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Um olhar diferente sobre o que bomba nas redes sociais


Famosos desativam Instagram pra falar de suicídio: "Rede social é gatilho"

Fábio Porchat - Globo/Fábio Rocha
Fábio Porchat Imagem: Globo/Fábio Rocha

Nathália Geraldo

De Universa

09/09/2019 17h33

Acabou o mistério. Nesta segunda-feira (9), alguns famosos como Ana Maria Braga, Leticia Sabatella, Jojo Todynho, PC Siqueira, Penélope Nova, Evaristo Costa e Fábio Porchat deletaram o Instagram em uma ação planejada para dar visibilidade ao Setembro Amarelo -- campanha de conscientização e de prevenção ao suicídio. Eles devem voltar à rede social nas próximas horas e promover a campanha #ComoVaiVocê, para incentivar o diálogo com as pessoas do Centro de Valorização da Vida (CVV).

O grupo desapareceu da rede social de forma voluntária em parceria com o CVV. Nesta terça-feira (10), a mobilização se dá pelo Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Atingir as pessoas que seguem os famosos no Instagram foi a saída que o CVV e as celebridades escolheram para quebrar o silêncio acerca de saúde mental, já que as causas do suicídio podem ser plurais (nem toda pessoa que se mata tem depressão, por exemplo), mas ainda são vistas como tabu por algumas pessoas.

O humorista Fábio Porchat conta que decidiu apoiar a causa e "sumir" do Instagram porque acha que a causa merece visibilidade. "Sempre que a gente tem uma causa boa, eu tô dentro. A iniciativa chama atenção e, apesar de eu não ser exatamente viciado em redes sociais, desativar o Instagram cumpre a função de mostrar o que está acontecendo".

Os números sobre saúde mental são mesmo preocupantes: entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é a segunda causa de morte. No Brasil, uma pessoa comete suicídio a cada 45 minutos.

Relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado na segunda-feira, mostra que 800 mil pessoas cometem suicídio por ano no mundo. Vale dizer que estudos associam o uso constante de redes sociais à depressão e à solidão sentida pelas pessoas.

"Já me senti mal com as redes sociais"

"As redes sociais são gatilhos para todos tipos de pensamentos possíveis. Para o lado bom e para o lado ruim. É claro que tem gente que tende a se esconder por trás do perfil virtual, e aí, fica mais agressiva, atacando você de todas as formas. Por outro lado, como as pessoas só postam coisas boas e parece que a vida de todo mundo é perfeita, a gente tem que saber lidar com isso", pondera Porchat.

O humorista diz que as redes também já o fizeram se sentir mal pelo tom e pela ignorância que as pessoas injetam nos seus comentários. "Em vez de dialogar, as pessoas já vêm chutar o seu queixo. Mas, eu tento não responder. Eu engulo em seco".

É preciso buscar ajuda

Porchat conta que costuma receber mensagens em seu Instagram de pessoas que estão ou estiveram em estado depressivo. Também já foi abordado pessoalmente por fãs que se dizem influenciados pelo trabalho dele e vão buscar ajuda para lidar com a depressão.

"Eu recebo mensagem de pessoas pelo Instagram, sim. Mas, o que mais recebo é gente que vem falar comigo pessoalmente e diz: 'Fábio, passei por um processo difícil na minha vida, ou de depressão ou de perda de algum familiar. Estava mal, não queria sair de casa, ou seja, estava deprimido, e foi assistindo seus vídeos, que eu comecei a voltar a me divertir'".

Ele conta que recebeu uma convidada no programa que comemorou a vitória que era estar naquele estúdio. "Ela me dizia que estava deprimida em casa, não fazia nada, estava pensando em se matar e chegou a tentar suicídio algumas vezes. Mas, quando começou a assistir meu programa, colocou na cabeça que queria me conhecer".

O ator e apresentador também já conviveu com pessoas que tiveram depressão; nesse caso, além de estar ao lado para demonstrar apoio, ele recomendou o contato com psicólogos e profissionais de saúde mental.

"Eu ficava inventando coisas: vamos assistir alguma coisa, vamos sair. Mesmo que a pessoa não quisesse, eu ficava forçando um pouco para tentar fazer algo fora de casa. Mas, acima de tudo, falava para procurar ajuda".

É a mesma postura que toma quando identifica que alguém está mal pelas redes sociais. "Se a gente nota que alguém está mal pela rede social, por exemplo, não é o momento de fazer brincadeira. Não dá pra falar pra pessoa: 'Então cava seu buraco ai'. A gente não é mãe da pessoa, não é um psicólogo, mas dá para mandar uma mensagem de incentivo e indicar assistência. Por isso que o CVV é tão importante".

Para Porchat, dar suporte é também reconhecer que nem sempre é possível lidar bem com o estado emocional de quem está pedindo ajuda. "É dizer: 'Vai conversar, eu não entendo nada disso, não sei lidar com isso'", pontua. "Eu entendo que é difícil quem está de fora compreender o que é. Porque pensamos: 'Gente, só levanta da cama e vai!'".

Onde buscar ajuda

O CVV é um canal direto e disponível 24 horas por dia para aqueles que precisam de apoio emocional, estão com depressão, pensamentos suicidas, entre outras dificuldades relacionadas à saúde mental. É possível fazer ligações gratuitas, sob sigilo total, de telefone fixo e celular para o 188, entrar em contato pelo site do CVV e falar por chat e e-mail.