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Maria da Paz e 13 Reasons Why: é perdoar ou fazer papel de trouxa?

Ani (Grace Saif) e Tony (Christian Navarro) em "13 Reasons": vale a pena dar uma segunda chance? - Divulgação/IMDb
Ani (Grace Saif) e Tony (Christian Navarro) em "13 Reasons": vale a pena dar uma segunda chance? Imagem: Divulgação/IMDb

Lucas Vasconcellos

Colaboração para Universa

17/09/2019 04h00

Na terceira temporada de 13 Reasons Why, que estreou recentemente na Netflix, há o drama que você já conhece dos adolescentes com temas como bullying, estupro, violência, suicídio... A diferença é que, na terceira parte da saga, foi levantada a possibilidade de perdão para quem cometeu erros teríveis. O mesmo acontece na novela das 21h, A Dona do Pedaço: Régis (Reynaldo Gianecchini) quer ser perdoado por Maria da Paz (Juliana Paes) após ter traído a mulher e ajudado sua filha a roubá-la.

E aí? Alguém merece ter sua história marcada apenas pelos piores erros que já cometeu? Como seres humanos vivendo em sociedade, todos cometemos deslizes ou somos machucados por outros. A discussão, quando o perdão entra em cena, é se todos merecem uma segunda chance. E qual a linha que define o perdão de fazer papel de trouxa?

"Perdão é um ato voluntário, que a pessoa considera quando existe uma mudança muito grande de emoções, pensamento e sentimentos negativos. Ou seja, você deixa de lado raiva, rancor, ranço e ideias de vingança para que a relação fique boa. Contudo, perdão não pode ser confundido com esquecimento, que é quando você ignora tudo o que houve, que machucou você e finge que não há nada. O perdão é a conscientização do que houve e a aceitação da mudança de sentimento", descreve o psicólogo, doutor em neurociência do comportamento e diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental (CASME) Yuri Busin.

Antes de simplesmente perdoar, Yuri recomenda que quem sofre a agressão, independentemente da natureza dela, faça uma reflexão se quer ou não carregar o sentimento negativo consigo. "Livrar-se disso é bom, para que consiga progredir e não ficar carregando fardos e sentimentos ruins por muito tempo. É bom que aconteça, mas, é claro, isso é individual", explica o profissional.

Fim de papo?

Perdoar não significa colocar uma pedra em cima de determinado assunto e encerrar discutido. Yuri ressalta que o ato de resolver seguir em frente, a fim de se deixar o passado para trás, não implica que o assunto não surgirá em outros momentos, até porque providências precisam ser tomadas para que o que machucou você não se repita. "Quando medidas não são postas em prática e você volta a aceitar repetidamente ações que lhe fazem mal, está fazendo papel de trouxa. Não se pode ser passivo em tudo", diz.

"Erros fazem parte da nossa vida e são uma forma de aprendizado. Cabe a cada um refletir sobre as ações para poder evoluir. O perdão não é sobre quem de alguma forma nos feriu — até porque, se essa pessoa não se sente mal pelo que fez, o perdão é basicamente indiferente para ela. Mas, quando se tem consciência do que se fez, é uma ferramenta para sermos melhores. Se não der para enxergar isso sozinho, o suporte de um terapeuta pode ser bom, para ajudar tanto a vítima quanto o agressor, a encontrar outras perspectivas", complementa Busin.

De acordo com o psicólogo, todos têm direito a uma segunda chance, mas não quer dizer que isso acontecerá, já que cabe a mais de uma pessoa decidir. E ele alerta que as pessoas são capazes de mudar, mas para que isso ocorra, é necessário de um desejo interno de criar tais mudanças, e não da insatisfação externa de outros.

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