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Mulheres que odeiam esportes: damos o caminho para começar a praticar já

Encontrar o esporte que é sua praia é um dos caminhos para se entregar a atividade física - Getty Images
Encontrar o esporte que é sua praia é um dos caminhos para se entregar a atividade física Imagem: Getty Images

Natália Leão

Colaboração com Universa

04/10/2019 04h00

Por que você não é adepta da prática esportiva? Uma das respostas mais comuns a essa questão é: eu simplesmente não gosto de esportes. Mas com tantas modalidades por aí, será possível que nenhuma te agrade? Muitas vezes, descobrir qual esporte tem mais a ver com você é um dos primeiros empecilhos para se entregar à vida em movimento.

Afinal, se você nunca foi convidada a testar vários esportes -- assim como os meninos são desde crianças -- como saber qual é a sua praia? Pedimos o caminho das pedras às psicólogas esportivas Maria Gabriela Carreiro e Sâmia Hallage.

Primeiro passo: identifique e entenda o que te limita

Se você foi incentivada a testar e praticar esportes desde a infância, é uma privilegiada. Infelizmente, o que mais acontece é o contrário. Não à toa, 68% das brasileiras nunca praticaram um esporte segundo o IBGE. "Quem faz desde cedo tem uma facilidade física e emocional para participar daquele ambiente. Quando há algo totalmente novo, é mais desafiador, porque você não sabe o que vai encontrar", diz Sâmia.

Maria Gabriela completa: "Escolher uma modalidade, integrar esta escolha na rotina, conciliar com estudos, trabalhos, filhos e marido, se for o caso, assim como enfrentar as dúvidas sobre a própria capacidade e potencial são empecilhos. E a insegurança muitas vezes se faz presente no formato de adiamentos, desculpas e uma grande confusão interna para se relacionar com o próprio corpo", completa.

Para quebrar esse ciclo, identifique e aceite seus medos e separe os empecilhos estruturais (como falta de dinheiro ou tempo) daqueles mentais ou emocionais (medo, insegurança, dúvida do seu potencial). Feito isso, desenhe uma estratégia para adequar a atividade física aos estruturais e não use os emocionais para adiar ainda mais seu começo. Eles podem ser trabalhados no caminho.

Segundo passo: tenha uma motivação clara

Quais benefícios você acha que terá se incluir um esporte na sua vida? Vá além do resultado estético, pense em qualidade de vida, saúde, longevidade, diversão, novas amizades. É a essa motivação que você vai se apegar quando o desânimo bater. "Avaliar os ganhos, faz com que você enfrente as barreiras com foco em um objetivo palpável", explica Sâmia.

"Eu miro lá onde quero chegar e lido com o sentimento ruim até ele desaparecer. Em pouco tempo a tendência é que a pessoa se sinta mais confortável naquele ambiente e a insegurança dê lugar ao prazer".

Terceiro passo: Diga, repita e acredite que "não é sobre o corpo perfeito"

Para muitas mulheres que iniciam uma relação com o esporte já na fase adulta, a diversão dá lugar a uma cobrança muito forte em relação à conquista da boa forma, a manutenção de saúde ou combate a alguma doença. "A vergonha surge de um desconhecimento da relação com o próprio corpo e consequentemente a mulher fica receosa sobre sua capacidade de performar, sobre seu próprio potencial e até sobre a roupa que vai vestir durante a atividade", explica Maria Gabriela.

Mudar esse padrão é um longo processo e para começar é preciso ressignificar o papel do esporte na sua vida. "Tentar se enquadrar em um corpo Ideal é um objetivo muito desgastante que trará uma série de frustrações, pois corpo envolve fatores variados como genética, biotipo, metabolismo, etc.", diz Maria Gabriela. "Na relação com o esporte, essa cobrança traz uma obrigatoriedade que torna a prática desagradável e punitiva, isso é muito desmotivador", completa. A dica é: em vez de olhar para fora, olhe para dentro. Avalie os benefícios que o esporte traz para seu bem-estar, sua mente e suas relações sociais.

Quarto passo: Investigue qual ambiente é o seu

Parece simples, mas algumas mulheres nunca pensaram sobre isso. Por exemplo, se você odeia água, não vai ser surfista, certo? Ou se não se sente bem em multidões, talvez deva evitar provas de corrida de rua. "É importante pensar sobre qual ambiente agrada mais a ideia da iniciante, ou seja, aquático, terrestre, indoor, outdoor, assim como a finalidade do esporte, se é destinado para diversão, conquistar outro tipo físico, se a preferência é por uma modalidade individual ou coletiva, para uma futura competitividade ou para um treinamento sem exigências de alto rendimento, mas mantenedor do bem estar físico e mental", ensina Maria Gabriela. Feito isso, compare vários esportes às suas preferências e teste! Hoje em dia é fácil fazer aulas experimentais de qualquer modalidade.

Quinto passo: Encontre um grupo

Você conhece as meninas do Longarina, da Lulu Five ciclismo ou do Britneys Crew? Esses são apenas alguns grupos de prática esportiva exclusivo para mulheres. E como elas podem te ajudar? "Os grupos são grandes núcleos de identificação e compartilhamento. O acolhimento das necessidades das participantes e incentivo à superação é nítido e ajuda a aumentar o bem-estar e desenvolver o potencial e habilidades mentais e físicas de quem está começando", diz Maria Gabriela. Na prática, você vai se sentir acolhida e incentivada por mulheres que entendem e muitas vezes compartilham os mesmo sentimentos que você. E a psicóloga Sâmia Hallage lembra que esses grupos podem ser apenas o empurrão inicial de que você precisa. "Eu conheço muitas mulheres que começaram nesses coletivos e ganharam tanta confiança que logo conseguiram migrar para grupos mistos ou até para seguir de forma individual".

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