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Pais descrevem visita de Janaina Paschoal ao ambulatório para criança trans

13.mar.2019 - A deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) - Carine Wallauer/UOL
13.mar.2019 - A deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) Imagem: Carine Wallauer/UOL

Marcos Candido

De Universa

14/09/2019 04h00

A deputada estadual Janaina Paschoal foi convidada a conhecer, nesta sexta (13) crianças e adolescentes transgêneros que podem perder o direito ao uso de terapia hormonal caso uma emenda da parlamentar seja aprovada em São Paulo. Pais que estiveram na reunião afirmam que ela foi receptiva, mas que não deve voltar atrás na empreitada, pelo que disse no encontro. Procurada pela reportagem, Janaina disse que não comentaria o assunto com a imprensa. Universa insistiu em saber sua posição, mas ela disse que preferia não expor o assunto.

Ela defende que o tratamento seja permitido somente a maiores de 18 anos e também pretende proibir a cirurgia de redesignação de sexo a menores de 21. Nos dois casos, a proibição se estenderia a toda rede pública e privada de saúde no estado. Caso percam esse direito, pais já cogitam mudar-se do estado ou do país.

O encontro aconteceu no Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual do Hospital das Clínicas, em São Paulo. O local faz uma triagem de adolescentes, que podem ser encaminhados à terapia hormonal por psiquiatras especializados.

"Tenho medo de não receber mais atendimento. Considerando que é um centro de referência no acompanhamento de crianças trans no Brasil, perder o ambulatório seria muito prejudicial", explica Renato*, engenheiro e pai de uma criança de 5 anos que afirma tanto ser uma menina quanto um menino e gosta de se vestir com roupas consideradas femininas, apesar de seu gênero biológico ser masculino.

A criança ainda não faz uso de bloqueadores hormonais, mas o pai defende que é um direito usá-los no futuro -- isso se, após uma avaliação detalhada de uma junta de profissionais for detectada a necessidade do uso. Caso seja proibido, ele cogita sair do País. "Ninguém quer que o filho sofra", diz. Hoje, com acompanhamento de pais ou responsáveis, crianças e adolescentes que se identificam com outra identidade de gênero têm acesso a terapias hormonais após passarem por um cuidadoso acompanhamento médico. Os pais frisam que não é uma opção dos responsáveis escolher o bloqueio, mas aceitar uma condição após avaliação da equipe de profissionais nos centros de referência.

Famílias que estiveram na reunião com Janaina afirmam que ela prevê que a emenda não seja aprovada, mas que deve apresentar um novo projeto específico. O objetivo é proibir redesignação sexual e terapia hormonal.

Ideia era fazê-la mudar de ideia

O objetivo da visita era convencê-la a mudar de ideia, afirma o psiquiatra Alexandre Saadeh, coordenador do ambulatório pioneiro para esse tipo de tratamento no País. "Ela ficou bem à vontade. Entendeu que faltava ainda embasamento [pela proibição]. Mas agora é esperar para ver o resultado. Mas acho que a visita teve um efeito positivo, mas não acho que ela vai retirar a emenda. Temos que esperar", afirma Saadeh.

Chefe de RH Marina* prepara-se para iniciar o tratamento hormonal da filha, que está no início da puberdade, ainda em 2019. Ela esteve presente na reunião com Janaina.

A filha de Marina, Clara, afirma desde os quatro anos de idade que é uma menina. Ficava triste ao não usar roupas femininas. De pediatra a pediatra, foi encaminhada ao ambulatório para crianças transgêneros. Lá, reafirmou aos médicos que era uma garota em um corpo de menino. "Os pais se emocionaram muito. Pedimos a ela para buscar mais informações que fosse aliada nessa luta das crianças trans", diz sobre a manhã de sexta (13) no HC.

A principal defesa da deputada é que os bloqueadores hormonais impedem o "desenvolvimento natural" de sua sexualidade e que crianças e adolescentes transgêneros podem voltar atrás sobre a própria identidade de gênero na vida adulta.

Colaborou: Nina Lemos

** os nomes dos pais foram trocados para evitar a exposição dos menores.

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