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Vítima de motorista pirata no DF não sofreu violência sexual, indica laudo

Letícia Sousa Curado - Arquivo Pessoal
Letícia Sousa Curado Imagem: Arquivo Pessoal

Jéssica Nascimento

Colaboração para Universa, em Brasília

10/09/2019 14h56

O laudo cadavérico de Letícia Sousa Curado, de 26 anos, apontou que a vítima não sofreu violência sexual. Segundo o Instituto de Medicina Legal (IML), a mulher foi morta por após ser esganada. As informações foram confirmadas pelo marido dela, Kaio Fonseca Curado de Melo, de 25 anos.

Letícia foi encontrada morta no dia 23 de agosto, no Paranoá, Distrito Federal. Ela era funcionária terceirizada do Ministério da Educação e desapareceu após pegar um transporte pirata, conduzido por Marinésio dos Santos Olinto, de 41 anos, que confessou o crime. O corpo da advogada só foi encontrado três dias depois.

Na época do crime, o suspeito contou que matou Letícia após ela ter começado a gritar por não aceitar manter relações sexuais com ele. Os peritos também analisaram o local onde o corpo de Letícia foi encontrado e o carro que o suspeito usou para levar a vítima, uma Blazer prata. No entanto, a Polícia Civil ainda não divulgou detalhes sobre os resultados desses exames.

Além de Letícia, Olinto confessou ter matado também Genir Pereira de Sousa, de 47 anos. A vítima foi atacada praticamente da mesma forma que a advogada. Ela era faxineira em uma pizzaria e foi vista pela última vez no dia 2 de junho, entrando em um carro, em uma parada de ônibus. Dez dias depois, foi encontrada morta, com marcas de estrangulamento, em uma área de mata entre o Paranoá, onde trabalhava, e Planaltina, onde morava. Marinésio também teria se apresentado como motorista de transporte pirata.

Depois de ser preso, dezenas de vítimas procuraram as delegacias do Distrito Federal para denunciarem estupros sofridos pelo homem. O indiciamento do suspeito pela morte de Letícia deve ocorrer nas próximas duas semanas. A Polícia Civil ainda não divulgou por quais crimes ele deve responder. Ao menos três outros inquéritos relacionados ao desaparecimento de mulheres foram reabertos.

" A dor só piora..."

Letícia era casada há oito anos, morava em Planaltina e tinha um filho de três anos. Nas redes sociais, o marido fez uma publicação emocionante. Um recado que ele encontrou dentro da bíblia da advogada, depois da morte dela.

"Quem sara as tuas feridas não é a justificação do homem e sim: Eu, o teu Deus. Então não aponte o pecado de ninguém, se eu perdoo... Você tem que perdoar. Até porque, você é meu servo. Obediência filho. Não desanime, Jesus está no controle", diz o recado escrito à mão pela advogada.

Kaio Fonseca também que nunca passou por situação tão difícil e que a cada momento, a dor só piora. A Polícia Civil informou a Universa que não concederá entrevistas sobre Marinésio, para não atrapalhar as investigações.

Violência contra a mulher