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Violência contra a mulher


Mulher de feminicida do DF: "Era um marido ótimo, carinhoso e trabalhador"

Leticia Sousa Curado (à esq) foi encontrada morta. Marinésio dos Santos Olinto confessou o crime - Reprodução/Instagram - Polícia Civil
Leticia Sousa Curado (à esq) foi encontrada morta. Marinésio dos Santos Olinto confessou o crime Imagem: Reprodução/Instagram - Polícia Civil

Jéssica Nascimento

Colaboração para Universa

30/08/2019 04h00

Marinésio dos Santos Olinto tem 41 anos, cabelos longos, 1m60 de altura. Casado há 17 anos, tem uma filha de 16. Trabalhava como funcionário terceirizado em um supermercado do Lago Norte, no Distrito Federal, e não tinha passagens pela polícia.

Até a última segunda-feira (26), antes de confessar à polícia que matou a advogada Letícia Curado, funcionária terceirizada do Ministério da Educação de 26 anos, e a faxineira Genir Pereira de Sousa, 47, desaparecida em 12 de junho deste ano, era considerado uma pessoa tranquila, divertida e muito cuidadosa com a família.

Nesta quinta (29), a família de Marinésio decidiu se mudar da casa em que morava, na região do Vale do Amanhecer, há 15 anos, após sofrer ameaças. A Polícia Militar escoltou a mudança. A mulher de Marinésio, que preferiu não se identificar, falou com Universa.

"Não temos culpa do que ele fez. Não suspeitava de nada. Ele era um marido ótimo, carinhoso e trabalhador. Muitos passam nos xingando, fazendo gestos violentos, mas não temos culpa", disse a mulher.

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Ronaldo Araújo, vizinho da família, diz que Marinésio era um homem tranquilo, que não tinha problemas com ninguém na rua. Conta que conhece a família desde que eles se mudaram para a cidade e que nunca suspeitou de nada.

"A comunidade está muito nervosa, apreensiva e assustada. Ninguém imaginava que ele era um assassino."

Antes de trabalhar em um supermercado, onde tinha sido contratado há 40 dias, o homem atuava como cozinheiro em restaurantes comunitários de Sobradinho e Planaltina. A Letícia e Genir ele teria se apresentado como motorista de transporte pirata.

O suspeito de ter matado Leticia Curado e Genir Sousa nasceu em Bayeux, cidade paraibana com cerca de 96 mil habitantes. Aos policiais, contou que se mudou para a capital federal, aos cinco anos, com a família. Morou até os 20 no Paranoá. Casou em 2002 e se mudou para Planaltina.

Ele age por impulso, diz delegada

A Polícia Civil investiga pelo menos seis vítimas do suspeito, mas ainda não tem um diagnóstico sobre uma possível doença psiquiátrica de Marinésio.

"Apenas psiquiatras podem constatar isso. Mas ele é, sim, um maníaco. Mata por matar, não sabe explicar o motivo, não diz frases que fazem sentido. Também não traça um perfil da vítima que vai atacar. Age por impulso", diz a delegada Jane Klébia.

Em depoimento, ao qual Universa teve acesso, Marinésio diz que matou Genir Sousa depois de ter relações sexuais com ela, que, segundo ele, teriam sido consentidas.

"Ela vestiu a roupa, a gente estava conversando ali, aí eu apertei ela e não sei que diabo deu em mim, não. Quando eu olhei, já tinha feito a merda...", disse em depoimento.

Sobre Leticia Curado, ele nega ter estuprado a vítima e diz que a teria matado porque ela negou as investidas durante a carona, na sexta-feira (23).

Para a imprensa, o suspeito disse que espera pagar "da melhor forma" e que não consegue explicar o que motivou os crimes: "Quando eu vi, já tinha acontecido".

Fábio Coelho, médico psiquiatra da Clínica Andréa Chaves, diz que apenas exames podem constatar que o suspeito seja um psicopata, mas que ele apresenta fortes características.

"Ele é frio o tempo todo. Essa demonstração de falta de arrependimento, nenhuma ansiedade, pode indicar fortes características de psicopatia", disse, a partir de imagens do depoimento de Marinésio.

Vizinha pode ter sido mais uma vítima

A Polícia Civil do Distrito Federal reabriu, nesta quinta (29), o caso da estudante Caroline Macêdo Santos, de 15 anos. A menina era vizinha de Marinésio e melhor amiga da filha dele. O corpo da garota foi encontrado em maio do ano passado no Lago Paranoá. Na época, a polícia tratou o caso como suicídio, já que a jovem sofria de depressão.

Segundo informações da polícia, Caroline costumava pegar carona com Marinésio e a filha, já que as duas adolescentes estudavam na mesma escola. Caroline saiu de casa no dia 14 de maio de 2018 para, supostamente, encontrar uma pessoa que conheceu pela internet.

A jovem foi acompanhada de duas amigas até a parada de ônibus, onde foi vista pela última vez. Segundo o delegado-adjunto da 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), Éder Charneski, Marinésio pode ter oferecido carona, como fez com as outras vítimas.

"O corpo dela foi encontrado três dias depois do desaparecimento, já estava em estado avançado de decomposição, mas o exame indicou que ela pode ter sido asfixiada", disse o delegado. "Tudo indica que ela foi mais uma vítima dele."