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Mulheres do PSOL falam de perseguição em reunião; PM justifica segurança

Militantes do PSOL se reúnem em São Paulo para debater pautas do partido  - Arquivo pessoal
Militantes do PSOL se reúnem em São Paulo para debater pautas do partido Imagem: Arquivo pessoal

Luiza Souto

De Universa

03/08/2019 14h15

Reunidas num auditório alugado no Bom Retiro, região central de São Paulo, participantes da Plenária de Mulheres do PSOL afirmam que foram intimidadas por policiais militares. Segundo relatos, agentes teriam chegado ao local, na manhã deste sábado (3), solicitado a identidade dos organizadores e prometido "monitorar a movimentação do grupo".

Em nota, a Polícia Militar de São Paulo explicou que os agentes que faziam o policiamento na região foram ao local verificar se haveria "ato democrático, que pudessem tomar vias públicas". Militantes do partido, entre eles a deputada federal Sâmia Bomfim, usaram as redes para relatar a ação.

Polícia Militar informa que foi ao local verificar "concentração de pessoas" - Arquivo Pessoal
Polícia Militar informa que foi ao local verificar "concentração de pessoas"
Imagem: Arquivo Pessoal

A executiva nacional do partido Mariana Riscali, 33, conta para Universa que presenciou a cena por volta das 9h e começou a registrar imagens. As mulheres ali presentes se recusaram a entregar suas identidades.

"Eles chegaram bem na hora marcada do evento mesmo", frisa Mariana, antes de continuar: "Sabemos que não temos obrigação legal para isso (entregar documentos) e e temos liberdade de organização", justifica.

Militantes do PSOL são abordadas por policiais militares em reunião do partido - Arquivo pessoal
Militantes do PSOL são abordadas por policiais militares em reunião do partido
Imagem: Arquivo pessoal

Ao ouvirem dos policiais que se tratava de um procedimento de rotina, o grupo de militantes teria, então, tentado explicar o que faziam ali. Mas Mariana conta que uma das policiais não a deixou terminar de falar. Segundo ela, os agentes já sabiam do evento.

"Uma das agentes disse que sabia da programação e o nome das pessoas que falariam no evento. Ela deixou claro que estava vindo aqui para monitorar, tanto que afirmou que voltaria com o comandante. Mas a gente não se intimidou".

A Plenária de Mulheres do PSOL em São Paulo, conforme explica Mariana, reúne cerca de 600 mulheres com o objetivo de debater pautas voltadas à mulher e de organizar ações de oposição ao governo federal. O evento estaria sendo realizado simultaneamente em todos os estados brasileiros.

Em nota enviada por e-mail à redação, a Polícia Militar explicou a abordagem: "A Polícia Militar esclarece que os patrulheiros, que faziam o policiamento na região, foram ao local para verificar concentração de pessoas que se iniciava. Ao tomar ciência de que eram cidadãos ligados a partido político e em reunião para realização de plenária, questionaram se as pessoas, após as discussões, iriam sair em ato democrático, que pudessem tomar vias públicas. Tudo visando às providências da Polícia Militar para a segurança do evento. Como os presentes disseram que o evento se consistia em reunião interna, os patrulheiros deixaram o local."

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