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Grupo de meninas que joga Counter Strike usa redes para chamar novos gamers

Reunidas, as meninas do TeamOne dedicam várias horas do dia ao Counter Strike - Divulgação
Reunidas, as meninas do TeamOne dedicam várias horas do dia ao Counter Strike Imagem: Divulgação

Lucas Sposito

Colaboração para Universa

30/08/2019 04h00

Há pouco mais de 15 anos, vivíamos a febre das lan houses. Jovens do país todo, em grande maioria meninos, juntavam as moedas para ficar algumas horas jogando entre si em casas com vários computadores conectados à internet com grande velocidade. A grande atração era o melhor jogo de tiros da época, o Counter Strike.

Muito mudou desde então. A brincadeira se tornou profissão, a internet rápida está dentro de nossas casas, o leque de público se abriu, e principalmente, as mídias sociais dão mais visibilidade a todos que se destacam nos games — e isso inclui meninas. O que não mudou é que o Counter Strike segue sendo sucesso absoluto.

Nesse mês, as meninas do TeamOne conquistaram a Liga Feminina de Counter Strike Global Offensive, uma competição nacional em que concorrem com equipes de todo o país. E não foi a primeira vez: elas voltaram ao topo da competição após dois anos. O torneio incluiu grandes times como paiN Gaming, VivoKeyd, INTZ, Imperial e Isurus, as vencedoras levaram para casa o prêmio máximo, de R$ 3,5 mil.

O discurso da vitória pode parecer um outro idioma para quem não está familiarizado com o universo gamer: "Jogamos então a final contra a Imperial em uma md3 e ganhamos de 2 mapas a 1, bem disputado", conta Diana "Mittens" Trevisan.

As meninas também anunciaram a chegada de Camila "cAmyy" Natale à equipe campeã. Elas agora começam a investir também em sua presença em novas redes sociais.

Mostrar com humor e trazer mais mulheres para o jogo

Uma das estratégias de expansão do time feminino é a nova parceria com o TikTok, aplicativo no qual as garotas da equipe passarão a postar seus vídeos.

"A ideia é tanto trazer novas pessoas para o jogo, como também mostrar que realmente é uma profissão hoje em dia", diz Gabriela Bokor, uma das campeãs.

Mais popular no Brasil entre adolescentes, o TikTok já tem mais de 500 milhões de usuários no mundo. Ele lembra muito o Vine, aplicativo de curtos vídeos que foi descontinuado em 2016. A diferença é que o produto chinês agora traz muito mais recursos de edição, possibilitando diversas categorias de conteúdo, quase sempre focado no humor.

A ideia da parceria é expandir o público. As meninas, que treinam mais de oito horas por dia, agora também mostram seu trabalho com um pouco mais de diversão.

"É como se fosse um gravador e editor de vídeos em um só lugar. É insano o quanto o pessoal é criativo no aplicativo", diz Josi.

Mittens acrescenta: "As pessoas podem acabar se interessando e começar a jogar também; e quem sabe, se tornam profissionais e acabam atingindo grandes patamares dentro do game. Redes sociais podem, sim, abrir portas como essa."

Não é fácil ser mulher gamer

Mas apesar da evolução, nem tudo é fantasia no mundo dos games. As ofensas durante os jogos muitas vezes passam dos limites, especialmente com as meninas, que ainda brigam contra o machismo na indústria.

"Já jogamos alguns jogos de campeonatos contra times masculinos que faziam comentários maldosos do outro lado, enquanto transmitiam o jogo. Isso acabou chegando em nós e nos sentimos bem mal. Mas ganhamos o jogo e é isso o que importa", conta Mittens.

O preconceito pela carreira como gamer vem até das pessoas mais próximas, que levam um tempo até entender a profissão. "No começo, foi muito difícil para minha família aceitar que eu iria viver nessa área, jogando muitas horas por dia", diz Josi Santos. "Minha família só começou a me respeitar depois que perceberam que é isso que eu quero e gosto, algo que me deixa feliz".

Mesmo assim, nada faz com que as meninas desistam de jogar. Nem mesmo as incessantes horas de prática, como conta Mittens: "Eu jogo e treino entre 8 e 10 horas por dia. Mesmo quando não tem treino não tem como ficar longe do jogo por muito tempo", ela diz rindo. Tanto esforço, como se vê, está dando resultado.

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