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Apesar da chuva, Parada LGBTI+ do Rio reúne multidão na praia de Copacabana

Parada LGBT no Rio de Janeiro - Pauline Almeida/UOL
Parada LGBT no Rio de Janeiro Imagem: Pauline Almeida/UOL

Pauline Almeida

Colaboração para Universa no Rio

22/09/2019 19h40Atualizada em 23/09/2019 08h48

A 24ª Parada LGBTI+ do Rio de Janeiro reuniu cerca de 800 mil pessoas hoje, segundo a organização do evento, na orla da praia de Copacabana. O tradicional figurino colorido dos participantes, com bandeiras nas cores do arco-íris, foi trocado pelas capas de chuva, mas o tempo não afastou os participantes, majoritariamente jovens, que dançaram do início da tarde até por volta das 19h. A Polícia Militar não informou sua estimativa de público.

O funk carioca foi o principal ritmo que animou a festa, que teve como atrações Pablo Vittar, Lexa, Teresa Cristina, Clau, Gabily, Brunelli, MC Rebcca, As Bahias e a Cozinha Mineira, Carol Biazin e Day.

O estudante de Direito Rui Baltazar mora há nove anos no Rio Grande do Sul, mas veio ao Rio de Janeiro para participar do casamento do irmão, onde foi padrinho com o namorado, e aproveitou para ir à parada.

"Pra gente não tem tempo ruim, eu acho que sempre é válido, faça chuva ou faça sol, o importante é que a gente se divirta e esteja aqui pela causa. É uma questão de visibilidade e conquista de espaço. A gente está em um momento político muito complicado, muito tenso e os nossos direitos estão sendo cada vez mais cessados".

Filho de uma família evangélica, ele se assumiu gay há seis anos, enfrentou atritos, mas hoje tem a mãe como melhor amiga.

'Sair do armário' também foi um processo de autoconhecimento para a estudante Ana Paula Andrade, lésbica, que marcou presença no evento. Ela contou que sempre gostou de meninas, mas devido à pressão social se obrigava a tentar ficar com meninos.

"Reunir todo mundo é importante para inclusão social. A gente se sente abraçado, você não está sozinho, ninguém vai te julgar por isso, porque é normal, amar é normal. Jesus mesmo disse, ame a si próprio", argumentou se protegendo embaixo de um guarda-chuva com as cores do arco-íris.

Engana-se quem pensa que apenas pessoas do público LGBTI+ vão à parada. Aline Levi, de 51 anos, levou um grupo de turistas que veio conhecer o Rio e lembrou que grandes eventos, como o deste domingo, fazem dinheiro girar na economia. "Para além de tudo isso, eu acho importante conhecer para respeitar uns aos outros, independente da opção de cada um", colocou.

O mesmo pensa a dona de casa Maria Lucia do Nascimento, heterossexual, que foi com uma amiga porque gosta da alegria da festa. "Eu gosto de acompanhar os meninos porque acho muito bonito", contou. Questionada sobre preconceito contra o público LGBTI+, ela deu uma lição: "nada a ver, pra que preconceito? Deixa os meninos", pediu.

A parada não foi apenas festa, mas ato político e de memória. Ela lembrou vítimas da violência do Rio de Janeiro, como a vereadora Marielle Franco; a garotinha Ágatha, de oito anos, morta durante um confronto entre criminosos e policiais militares no Alemão; e ainda Yuri Ferreira, organizador da parada LGBTI+ de Bangu, bairro da zona oeste.

O corpo de Yuri, professor de dança, foi enterrado neste domingo. Baleado durante uma operação policial na Vila Aliança no final de agosto, ele ficou internado quase um mês e morreu na última sexta-feira (20), no hospital Albert Schweitzer.

"Hoje em dia, amar é um ato de resistência. E resistiremos à violência e ao ódio mostrando a todos que somos capazes de amar qualquer pessoa, porque é isso que importa: respeitar, amar e resistir", afirmou Julio Moreira, diretor sociocultural do Grupo Arco-Íris, realizador do evento.

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