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Avó dá à luz próprios netos para realizar sonho de filho gay em SP

Eduardo Schiavoni

Colaboração para o UOL, em Ribeirão Preto

04/09/2019 14h37

Noah e Maria Flor, gêmeos gerados pela avó, nasceram ontem (3) no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O pai das crianças, o analista financeiro Marcelo das Neves Júnior, 24, mora em Serrana, é homossexual e optou pela geração independente. Tanto a avó quanto as crianças passam bem, mas não há prazo para a alta hospitalar.

Vandira das Neves, 45, tinha passado por uma tentativa anterior, mas acabou tendo a gestação interrompida. "Graças a Deus, conseguimos levar a gestação e estamos vivendo um sonho. A sensação é maravilhosa", disse.

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Ela, que é professora, deu à luz às 20h50. Segundo o hospital, Maria Flor pesa 2,250 quilos e Noah 2,190 quilos. As crianças passam bem, mas o menino teve que ser levado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica. "Ele nasceu com um probleminha respiratório, mas já está bem melhor", disse o pai.

Marcelo Neves comemorou o nascimento. "Estou um pouco apreensivo porque eles estão precisando um pouco de cuidados especiais, já que nasceram antes do tempo, mas estão ótimos graças a Deus", disse. A data prevista para o nascimento era 12 de setembro.

Tratamento

Marcelo das Neves Júnior com Noah e Maria Flor, gêmeos gerados pela avó Vandira das Neves - Arquivo Pessoal
Marcelo das Neves Júnior com Noah e Maria Flor, gêmeos gerados pela avó Vandira das Neves
Imagem: Arquivo Pessoal

A decisão de fazer o procedimento surgiu em junho de 2017 e, a princípio, a intenção era que a mãe fizesse uma inseminação artificial. As três primeiras tentativas acabaram sem sucesso, mas, na quarta oportunidade, a gestação aconteceu.

Marcelo disse que a decisão surgiu em consenso entre ele, a mãe, e o pai, o almoxarife Marcelo Neves, 45. A família passava por um momento difícil depois que Valdira perdeu uma filha. "Há quase quatro anos, minha mãe engravidou do meu pai, mas minha irmãzinha nasceu com sete meses e faleceu uma semana depois", diz Marcelo.

Depois da perda, a intenção era que a mãe fizesse uma inseminação artificial para ter um novo filho, mas o procedimento traria poucas chances de sucesso, por conta da idade dela. Em junho de 2017, a família conversou e, como Marcelo tinha muita vontade de ser pai, acabaram mudando a opção. "Optamos por minha mãe gerar os filhos, recebendo um embrião fertilizado pelo meu sêmem e um óvulo de uma doadora", conta Marcelo.

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

A opção foi usar óvulos de uma doadora anônima, mais jovem, fecundados in vitro pelo esperma de Marcelo. Eles foram inseridos em Valdira em um procedimento que costuma ter 50% de chances de dar certo. As três primeiras tentativas acabaram sem sucesso mas, na quarta oportunidade, a gestação chegou ao fim.

"Nesses casos, além da barriga solidária, que pode ser da mãe ou da irmã, tia e prima, filha ou sobrinha, é necessário recorrer a um banco de óvulos de doadoras anônimas", informa o ginecologista Anderson Melo, especialista em reprodução humana que acompanhou a gestação.

Segundo ele, o principal obstáculo aconteceu durante o processo de fertilização, devido à dificuldade de fixação do embrião no útero. Ainda de acordo com Melo, como Valdira teve mais de um óvulo fecundado implantado, dois acabaram se fixando e, por conta disso, acabaram gerando gêmeos. "Foi um presente em dobro", diz Marcelo.

Casa preparada

A família, que mora em Serrana, está toda preparada para receber os gêmeos. Apesar de não haver uma data para a alta hospitalar, o quarto dos bebês está preparado. "A gente deixou tudo pronto

Um dos quartos foi transformado com berços, pintura, papel de parede e até uma gravura com os nomes dos gêmeos."Já até colocamos as cadeirinhas no carro para quando meu pai vier buscar a gente. É uma expectativa e um sonho realizado", informou Marcelo.

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