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Bullet, jato, ponto U, We-Vibe: entenda melhor orgasmo da mulher de A a Z

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

31/07/2019 04h00

Nessa quarta-feira (31) é celebrado o Dia Internacional do Orgasmo. A data passou a ser celebrada há vinte anos, por iniciativa de sex shops britânicas com o objetivo não apenas de elevar as vendas, mas de trazer à tona dúvidas e esclarecimentos sobre o tema. Mas será que você sabe tudo do assunto? Fizemos uma seleção de termos de A a Z que faz qualquer um com experiência no assunto aprender um pouco mais.

Anorgasmia

É uma disfunção sexual mais comum do que se imagina e que impede a mulher de gozar. Existem dois tipos: a primária, quando o orgasmo nunca aconteceu, e a secundária, que inclui mulheres que já vivenciaram o clímax, mas passaram a ter dificuldade de atingi-lo. Fatores emocionais e hormonais, além do uso de determinados medicamentos, podem estar por trás do problema -- que, sim, felizmente tem cura! Geralmente é o ginecologista que encaminha para a terapeuta sexual ou, se a questão for hormonal, indica suplementos.

Bullet

Esse sex toy de pequenas proporções garante grandes prazeres e é uma ferramenta e tanto para atingir o clímax. Em formato de bala, ele vai direto ao assunto ao estimular o clitóris da forma que você imaginar, garantindo orgasmos incríveis.

Clitóris

Com cerca de 8 mil terminações nervosas, é o único órgão do corpo humano destinado unicamente ao prazer. A "cabecinha" fica na junção dos pequenos lábios e consiste em sua região mais sensível. Porém, há toda uma parte interna e não visível que também pode e deve ser estimulada. Quando a excitação atinge o auge, ele fica mais inchado e ganha uma coloração avermelhada, por conta da maior irrigação sanguínea. Estudos indicam que 80% das mulheres têm o orgasmo com estímulos no clitóris.

Duração

Em média, um orgasmo dura de 6 a 10 segundos, mas algumas sortudas podem gozar por até 20 segundos. O tempo médio para atingir o clímax é de 8 minutos, porém, dependendo das circunstâncias, pode levar de 10 a 20 minutos. Durante o gozo, o útero, a vagina e até o ânus têm entre 3 e 15 contrações simultâneas em intervalos de 0,5 segundos. O útero costuma inchar, chegando a dobrar de tamanho, e retoma a aparência natural após uns 15 minutos.

Espasmos

É importante considerar que cada mulher responde aos estímulos de um jeito próprio e, mesmo em relações monogâmicas e duradouras, um orgasmo nunca é igual ao outro. De modo geral, porém, os especialistas o descrevem como pequenos espasmos que começam na região genital e se espalham por todo o corpo. Ondas de calor e choques elétricos também são boas metáforas para descrever esse instante de prazer máximo.

Fitoestrogênios

Fitoestrogênios são compostos naturais que se assemelham aos hormônios femininos estrogênios, que, entre outras funções, incentivam a lubrificação natural da vagina -- um fator fundamental para o sexo fluir bem, já que reduz o atrito da penetração. À medida que a menopausa se aproxima, é importante repor esses hormônios. Alimentos como linhaça, alfafa, soja, tofu, inhame, cevada e sementes de abóbora contam com fitoestrogênios e são uma boa pedida nessa fase.

Ponto G

Não se trata exatamente de um ponto específico, mas de uma área rugosa e muito suscetível ao toque que fica na parte interna e superior da vagina, a uns 5 cm de sua entrada. Estimulada, proporciona um prazer incrível à mulher. Entre as melhores posições para excitar o Ponto G durante a transa estão a Cowgirl Invertida (você por cima e de costas para o parceiro) e de quatro, jogando o corpo um pouco para a frente. Alguns vibradores têm uma curvatura específica para alcançá-lo.

Hidratação

Sabe aquele ditado conhecido que diz que beber pelo menos dois litros de água por dia é bom para hidratar o organismo? Pois essa hidratação também traz benefícios para a sua vida sexual e, consequentemente, para os seus orgasmos. Isso porque manter o corpo bem hidratado ajuda a evitar o ressecamento da vagina e, por consequência, ajuda na lubrificação e na umidade natural da região, combatendo possíveis desconfortos no momento da penetração.

