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Pronta para a TPM: conheça as vantagens da mandala lunar do ciclo menstrual

Mandala lunar é ferramenta usada por mulheres para perceber o ciclo menstrual - RomoloTavani/iStock
Mandala lunar é ferramenta usada por mulheres para perceber o ciclo menstrual Imagem: RomoloTavani/iStock

Nathália Geraldo

De Universa

16/08/2019 04h00

Conhecer seu corpo, saber exatamente quando vai menstruar e porque está sentindo aquela dorzinha ou uma ansiedade absurda em cada época do mês. Parece impossível? A mandala lunar pode ajudar a criar uma conexão consigo mesma, a ponto de até prever o que vai rolar nos próximos dias.

Ela funciona como um "diário do ciclo" e é uma forma de a mulher conhecer seu corpo e ligá-lo ao poder da natureza. Desenhando um círculo em uma folha de papel a cada mês, é possível anotar sensações, dores e emoções que vão crescendo a cada fase -- e entender, assim, o que acontecerá nos próximos ciclos.

A técnica se baseia em como cada fase da lua tem influência (ou não) nas fases de menstruação, pós-menstruação, ovulação e pré-menstruação, a TPM. É uma forma de monitorar os sinais de fertilidade no dia a dia e se preparar para cada momento do mês.

Há vários modelos de mandala lunar na internet que, além das fases da lua, consideram figuras como feiticeiras e donzelas, arquétipos ligados ao feminino. Deusas indianas também estão presentes em alguns tipos de mandala. Tudo isso serve para ajudar a mulher a identificar as dinâmicas de seu corpo enquanto menstrua.

Falando assim, parece complicado, mas a prática é um pouco mais simples. Veja abaixo como fazer a sua:

Como fazer uma mandala lunar simples

Julia Laitano nos ensina a fazer uma mandala lunar simples para acompanhamento durante as semanas do ciclo menstrual:

  • Primeiro, separe uma folha de papel A4 em branco e dobre-a deixando um vinco em cruz no centro. Desenhe, então, um círculo no meio. Você estará dividindo o círculo em quatro fatias, que usará para preencher com informações sobre você mesma.

Com o que você vai preencher?

De maneira geral, anote padrões físicos e emocionais: o que muda no seu corpo a cada fase, se está mais segura ou vulnerável, mais confiante ou apática diante dos desafios.

Preste atenção à energia mental que, segundo Morena, se relaciona aos níveis de concentração, foco, linearidade e raciocínio, memória, qualidade dos sonhos.

"Tudo isso irá variar durante todo o ciclo, e essas mudanças são pessoais e particulares de cada mulher. Por isso a mandala da lua propõe um papel em branco e a observação, para que cada mulher encontre seus próprios padrões na ciclicidade".

O que preencher em cada fatia?

  • No seu primeiro dia de menstruação, faça um raio-x de seu corpo, e preencha na fatia superior direita com as seguintes informações: a fase da lua do dia, sentimentos, emoção, se tem cólica, quantos dias durou a menstruação, fetiches. Use palavras-chave para cada sentimento. Por exemplo: cólica, ansiosa, dor nas pernas, choro frequente.
  • Quando a menstruação acabar (pós-menstruação), mude para a fatia inferior à direita, preenchendo com o mesmo tipo de informação, de autoconhecimento.
  • Nas fases ovulatória e na TPM, repita o processo. "É importante reparar no que vivenciou em todo o ciclo, e geralmente na pré-menstruação é o momento certo de revermos tudo que está no caldeirão da feiticeira (o arquétipo ligado à lua minguante, em que a mulher costuma estar voltada mais "para dentro").

"O ideal é que se preencha a mandala durante três meses, que é um tempo mínimo para comparação e encontro dos padrões repetitivos. Faça isso de forma consistente, como um hábito diário. Pensar nesses pontos-chave de observação (físico, mental e emocional) também é de grande ajuda para manter o foco na observação", pontua Morena.

Sabedoria ancestral: relação da lua com menstruação

A experiência de ser mulher tem registros ancestrais que relacionam a natureza com o que acontece com o corpo feminino, especialmente o que se refere ao "ciclo do sangramento" -- que ainda é um tabu para muitas mulheres.

De acordo com a terapeuta feminina Julia Laitano Coelho Silva, criadora do calendário lunar Chandra Devi Yoga, em sociedades matrifocais -- ou seja, centralizadas no papel da mãe -- ancestrais, era muito comum que se contasse o dia e a noite pela luz do sol e pelo surgimento da lua, relacionando essa noção com os momentos de sangramento da mulher. "Ela era vista como deusa, a ponto de o homem não se ver como parte da criação. Ou seja, usar a mandala na época em que vivemos é retomar esse empoderamento".

Conexão Lua e menstruação

Julia explica que atende mulheres que, ao começarem a preencher a Mandala a partir do primeiro dia da menstruação, viram o ciclo se tornar regular, naturalmente. Para elas, tudo está associado: a fase menstrual se relaciona à Lua nova, pós-menstruação à lua crescente, e lua cheia à ovulação. Já a pré-menstruação se conecta à lua minguante.

"Quando algumas mulheres casam a lua em que estão pessoalmente com a que está no céu, podemos dizer que elas estão na mesma linha do que a sociedade espera -- ovular, estar preparada para gerar, na lua cheia, por exemplo. Acontece que algumas mulheres não vão ter o seu ciclo pessoal correspondente ao da lua. E está tudo bem. O importante é ter essa intuição, criar rituais".

Mapeando os sentimentos, conhecendo o corpo

A psicoterapeuta corporal Morena Cardoso, fundadora do projeto DanzaMedicina, explica que preencher a Mandala -- por, pelo menos, três meses -- é um potente caminho para o autoconhecimento. Além de saber quando vai menstruar, quando está fértil ou não, a mulher que anota suas vivências dentro do círculo consegue "retomar a autonomia de seu sistema sexual e reprodutor".

Em um tempo em que mulheres estão abandonando pílulas anticoncepcionais e experimentando uma vida sexual sem o remédio, a Mandala pode servir como um mapa do ciclo menstrual. Vai tentar?