Topo

Suspeito é indiciado pela morte de Mariana Bazza; jovem morreu asfixiada

Estudante de fisioterapia Mariana Forti Bazza, 19 - Arquivo pessoal
Estudante de fisioterapia Mariana Forti Bazza, 19 Imagem: Arquivo pessoal

Wagner Carvalho

Colaboração para o UOL, em Bauru (SP)

03/10/2019 18h50Atualizada em 04/10/2019 17h08

Resumo da notícia

  • Polícia concluiu o inquérito da morte de Mariana Bazza, 19, em Bariri
  • Rodrigo Alves Pereira,33, foi indiciado por latrocínio (roubo seguido de morte)
  • Laudo do IML indicou que Mariana foi morta por asfixia; Rodrigo a teria sufocado com um pano
  • Polícia ainda aguarda outros laudos para verificar se Rodrigo estuprou Mariana
  • Se MP oferecer denúncia e ela for aceita pela Justiça, Rodrigo se tornará réu
  • Suspeito chegou a confessar o crime, mas agora nega a autoria

A Polícia Civil de Bariri (SP), a 320 km da capital, apresentou hoje ao MP (Ministério Público) conclusão de inquérito apontando Rodrigo Alves Pereira, conhecido por Rodriguinho, 33, como suspeito pela morte de Mariana Forti Bazza, 19, em 24 de setembro. Ele foi indiciado por latrocínio (roubo seguido de morte) e ainda pode responder por estupro e ocultação de cadáver. Se o MP apresentar denúncia à Justiça e ela for aceita, o suspeito vai virar réu.

O investigador-chefe da delegacia de Bariri, José Dadalto, afirmou que o fato de o suspeito ter apontado com exatidão o local onde o corpo havia sido deixado é uma das provas mais fortes contra ele. Inicialmente, Rodriguinho admitiu o crime, mas depois negou a autoria e disse que foi coagido por policiais a confessar.

O laudo do IML (Instituto Médico Legal) de Araraquara ficou pronto e revelou que a causa da morte da estudante foi asfixia mecânica por estrangulamento. De acordo com a polícia, o suspeito utilizou um pano para sufocar Mariana até a morte. Quando o corpo foi encontrado, a vítima ainda estava com o pedaço de pano enrolado no pescoço. "Ele utilizou de uma força muito grande para estrangular a vítima até a morte", afirmou Dadalto.

O laudo foi anexado ao inquérito policial e remetido ao MP, mas a Polícia Civil ainda aguarda o resultado de outros exames feitos com o material genético colhido pelo IML no corpo da vítima. Estes laudos, que devem ficar prontos entre 30 a 90 dias, irão apontar com exatidão se a jovem sofreu ou não abuso sexual.

O investigador afirma que esses resultados serão anexados posteriormente ao inquérito. Além do crime de latrocínio, o suspeito poderá responder por ocultação de cadáver e estupro, caso o abuso sexual seja confirmado pelos exames.

O crime de latrocínio ficou configurado porque, segundo a polícia, Rodrigo teria roubado o toca CD do carro de Mariana e a carteira dela, além de ter tentado vender o veículo dela no dia do crime.

Em silêncio

Preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) Bauru, isolado em uma cela especial, Rodrigo Pereira nega ser o autor do crime e não responde a nenhuma outra pergunta dos policiais.

Quando foi preso na noite do dia 25 setembro, o suspeito se manteve calado, mas na manhã seguinte confessou o crime informalmente para o delegado e apontou para os policiais onde estaria o corpo da estudante.

No mesmo dia, Rodrigo voltou atrás e disse que apenas acompanhou uma terceira pessoa, que seria o responsável pela morte da jovem, até o local onde o corpo foi abandonado. Na audiência de custódia, o suspeito chegou a chorar e disse à juíza que foi agredido enquanto esteve na carceragem da Polícia Civil. Para o delegado Marcílio Fredericce de Mello, titular da Delegacia de Polícia de Bariri, a versão é fantasiosa e que as provas coletadas não apontam a participação de outra pessoa.

O crime

Mariana e a amiga saíram da academia por volta das 8h de terça-feira (24). A colega disse à polícia que pegou sua motocicleta e saiu em direção ao trabalho. Já Mariana, segundo câmeras de segurança que estão de posse da Polícia Civil, dirigiu-se até seu veículo e notou que o pneu estava murcho. Nesse instante, as câmeras flagraram um homem se aproximar dela e oferecer ajuda para a troca do pneu.

O rapaz conversou com Mariana e logo em seguida se dirigiu para uma chácara em frente à academia. Ainda de acordo com as imagens do circuito interno de segurança, após conversar com o rapaz, Mariana entrou no carro e o guiou para dentro da chácara.

Cerca de uma hora depois, o veículo saiu do local, mas não é possível identificar pela gravação quem está no volante. Uma pessoa saiu pela porta do motorista, voltou após alguns segundos e arrancou com o veículo. Cerca de uma hora depois, o suspeito retornou com o veículo de Mariana para a chácara, ficou mais cerca de 30 minutos e saiu novamente. Toda essa ação foi flagrada pelas câmeras de vigilância da academia frequentada pela jovem.

Enquanto o rapaz trocava o pneu do carro, Mariana chegou a fotografá-lo e, numa rápida conversa por uma rede social, enviou a foto para seu namorado. "Ela não mandou porque estava com medo ou receosa, mandou para me mostrar o que tinha acontecido, mal sabia ela que aquela foto a ajudaria a esclarecer sua morte", comentou Jeferson Viana.

Mais Violência contra a mulher