Topo

Ney Matogrosso:"Me achava horroroso. Não queria que ninguém me visse"

Ney Matogrosso contou, em entrevista para "Marie Claire", que teve problemas com seu corpo - Reprodução/Instagram
Ney Matogrosso contou, em entrevista para "Marie Claire", que teve problemas com seu corpo Imagem: Reprodução/Instagram

De Universa

29/09/2019 14h31

Mesmo com o rosto coberto, Ney Matogrosso, em cima do palco com Secos & Molhados, parecia não se importar em chamar a atenção e incomodar com a sua aparência andrógina. Porém, em entrevista para a revista "Marie Claire", o cantor falou que nem sempre foi assim. "Era uma pessoa muito problemático com meu corpo", disse em papo em Paraty (RJ). "Na adolescência, não havia hipótese de eu tirar a camisa na frente de alguém. Me achava um ser horroroso. Vivia com a mão no bolso porque tinha vergonha das minhas mãos, dos meus pés, minhas pernas. Não queria que ninguém me visse."

A vergonha do próprio corpo começou a mudar quando ele teve que fazer o Tiro de Guerra. "Quando fui para o quartel, tinha que tomar banho na frente de 20 homens e entendi que teria um problema com eles. Se não tirasse a roupa naquele lugar, minha vida viraria um inferno. Aí comecei a notar que, quando tirava a camisa, ninguém me apontava como um monstro."

No palco de Secos & Molhados, o fato de esconder o rosto foi o que deu mais coragem para explorar sua figura. "Na hora que tapei a cara, fiquei nu. Adquiri uma coragem de exposição física que não existia em mim." Hoje em dia, Ney lida melhor com suas formas. "Tenho a consciência de que não tenho um corpo perfeito, mas mostro como se fosse. E aí é muito louco, porque as pessoas acreditam."

"Fui um espinho atravessado na garganta do meu pai"

Ney Matogrosso disse, na entrevista, que a insegurança poderia estar em uma negação que ele sentia por parte de seu pai, que não aceitava a forma que o filho se expressava. "Sempre fui um espinho atravessado em sua garganta", contou o cantor. "Sem eu nem saber por quê. Ele me perseguia". O artista, assumidante bissexual, narra que lembrou de situações em que o progenitor o chamou de "viadinho". "Aos 13, ele fez isso de novo. Respondi: 'Não sou não, Mas quando for, o Brasil inteiro vai saber'".

Porém, quando já estava mais velho, o pai de Ney foi a um show do filho. "Tomou um remédio para o coração e foi me ver com a minha irmã. No fim do show, disse a ela que eu era 'um grande artista'. Quando chegou em casa, botou meu disco nas alturas para os vizinhos ouvirem. Mas nunca me disse nada, fiquei sabendo tudo pela minha irmã."

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi publicado, Paraty fica no estado de Rio de Janeiro, não de São Paulo. A informação foi corrigida.

Diversidade