Imaginação

A maioria dos especialistas defende que o orgasmo começa no cérebro -- e, sim, faz todo o sentido! Pensar em sacanagem, deixar a imaginação fluir, lembrar as melhores transas da sua vida e fantasiar com a pessoa que você quiser são gatilhos mentais que acionam o desejo e faz com que o seu corpo todo comece a responder a esses estímulos, se preparando para o prazer.

Jato

O "squirting" -- em tradução livre, esguichar -- é um fenômeno meio incomum, porém não impossível de acontecer, que faz com que a mulher lance uma espécie de jato ejaculatório, assim como os homens, durante o orgasmo. Trata-se de um líquido produzido nas glândulas de Skene, perto da bexiga. Em alguns casos, dá para notar o "squirting" ao ver o lençol molhado.

Kegel

Kegel é o nome de uma série de exercícios para fortalecimento dos músculos vaginais com o objetivo não só de fortalecer o assoalho pélvico como ainda aumentar as sensações da vagina e do pênis durante o sexo, tornando o gozo mais poderoso. Quem os inventou foi o ginecologista norte-americano Arnold Kegel (1894-1981), que também almejava que as pessoas obtivessem maior consciência corporal. O princípio é relativamente simples: comprimir a vagina por alguns segundos, como se estivesse segurando o xixi, e depois soltar.

Limiar orgástico

A nomenclatura científica diz respeito ao nível máximo de estímulo cerebral -- lembra que comentamos que o sexo começa no cérebro? -- até atingir um pico que desencadeia contrações rítmicas simultâneas no útero, no terço externo da vagina e no ânus, explodindo num orgasmo.

Masturbação

Quando uma mulher se masturba, ela consegue identificar os pontos mais sensíveis da vulva e aprende, pelo "treino", como tocá-los e manipulá-los para obter mais prazer. Esse conhecimento aumenta as chances de obter orgasmo com um parceiro, já que pode ser compartilhado e ensinado para que o sexo seja mais gostoso.

Neotantra

É o nome dado à versão contemporânea e ocidental do sexo tântrico, que prioriza o olho no olho durante a transa, a troca de carícias mais lenta e suave, a respiração e, sobretudo, a prorrogação máxima do momento da penetração. Segundo os praticantes, esse retardamento faz com que o casal experimente uma excitação crescente capaz de culminar num orgasmo a dois eletrizante.

Ocitocina

Trata-se do principal hormônio liberado no momento do gozo. A ocitocina é a responsável por aquele estado de relaxamento e bem-estar gostoso depois do orgasmo e que pode durar até o dia seguinte à transa. Ela ainda combate os efeitos da ansiedade e do estresse e ainda ajuda a ter uma noite de sono tranquila e repousante.

Preliminares

Não é necessariamente o tempo dedicado às preliminares que ajuda a mulher a entrar 100% no clima e conseguir gozar, mas a qualidade delas. E, ainda, os estímulos no clitóris. Porém, é preciso curtir o caminho rumo ao orgasmo, porque, nesse caso, a trajetória é tão ou mais importante do que o destino. Procure variar sempre o roteiro e experimentar coisas novas.

Quadril

Alguns movimentos certeiros com quadril durante o sexo podem fazer com que a mulher atinja o clímax mais facilmente. Um deles é levantar o quadril durante o papai-mamãe: isso faz com que o pênis entre na vagina com uma inclinação em que a base dele e o osso pubiano do par conseguem exercer mais pressão no clitóris, aumentando o prazer. Outra estratégia é, independentemente de você ficar por cima ou por baixo, fazer movimentos ondulares com o quadril e a barriga em vez de investir no vaivém.

Relaxar

Nem sempre você vai gozar, mas em toda transa é possível sentir prazer com os "preparativos". E lembre-se: ficar ansiosa, pensando o tempo todo se vai ou não chegar lá, só provoca tensão e faz com que não aproveite direito o momento. Relaxar e deixar rolar é a melhor

Sensibilidade

Durante o ponto alto da relação sexual o seu corpo todo fica mais, digamos, "aceso". E, mesmo que você não perceba, algumas alterações acontecem. Por exemplo: ocorre uma necessidade, ainda que inconsciente, de fechar as pernas para pressionar o clitóris, que fica mais sensível. Há um aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, os mamilos ficam endurecidos e o clitóris se torna mais duro e gordinho.

