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Uma guia para mulher que viaja sozinha segurança sem perder liberdade

FG Trade/iStock
Imagem: FG Trade/iStock

Nathália Geraldo

De Universa

21/08/2019 04h00

Colocar uma mochila nas costas, organizar os documentos dentro de uma pochete e ir para o lugar que sempre sonhou pode estar no ideal de muitas mulheres. "Mas você vai sozinha?", entretanto, é uma das primeiras perguntas feitas àquelas que decidem explorar novos destinos sem depender de ninguém. E a segurança é mesmo uma questão. Como driblar o medo do assédio, da violência e dos riscos de ser uma mulher longe de sua zona de conforto?

É fato que, para 70% dos brasileiros, quem faz isso é vista como uma mulher "independente". Mais da metade também avalia as viajantes como "aventureiras", "seguras de si". E 40% dizem que mulheres que pegam suas malas e partem para desbravar novos horizontes são "corajosas". A classificação positiva faz parte de uma pesquisa feita em março pela Booking.com com 4 mil pessoas entre 18 e 60 anos que já realizaram pelo menos duas viagens internacionais. Os entrevistados são do Brasil, México, Colômbia e Argentina.

De acordo com o estudo, as mulheres latino-americanas são, de fato, viajantes: 62% já fizeram pelo menos uma viagem internacional sem a companhia de outra pessoa.

Para brasileiras, liberdade de escolher o que quer fazer é principal motivo para ir sozinha - MStudioImages/iStock
Para brasileiras, liberdade de escolher o que quer fazer é principal motivo para ir sozinha
Imagem: MStudioImages/iStock

Entre as brasileiras que já tiveram essa experiência, um sentimento em comum: 35% das pesquisadas afirmaram ter a liberdade para fazer o que quiser como motivação principal -- seguida de falta de companhia (22%), oportunidades de conexão interior (18%) e conhecer gente e fazer novos amigos (12%).

Apesar de irem sozinhas, segundo a pesquisa, todas as entrevistadas disseram que viajariam em grupos só de mulheres, "porque sentem que estariam mais seguras, especialmente em programas noturnos". Há ainda cobrança por mais infraestrutura e policiamento em cidades para estimular que mais mulheres viajem sozinhas.

Como viajar sozinha: guia com dicas práticas

damircudic/Istock
Imagem: damircudic/Istock

Qualquer que seja o destino, viajar sozinha esbarra em medos, infelizmente, comuns a muitas mulheres. Das que nunca foram para fora de seus países sem companhia, 55% apontaram preferência por viajar acompanhada. Quase 20% disseram que têm medo ou não se sentem seguras, e 16% disseram que nunca pensaram na possibilidade.

O guia "Mulheres pelo Mundo: um guia para viajar em sua própria companhia", organizado pela Booking.com, em parceria com a Think Olga, ONG de empoderamento feminino, traz dicas para enfrentar o medo, como aproveitar melhor os destinos e o que fazer caso se sinta ameaçada para, quem sabe, reduzir essas porcentagens.

Universa separou algumas estratégias para que mulheres se sintam mais seguras para viajarem -- ainda que a segurança seja uma preocupação necessária de toda a sociedade.

Para onde ir

As entrevistadas elegeram Chile, Argentina e Uruguai como os países mais seguros para viajar sozinha na América Latina.

Como se preparar para viajar sozinha

  • Sair sozinha na própria cidade é um exercício para colocar a ideia de uma "viagem desacompanhada" em prática. Vá a um restaurante ou bar sozinha, e descubra como se sente ao não se importar mais com os olhares de surpresa.
  • Viajar para um lugar de fácil acesso, perto de sua casa, ou com um grupo de amigas para dividir companhia em alguns momentos também serve de "ensaio" para uma experiência maior.

Aproveitando a experiência

  • Estabelecer conexões com trabalhadores de lojas, bares, restaurantes que você passa pela viagem pode ser uma forma de criar laços e se sentir mais à vontade.
  • A praticidade também conta: manter a conexão da internet funcionando é um jeito de se sentir segura na busca por informações da viagem e até mesmo para enviar sua localização para familiares e amigos. Busque pacotes 3G ou, sempre que puder, se conecte no Wi-Fi, para conseguir se comunicar mais facilmente, tirar dúvidas, pedir táxi, e, especialmente, se localizar
  • Escolha hostels, pousadas ou outros meios de hospedagem em que há áreas comuns e de interação pode facilitar a comunicação com pessoas (que, às vezes, também estão sozinhas). Já em hotéis, especialmente de rede, esse contato pode ser mais difícil.
  • Não extrapole seus limites e siga sua intuição. Tente se manter em locais em que você se sinta bem e não tenha medo de pedir ajuda para alguém que trabalha no estabelecimento em que você está. Outros turistas também podem ajudá-la.

Na paquera

  • Conhecer pessoas na viagem pode ser interessante. Busque informações da pessoa nas redes sociais para entender mais um pouquinho do perfil.
  • Em um encontro, caso se sinta desconfortável, não tenha medo de dizer que não está gostando. A mensagem também pode ser ouvida por alguém que está ao seu lado, que poderá te ajudar na situação.

Medidas de segurança

Apesar de a mulher não ser obrigada a se preocupar com sua segurança sozinha, já que o bem-estar deveria ser uma preocupação da sociedade, é possível seguir algumas medidas de segurança para se sentir mais tranquila:

  • Não aceite bebidas que não tenham sido abertas na sua frente
  • Fique de olho em seus pertences, especialmente os de grande valor
  • Peça dicas de segurança e de roteiro para recepcionista do hotel ou do hostel
  • Ao usar app de táxis ou caronas, compartilhe os dados do motorista com alguém, mesmo que não esteja no mesmo lugar que você, e, caso se sinta insegura no meio da viagem, ligue ou finja ligar para alguém para avisar os dados do motorista.

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