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Ela criou um tipo de megahair invisível e vai faturar R$ 3 milhões este ano

Tatiana Cordeiro, da Megahair Invisível - Reprodução/Instagram
Tatiana Cordeiro, da Megahair Invisível Imagem: Reprodução/Instagram

Manuela Aquino

Colaboração para Universa

07/10/2019 04h00Atualizada em 07/10/2019 11h08

A empresária Tati Cordeiro, 39, não tem curso de cabeleireira, mas diz que desenvolveu um alongamento diferente, que não fica visível após a aplicação. É o megahair "invisível", que ela transformou em marca registrada. Três meses após conseguir se instalar em um salão próprio, ela calcula que vai faturar R$ 3 milhões este ano.

O megahair apareceu na vida de Tati há 20 anos, quando começou a usar a extensão capilar. Como consumidora, sofria com os métodos que deixavam o cabelo à mostra. Aos poucos, virou fonte de consulta das amigas que queriam fazer o processo.

Em 2014, ela foi indicada para trabalhar em uma empresa de telecomunicação, com planos corporativos. Fez vendas grandes em dois meses e aceitou o convite para ser sócia. Depois de três anos, a empresa faliu e ela se viu cheia de dívidas, que paga até hoje.

Diante da falta de dinheiro, uma amiga, que tem loja de bijuteria online e que faz propaganda por rede social, sugeriu que ela fizesse o mesmo, só que com cabelo. Tatiana achou boa a ideia e criou a conta chamada "megahair invisível" onde oferecia colocação da extensão em casa.

"Uma primeira cliente apareceu em seguida. Peguei R$ 1.200 emprestados dessa amiga, comprei um kit de cabelo e fui. Nem parei para pensar como iria colocar o cabelo, sou corajosa e tinha que fazer dar certo. Sabia fazer só de observar e ver vídeos. Precisava me manter e manter meu filho", diz Tati.

Assim, surgiu a primeira cliente, em outubro de 2017. Na primeira semana, atendeu seis pessoas. "Não me pergunte como acreditaram em mim, não sei. Depois de um mês não dava conta dos pedidos pois só conseguia fazer uma por dia, precisava arrumar um espaço."

Não, não veio do nada

Pode parecer que Tati deu sorte. Mas tudo tem a ver com a experiência que ela ganhou em negócios ao longo dos anos, percebendo o que agrada e como as pessoas querem ser tratadas. "Sou perfeccionista, dou todo o suporte para a cliente, explico o que precisa e a pessoa pode me ligar a hora que quiser para tirar dúvidas", promete a empresária.

Desde os 17 anos, ela ajudava o pai em um restaurante na zona norte de São Paulo. Antes, havia trabalhado como secretária em uma confecção. O pai desistiu do negócio e Tati resolveu abraçá-lo. Trabalhava de segunda a segunda e dormia muito pouco, pois havia show à noite. "Fechei as portas, pois começaram denúncias no Psiu. Tenho certeza que foi a concorrência, pois a gente fazia muito sucesso", gaba-se.

A partir daí, foram muitos pequenos negócios. "Fiquei perdida. Passei a fazer consultoria para restaurantes", conta. Como não gostava, desistiu. Surgiu uma oportunidade de arrendar um mercado na cidade de São Lourenço, no sul de Minas Gerais. "Fiquei seis meses, voltei porque era muito limitado, não tinha como crescer", diz.

Ao voltar para São Paulo, encontrou o médico que havia feita sua cirurgia de lipoaspiração. Ele precisava de alguém para ajudar nas operações e tomar conta do consultório. "Passou a ser meu negócio, me sentia parte daquilo", diz a empresária, que ficou lá por seis anos. Depois dessa experiência, veio mais. A empresária havia se separado e começou a se relacionar com uma pessoa que tinha loja de carros. "Ajudei a fazer a loja crescer, mas depois da separação saí nem nada", conta.

Divulgação
Imagem: Divulgação

Agora vai?

Fazer esta pergunta novamente e ter coragem para seguir fizeram com que ela mergulhasse de cabeça, sem pensar muito, no megahair. Quando ela percebeu que não poderia crescer atendendo em domicílio, Tati resolveu alugar uma cadeira em um salão, no Itaim, bairro nobre da capital paulista.
"Cobrava de R$ 1.500 a R$ 5.000, de acordo com quantidade, tamanho e tom. Trabalho com esses preços até hoje", explica Tati. Além da colocação, quem coloca a extensão precisa voltar para fazer manutenção entre 45 e 60 dias e o cabelo precisa ser trocado por inteiro, em média, a cada dois anos.

A cadeira no salão ficou pequena para ela, que se mudou para o mesmo bairro, desta vez ocupando um andar inteiro de outro salão. De dois auxiliares, passou a ter oito funcionários. Nesta fase, já tinha feito muitos testes e desenvolvido uma técnica própria de colocação do cabelo na fita que vai ao cabelo. Ela sempre quis algo delicado, que ficasse imperceptível. Como era muito caro, teve que esperar para colocar em prática. Hoje, tem dinheiro para bancar a costureira, que faz tudo à mão.

Hoje são 35 funcionários

Depois de dez meses no andar de cima, chegou a hora de Tati investir o dinheiro que ganhava em uma casa só dela. Há três meses, ela tem um salão só dela para fazer exclusivamente megahair. "Comprei o ponto, tinha R$ 70 mil para reformar. No total gastei R$ 250 mil", conta.

Hoje são 35 funcionários. "Continuo fazendo a propaganda via Instagram e o boca a boca sempre funciona. Tenho clientes de todo Brasil e recebo até gente de Miami", conta. Para ela, a técnica de colocar o cabelo na fita, a aplicação minuciosa e o atendimento próximo fizeram a diferença para que o negócio dela decolasse.

A previsão de faturamento para este ano é de R$ 3 milhões. Além disso, já são quase 100 mil seguidores na página da empresa.

Para o futuro, está previsto o lançamento de uma linha de cosméticos para megahair e de cursos online para formação de cabeleireiros.

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