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Polícia identifica por DNA suspeito de estuprar e matar menina após 11 anos

Rachel Genofre tinha 9 anos quando foi estuprada e assassinada em Curitiba - Reprodução/Facebook
Rachel Genofre tinha 9 anos quando foi estuprada e assassinada em Curitiba Imagem: Reprodução/Facebook

Eduardo Schiavoni

Colaboração para o UOL, em Ribeirão Preto (SP)

19/09/2019 22h52

Onze anos depois do crime, a Polícia Civil de Curitiba afirma ter identificado o autor do homicídio de Rachel Genofre, 9, que estava sem resposta desde 2008. O corpo da menina foi encontrado dentro de uma mala, na rodoviária de Curitiba, em 5 de novembro daquele ano, dois dias após desaparecer. O suspeito é um homem de 54 anos que está preso em Sorocaba, no interior de São Paulo.

O corpo da menina foi encontrado envolvido em dois lençóis e nu da cintura para baixo. Ela tinha sacolas plásticas na cabeça e, segundo laudos da polícia, sofreu violência sexual.

Identificado como autor do crime pela polícia, o suspeito Carlos Eduardo dos Santos morava em Curitiba e trabalhava como porteiro em um edifício em São José dos Pinhais, na região metropolitana da capital. Segundo as autoridades, ele não tinha qualquer relação com a menor, mas morava a cerca de 700 metros do caminho pelo qual a criança passava todos os dias para ir até a escola. A polícia acredita que ele tenha capturado a criança justamente nesse trajeto.

O pai de Rachel, Michael Genofre, disse viver um misto de sentimentos com a identificação do suspeito. "Por um lado, descobrimos quem fez essa monstruosidade. Por outro, a Justiça ainda não foi feita. Queremos saber o motivo do crime, a razão pela qual ele fez isso com minha filha", disse.

Identificação

A identificação foi feita a partir da comparação do DNA retirado do corpo de Rachel com amostras do Banco Nacional de Perfil Genético, mantido pelo Ministério da Justiça. A iniciativa reúne, por enquanto, bases de dados de Paraná, São Paulo e do Distrito Federal.

O banco de dados é atualizado semanalmente com material colhido de presos que cometeram crimes hediondos. No caso de Rachel, a amostra foi comparada com 116 perfis integrantes do sistema até ser detectada a compatibilidade com Carlos Eduardo, que foi total. Das 23 características analisadas no exame, todas bateram.

"Pode ter certeza de que o caso está encerrado. Não há o que livre ele dessa prisão", destacou o delegado-geral adjunto da Polícia Civil, Riad Braga Farhat.

Segundo o delegado, a integração dos sistemas foi fundamental para resolver o caso. "Se já existisse esse cruzamento em 2016, quando ele foi preso, já teríamos descoberto seu envolvimento no caso Rachel na época", frisou Farhat.

Condenado

Carlos Eduardo está preso em Sorocaba desde 2016, condenado a 22 anos de prisão, e possui um histórico criminal extenso que inclui crimes que vão desde estupro, atentado violento ao pudor e estelionato até roubo e falsificação de documentos. Os crimes teriam sido cometidos em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande dos Sul. Ele já respondeu por quatro acusações de cunho sexual.

Durante coletiva de imprensa realizada hoje, os delegados responsáveis pelo caso pediram desculpas à família de Rachel.

"A gente só pode pedir desculpas à família pela demora. Dizer que a gente tentou de todas as maneiras solucionar o mais rápido possível, que também nós somos falíveis. Mas que a gente trabalha duro. Seria horroroso para a família e para a sociedade que isso ficasse em aberto para sempre", afirmou Farhat.

O próximo passo, segundo a Polícia Civil, é levar Carlos Eduardo ao Paraná para que ele seja interrogado. Uma reconstituição do crime deve ser feita. Ele responderá pelo crime de homicídio qualificado e está sujeito a uma pena máxima de 30 anos de prisão.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do acusado.

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