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Influenciadora é agredida em restaurante de SP: "Perguntou se eu era puta"

Heloísa Gomes, 35, foi agredida na sexta-feira (13) - Arquivo Pessoal
Heloísa Gomes, 35, foi agredida na sexta-feira (13) Imagem: Arquivo Pessoal

Mariana Gonzalez e Natália Eiras

De Universa, em São Paulo

25/09/2019 12h14

A influenciadora paulistana Helô Gomes, conhecida pelo perfil Sanduíche de Algodão e pelo Coletivo Lírico, foi agredida em um restaurante no Itaim Bibi, zona oeste de São Paulo. Universa teve acesso ao boletim de ocorrência, registrado na 2ª Delegacia da Mulher de São Paulo, na Vila Clementino, no dia 15 de setembro. No depoimento, a vítima conta que o agressor, identificado como Otto Resende Vilela Filho, perguntou "se ela era puta". "Acho que dentro do inconsciente machista, a mulher não tem a opção de escolha, o homem não pode ser contrariado. Eu só queria ficar em paz com minhas amigas e ele não me respeitou. Tenho certeza que ele acha que eu mereci o soco", a influenciadora disse em entrevista para Universa.

Segundo o relato de Heloísa à polícia, ela foi ao restaurante Umi Finest Sushi com um casal de amigos, um deles o dono do local, quando recebeu sinal de Otto para se aproximar e foi, na dúvida se era alguém que ela conhecia. A influenciadora se aproximou do agressor, que pediu "um drinque caprichado". Heloísa respondeu, então, que não trabalhava no estabelecimento. Pouco tempo depois, a vítima foi sentar com as amigas e foi abordada pelo mesmo homem que, passando as mãos em suas costas, perguntou se ela estava chateada e questionou se ela era "puta".

Otto Filho agrediu influenciadora após abordá-la perguntando se ela era "puta" - Reprodução/Instagram
Otto Filho agrediu influenciadora após abordá-la perguntando se ela era "puta"
Imagem: Reprodução/Instagram

Helô narra que, pelo agressor estar atrás de sua cadeira, ela se sentiu acuada. "Só queria ficar tranquila, no meu espaço pessoal", diz. Por isso, falou que, caso Otto não se afastasse, jogaria o drinque dela no rosto dele, mas o agressor não saiu da mesa da influenciadora e seus amigos. Foi quando decidiu cumprir a ameaça que havia feito. "Eu não quis machucá-lo em nenhum momento. Não mato nem barata", afirma. No depoimento, Heloísa conta que, após o ato, o agressor deu um soco em sua cabeça, que a fez cair no chão. "Todos me disseram na hora que a culpa era minha [por ter jogado o drinque], mas as delegadas e escrivãs da Delegacia da Mulher que me explicaram que era legítima defesa, porque eu estava encurralada e não tinha para onde fugir. Elas fizeram exercícios corporais e me mostraram o código penal. Foi quando comecei a entender que ele me bateria de qualquer forma", fala.

Juliana Ali, amiga de Heloísa Gomes, foi quem acompanhou a influenciadora nos dias seguintes. Em publicação no Facebook, ela diz que houve omissão dos funcionários do restaurante e outros presentes. "Nenhum segurança o segurou. Absolutamente ninguém. Ele foi embora tranquilo, sem correr. Mas Helô pediu para que o dono do Ummi Sushi, a deixasse ver as câmeras de segurança. Estava tudo filmado, em detalhes", escreveu Juliana.

Desde o ocorrido, Heloísa, que completou 35 anos nesta terça-feira (24), está sob medicação, uma vez que apresenta sintomas de estresse pós-traumático. A influenciadora diz que o agressor, conhecido em seu círculo de amigos, entrou em contato pelo WhatsApp. "Ele me mandou mensagem (não sei como conseguiu meu número) no domingo (15) à noite, dizendo que adorava mulheres porque tem mãe e tias e que eu era muito bonita para ficar chateada à toa", afirma para Universa. A vítima diz que tem recebido ameaças, não do número do agressor, e que foi orientada a não ficar em São Paulo mais.

Por meio de sua advogada, Ana Carolina Piovesana, Otto Resende Vilela Filho diz que "lamenta os fatos ocorridos e que nada justifica uma agressão. No caso, reagiu a uma injusta provocação e está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos devidos." A assessoria de imprensa do restaurante Ummi Finest Sushi, por sua vez, entrou em contato com Universa e, por meio de comunicado oficial, disse que "lamenta o ocorrido entre os clientes, repudia todo e qualquer tipo de violência e ressalta que está colaborando com as investigações do caso."

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado no 1° parágrafo desta matéria, Itaim Bibi fica na zona oeste de São Paulo e não norte. A informação já foi corrigida.

Violência contra a mulher