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Homem é suspeito de manter esposa cega em cárcere sem comida e banheiro

A mulher ficava trancada sem comida e sem banheiro - Guarda Municipal
A mulher ficava trancada sem comida e sem banheiro Imagem: Guarda Municipal

Abinoan Santiago

Colaboração para Universa, em Ponta Grossa (PR)

02/10/2019 12h26

A Polícia Civil do Paraná abriu inquérito para investigar um homem de 42 anos, preso pela Guarda Municipal de Ponta Grossa ontem (1º), por manter a esposa, de 27 anos, em cárcere privado por ciúmes. A mulher, que é cega, ficava trancada em casa sem acesso a comida nem ao banheiro enquanto o marido saia para trabalhar. O caso aconteceu no bairro Dona Luiza.

De acordo com o delegado Rodrigo Cruz, por ser cega e viver em condições inadequadas, a mulher perdeu noção do tempo e, por causa disso, não conseguiu dimensionar quanto tempo esteve mantida sob o cárcere. Ela ficou sem a visão após um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O casal está junto há 10 anos.

"A Guarda Municipal encontrou a mulher em condições absurdas e desumanas. Ela estava trancada sem acesso externo nenhum, sem janela, mantida sem comida e fazendo suas necessidades fisiológicas em um balde. Não foi possível mensurar há quanto tempo se encontrava nesta situação", disse o delegado.

Em depoimento à polícia, a vítima contou que o marido saia para trabalhar pouco depois das 6h e a deixava sozinha em casa. Ele acorrentava as portas e vedava as janelas. Como a residência tem o banheiro no lado de fora, a mulher usava um balde para suas necessidades fisiológicas.

A vítima ainda narrou que ficava sem se alimentar durante todo o expediente do marido, que retornava para casa entre o fim da tarde e início da noite. O marido trabalhava no Distrito Industrial de Ponta Grossa. Ela ainda disse que os familiares do suspeito eram coniventes com a situação.

"No começo, ele sempre deixava bolachinha salgada e bolachinha doce. Agora não. Ele me deixava trancada lá dentro e entregava a chave para a irmã dele. Eu reclamava muito, porque não achava certo. Sempre falei, sempre chorei, sempre queixei, mas ninguém deu bola", afirmou a vítima à RPC TV, filial da Globo.

O casal tem uma filha de 8 anos. Ao sair para o trabalho, o marido a levava para ficar com a irmã dele em uma casa no mesmo terreno. A vítima ainda tem outros dois filhos, de outro casamento, mas ambos moram com o pai.

O flagrante aconteceu depois que a Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal recebeu informações de moradores que participavam de uma palestra sobre violência contra a mulher em um colégio próximo. O marido soube ter sido denunciado e retornou para o imóvel, quando recebeu a voz de prisão.

"Um dos nossos agentes recebeu a denúncia pessoalmente, e nós conseguimos agir com muita rapidez no resgate dessa vítima", disse a coordenadora da patrulha, Liliane Chociai.

Em depoimento à polícia, o homem argumentou a prática do cárcere por ciúmes da esposa. Ele aguarda audiência de custódia no Fórum de Ponta Grossa para saber se responderá em liberdade ou preso preventivamente pelo crime de cárcere privado qualificado e maus-tratos.

A Polícia Civil ainda ouve as testemunhas no inquérito. De acordo com o delegado Rodrigo Cruz, a intenção é saber se parentes, que moram no mesmo terreno, eram cúmplices do cárcere, pois uma irmã dele ficava com a chave do cadeado.

A vítima foi encaminhada para um abrigo de Ponta Grossa, de endereço não informado, para manter a sua segurança.

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