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Violência contra a mulher


Acusado de atear fogo em ex-companheira e matar filhos vai a julgamento

Bárbara Penna - Carine Wallauer
Bárbara Penna Imagem: Carine Wallauer

Luciano Nagel

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

02/09/2019 16h13

Acusado de espancar e atear fogo em sua ex-companheira Bárbara Penna de Moraes Souza, e matar seus dois filhos, João Guatimozin Moojen Neto, de 28 anos, começa a ser julgado amanhã no Rio Grande do Sul. Ele responderá por homicídio qualificado tentado (emprego de fogo e recurso que dificultou a defesa da vítima) e três homicídios qualificados consumados, com as mesmas qualificadoras. São agravantes, ainda, o crime praticado contra a mulher, contra pessoas menores de 14 anos e maior de 60 anos. A pena máxima é de 30 anos de prisão.

O crime aconteceu em 07 de novembro de 2013, no bairro Jardim Lindoia, na zona norte de Porto Alegre. Bárbara Penna, na época com 19 anos, foi espancada dentro de seu apartamento. O agressor jogou álcool etílico na jovem e ateou fogo antes de jogá-la pela janela do terceiro andar do prédio onde morava. Os dois filhos do casal, uma menina de dois anos e um menino de três meses, morreram asfixiados. Durante o incêndio, o vizinho Mário Ênio Pagliarini, de 76 anos, também morreu na tentativa de resgatar família, sufocado pela fumaça no corredor do edifício.

Conforme a denúncia do Ministério Público, Moojen Neto atacou a família por não aceitar o fim do relacionamento. Ele foi preso em flagrante logo após o crime e desde então continua detido na Penitenciaria Estadual de Charqueadas, na região metropolitana de Porto Alegre. Em 2015, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido da defesa de habeas corpus. Procurada pela reportagem, a defesa do acusado não vai se pronunciar.

Bárbara Penna, natural de Goiana (GO), teve 40% do corpo queimado, sofreu múltiplas fraturas, ficou 4 meses internada no hospital e passou por mais de 220 cirurgias. No último dia 29 de agosto, pelas redes sociais, ela publicou uma mensagem aos seus mais de 157 mil seguidores: ''Como é difícil carregar essa história, quase sem forças. Só espero que no júri popular do dia 03/09, o justo prevaleça''.