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Violência contra a mulher


Amiga diz que suspeito insistiu para trocar pneu do carro de Mariana Bazza

Heloisa Passarello falou sobre a morte da amiga - Reprodução/Facebook
Heloisa Passarello falou sobre a morte da amiga Imagem: Reprodução/Facebook

Wagner Carvalho

Colaboração para Universa, em Bauru (SP)

27/09/2019 18h31

A última pessoa próxima a Mariana Forti Bazza, de 19 anos, que a pode ter visto antes do sumiço da jovem contesta as versões que têm sido divulgadas sobre a morte dela em Bariri, interior de São Paulo. Segundo Heloísa Passarello, 19 anos, a amiga não procurou o suspeito, Rodrigo Pereira Alves, e não pediu ajuda para que ele trocasse o pneu de seu carro.

As duas saíram juntas de uma academia na terça-feira pela manhã: Heloísa foi embora de moto, e Mariana aceitou ajuda do rapaz ao ver que o pneu estava murcho. Ele está preso e chegou a confessar ter matado a moça, mas voltou atrás e agora nega participação no crime.

"A Mariana não notou o pneu murcho. Na hora que ela estava já movimentando o veículo, o rapaz que estava no portão, do outro lado da avenida, nessa chácara, gritou para ela, para dizer que o pneu estava furado. Ela nunca pediu ajuda pra esse cara, aliás nunca notamos a presença dele ou de qualquer movimento nessa chácara", explicou.

"O fato que me fez desconfiar de que algo estava errado é que não tinha como ele (Rodrigo) ver que o pneu estava murcho, não dava de onde ele estava, do outro lado da avenida, a visão dele não era compatível com direção do pneu", completou.

Heloísa afirma que um dos vídeos, divulgados pela Polícia Civil, em que Mariana aparece conversando com o suspeito (Rodrigo) sozinha, já é uma segunda tentativa da parte dele para tentar convencer a jovem a deixá-lo trocar o pneu.

Na primeira abordagem, ela contou que esteve o tempo todo ao lado da Mariana e que insistiu para que a amiga fosse pra casa, mesmo com o pneu murcho para, depois, o pai dela dar um jeito. Heloísa conta que ela nunca esperou Mariana sair antes depois do fim do treino da academia, mas que dessa vez esperou.

"Ele (Rodrigo) abordou a mim e a Mariana depois de alertar que o pneu estava murcho e insistiu pelo menos umas quatro vezes para que ela deixasse ele trocar o pneu, mesmo assim, a Mariana não aceitou", lembra.

"Ele chegou a perguntar onde a Mariana morava, foi quando eu a mandei ir embora, que dava tempo de ela chegar em casa mesmo com pneu murcho. Aí que ele (Rodrigo) falou que era longe, que se ela andasse muito estragaria o pneu", relembrou.

Heloísa lembra que ficou mais uns três minutos com Mariana no local, enquanto a amiga entrou em contato com o pai pelo celular.

"Depois da ligação, eu fui embora, porque ele (Rodrigo) também já havia voltado para a chácara, dizendo que, caso a Mariana mudasse de opinião, era só chamar. Eu fui embora, porque iria me atrasar para o meu trabalho", lamentou.

A amiga contou que mais tarde, quando a amiga já estava desaparecida, assistiu aos vídeos das câmeras de segurança, divulgados pela investigação. Depois que tinha deixado o local e Mariana ficou sozinha, o rapaz (Rodrigo) voltou até o carro da amiga para falar novamente com ela. "Antes, na primeira vez, eu achei estranho tamanha bondade por parte dele, ele insistir em ajudar, em trocar, insistiu por várias vezes, mas a Mariana dispensou dizendo que o pai mandaria um borracheiro", lembra. Heloísa afirma não imaginar como Rodrigo convenceu a amiga na segunda conversa.

Em um texto de despedida, escrito por ela e publicado ontem em sua rede social, Heloísa pede "desculpa" para amiga por não ter ficado no local mais tempo.

O crime

Mariana e a amiga saíram da academia por volta das 8h de terça-feira (24). A colega disse à polícia que pegou sua motocicleta e saiu em direção ao trabalho. Já Mariana, segundo câmeras de segurança que estão de posse da Polícia Civil, dirigiu-se até seu veículo e notou que o pneu estava murcho.

Nesse instante, as câmeras flagraram um homem se aproximar dela e oferecer ajuda para a troca do pneu. O rapaz conversou com Mariana e logo em seguida se dirigiu para uma chácara em frente à academia. Ainda de acordo com as imagens do circuito interno de segurança, após conversar com o rapaz, Mariana entrou no carro e o guiou para dentro da chácara. Cerca de 1 hora depois, o veículo saiu do local, mas não é possível identificar pela gravação quem está no volante.

Uma pessoa saiu pela porta do motorista, voltou após alguns segundos e arrancou com o veículo. Cerca de uma hora depois, o acusado retornou com o veículo de Mariana para o interior da Chácara, ficou mais cerca de 30 minutos e saiu novamente. Toda essa ação foi flagrada pelas câmeras de vigilância da academia frequentada pela jovem.

Enquanto o rapaz trocava o pneu do carro, Mariana chegou a fotografá-lo e, numa rápida conversa por uma rede social, enviou a foto para seu namorado.

"Ela não mandou porque estava com medo ou receosa, mandou para me mostrar o que tinha acontecido, mal sabia ela que aquela foto ajudaria a esclarecer sua morte", comentou Jeferson Viana.

O suspeito Rodrigo Pereira Alves, conhecido como Rodriguinho, 33 anos, foi preso e confessou ter matado a jovem a facadas, segundo a polícia. Depois, porém, ele negou participação e disse que havia confessado porque foi agredido pelos policiais.

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