Toque

A maneira com a qual você gosta de ser tocada no clitóris faz toda a diferença no orgasmo, não importa se vai atingir o clímax sozinha ou acompanhada. O que prefere: um movimento cadenciado e forte? Ou manipulações mais lentas e suaves? Para alcançar o prazer um pouco de pressão é essencial ou é melhor sentir pequenos círculos em torno do "botãozinho"? Conhecer os tipos de toque favoritos ajuda a dar dicas para um parceiro (novo ou antigo, tanto faz) e a gozar quanto estiver mais tensa ou cansada.

Ponto U

Ele é fácil de localizar, pois, para nossa felicidade, é externo: fica em volta da uretra, o canal por onde sai a urina, entre o clitóris e o canal vaginal. O Ponto U corresponde a uma área bem pequena, mas como o tecido é elevado e de grande sensibilidade, você consegue descobri-lo com a pontinha dos dedos. O local conta com as glândulas uretrais, também conhecidas como glândulas de Skene, e seu toque ajuda a incentivar a lubrificação adequada para o clímax.

Vibrador

Mais do que um acessório que permite o autoconhecimento e o empoderamento femininos, o vibrador pode funcionar como um "plus" na transa e agente facilitador do orgasmo. Na masturbação, por exemplo, ele pode penetrar a vagina enquanto os dedos ficam livres para manipular o clitóris. E, a dois, serve como um estímulo extra para o casal explorar as regiões sensíveis um do outro e descobrir novas fontes de excitação.

We-Vibe

É o nome da empresa canadense que revolucionou o universo dos sex toys ao lançar um vibrador para ser usado a dois, ampliando o prazer feminino. Hoje existem vários modelos, inclusive versões fabricadas por outras marcas, mas o original, em formato de "C", se encaixa
perfeitamente na vagina e permite a penetração masculina ao mesmo tempo. Ergonômico, foi projetado para estimular o ponto G, o clitóris e o pênis simultaneamente, ampliando o repertório de sensações.

Xixi

Gozou? Depois de aproveitar aqueles minutinhos deliciosos da chamada "resolução", a fase pós-orgasmo em que todo o corpo precisa dar um tempo para retornar ao estado de antes, vá ao banheiro urinar. Fazer xixi depois de transar é uma maneira de "lavar" a uretra e impedir que bactérias fiquem por ali e aumentem o risco de você sofrer com uma infecção urinária.

Ponto Y

Não existe, ainda, comprovação científica da existência do Ponto Y. No entanto, mesmo que o assunto seja controverso, nada nos impede de explorar o próprio corpo e tentar descobrir onde fica esse danadinho, não é mesmo? Em tese, ele se esconde numa área no fundo da vagina, entre o colo do útero e a bexiga. Não se trata, assim como o Ponto G, de uma estrutura palpável com textura perceptível. Porém, com estímulos, a região potencializaria a lubrificação feminina e aumentaria a chances de obter um orgasmo. Ou seja, vale a pena procurá-lo!

Zonas erógenas

Embora o clitóris ocupe um lugar de destaque na anatomia feminina no que diz respeito ao prazer, há múltiplas possibilidades de regiões eróticas para explorar em todo o corpo. Mamilos, nuca, lóbulos das orelhas, nádegas, parte traseira das coxas, períneo... Há muitas zonas erógenas que, estimuladas, podem ajudar a conduzir ao orgasmo.

Fontes: Alessandro Scapinelli, ginecologista de São Paulo (SP); Arlete Girello Gavranic, psicóloga e terapeuta sexual do Isexp (Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática), em São Caetano do Sul (SP); Camila Ramos, ginecologista da Policlínica Granato, no Rio de Janeiro (RJ); Carla Cecarello, psicóloga, sexóloga consultora do site C-Date e fundadora da ABS (Associação Brasileira de Sexualidade); Caroline Alexandra Pereira, ginecologista e obstetra da Clínica Viváter, de São Paulo (SP); Domingos Mantelli, ginecologista e obstetra, de São Paulo (SP); Franciele Minotto, sexóloga, ginecologista e diretora técnica da clínica Bem-Estar Medicina e Saúde, de Rondonópolis (MT); Leila Campos, sexóloga e terapeuta sexual, de Macaé (RJ); Livia Leite, terapeuta sexual e consultora em sexualidade nas áreas de Saúde e Educação; Nelly Kim Kobayashi, ginecologista e sexóloga, em São Paulo (SP) e Tatiana Presser, psicóloga, sexóloga e autora do livro "Vem Transar Comigo" (Ed. Rocco).