é o segundo em número de participantes, com 273 empresas, atrás da Turquia. No mundo, mais de 2.200 companhias se comprometeram a atuar para prevenir a violência contra as mulheres no ambiente de trabalho, dar condições iguais às dos homens, oportunidades de crescimento e educação, dar espaço a empreendedoras na contratação de fornecedores, entre outras metas do programa.

Durante os debates, não faltou gente para lembrar que homens brancos de 50 a 60 anos dominam o mundo corporativo.

E os discursos que abriram o evento foram um espelho disso: Maria-Noel Vaeza, diretora da ONU Mulheres para a América Latina e Caribe, animou a plateia, formada quase que 100% por mulheres, mas foi a única presença feminina.

Antes dela, Rubio e Martin Hahn, diretor da OIT no Brasil, falaram das diferenças de oportunidades e ganhos. "À medida que cresce o tamanho da empresa, diminui a proporção de mulheres. São 26% nas pequenas, 20% nas médias e só 16% nas grandes", disse Hahn.

De acordo com os dados trazidos por ele, empresas que adotam políticas de igualdade de gênero podem ter mais chances de atrair talentos. E o aumento de produtividade pode crescer até 60%.

Lançamento do selo Women on Board

Ao final do primeiro dia do evento, foi lançado o selo Women on Board, uma iniciativa independente criada para incentivar empresas a promoverem a diversidade em seus conselhos de administração, com a nomeação de ao menos duas mulheres.
"Queremos ir além das métricas legais de governança e gerar uma cultura de diversidade no topo", diz Carol Conway, diretora institucional do grupo UOL e uma das mentoras do selo.

No lançamento, 16 companhias receberam a premiação, entre elas o Santander, a Cestesb, Natura, Arezzo, Fleury e Furnas e o colégio Santa Cruz. Até o ano passado, 65% das companhias listadas no país não tinham sequer uma mulher em seus conselhos. "Quando as empresas perceberem que essa diversidade traz inovação, esse quadro começará a mudar", diz Carol.

No segundo dia, um dos discursos mais aplaudidos foi o de Cida Bento, diretora executiva do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, que falou da importância das políticas públicas para igualdade racial e democratização da educação no empoderamento feminino.

"As cotas raciais, o Prouni, são essenciais: 30% das negras que conseguem desenvolver uma carreira hoje passaram por algum programa desse tipo", diz Cida. O CEERT realiza estudos para grandes instituições para medir a diversidade nos quadros. "Por terem sido excluídas, quando essas mulheres chegam ao ambiente de trabalho elas contribuem com novas reflexões dentro das empresas."

Sandra Vale, gestora do Promundo, instituição que atua na redução da desigualdade de gênero com foco na masculinidade, falou no palco do segundo dia sobre a divisão desigual de cuidados das crianças entre homens e mulheres.

Segundo o estudo apresentado, 82% dos pais brasileiros querem participar mais da vida dos filhos. "Eles falam em ter mais tempo de qualidade, mas isso está baseado na ideia de que a tarefa do pai é brincar, enquanto o cuidado propriamente dito fica para a mulher", diz.

Uma das frentes em que a Promundo atua é para conscientizar homens e líderes empresariais de que a presença dos pais em casa depois do nascimento do bebê é importante e que os dias dedicados a isso poderiam ser flexibilizados. Por exemplo, que os 20 dias permitidos por lei fossem dados não necessariamente logo após o nascimento do bebê, mas quando a mãe tiver que voltar ao trabalho e o filho precisar de assistência. "O importante é colocar o bem-estar do bebê no centro dessa discussão."

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