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Ácido glicólico: conheça os benefícios do ativo e saiba usar na sua pele

Ácido glicólico é usado para renovar a pele - Getty Images
Ácido glicólico é usado para renovar a pele Imagem: Getty Images

Luana Kondrat

Colaboração para Universa

15/07/2019 04h00

Conhecido entre quem tem o hábito de cuidar da pele e recomendado por dermatologistas desde os anos 1980, o ácido glicólico é considerado uma solução para quem busca renovação celular e remoção das células mortas. Além disso, também é usado associado a outras substâncias em produtos clareadores.

Muito comum em peelings nos consultórios médicos, o ativo também pode ser usado em casa, já que está presente em diversos cosméticos, em concentrações de até 10%. Saiba mais sobre as possibilidades de uso do ácido glicólico e escolha a que mais combina com as suas necessidades.

O que é o ácido glicólico?

É um alfa-hidroxiácido (AHA) que tem origem na cana-de-açúcar. Incolor e sem cheiro, tem efeito esfoliante e aumenta a absorção e a permeabilidade de outros componentes que podem ser usados em diversos tratamentos dermatológicos. "Ele tem a capacidade de promover efeito renovador à pele, sendo muito usado para amenizar sinais do tempo e também em casos de acne e manchas", diz a dermatologista Carla Albuquerque, de São Paulo (SP).

Além disso, estimula a síntese de colágeno na derme, evitando ou retardando as marcas do envelhecimento, esclarece a dermatologista Claudia Marçal, de Campinas (SP). E tem mais: "O ácido pode tornar a pele mais fina, sedosa, clara e ainda reduzir as cicatrizes de acne", completa.

O ácido glicólico é menos irritativo que o ácido retinoico, além de não causar fotossensibilidade, desde que aplicado de forma correta, diz Carla Albuquerque. "Dependendo da porcentagem, pode ser usado durante o dia, desde que se aplique filtro solar por cima", alerta a médica.

Para quem é indicado?

Antes de começar qualquer tratamento, é preciso consultar um médico especialista. Isso vale também para os produtos que podem ser comprados na farmácia e usados em casa. Conheça os casos em que o ácido glicólico é mais utilizado:

  • Para quem tem propensão à acne: o ativo ajuda a manter os poros livres da produção excessiva de queratina.
  • Diminuição dos sinais da idade, manchas e cicatrizes: por diminuir a espessura da pele graças ao efeito esfoliativo, o ácido propicia clareamento e estimula a síntese de colágeno na derme, deixando-a mais lisa e uniforme.
  • Estrias: em formulações apropriadas, o ácido glicólico, associado a um blend de ácido málico, mandélico, ácido hialurônico e antioxidantes, funciona para tratar estrias recentes, ainda vermelha ou rosadas.

Como turbinar o ativo para clarear manchas?

"Devido ao seu efeito de estímulo celular, o ácido glicólico ajuda a eliminar as manchas mais rápido, mas ele não tem nenhuma ação sobre a produção da melanina", explica o farmacêutico Lucas Portilho, consultor e pesquisador em cosmetologia, diretor científico da Consulfarma, de Campinas (SP). Em produtos clareadores, o componente pode ser usado associado a um ativo despigmentante como alfa-arbutin, niacinamida ou ácido tranexâmico.

Quais são os principais tratamentos feitos em consultório?

O ácido glicólico é bastante utilizado em peelings com concentrações maiores (de 30% a 70%) para otimizar tratamentos de linhas, poros dilatados, acne e clareamento, conta Carla Albuquerque. A médica, no entanto, alerta: "É preciso ter atenção em relação às concentrações: elas devem ser menores em peles e áreas mais sensíveis". Veja os usos mais comuns:

  • Peeling facial: esfolia, renova a pele, melhora linhas finas e corrige asperezas. "O peeling químico visa à renovação celular por meio da aplicação do ácido glicólico na pele. O tratamento, além de melhorar a textura, atenua rugas e linhas finas, controla a oleosidade excessiva, clareia manchas e devolve o viço e a jovialidade ao rosto", conta a dermatologista e tricologista Kédima Nassif, de Belo Horizonte (MG). Estações mais amenas, como o outono e o inverno, são as melhores para se fazer o procedimento, já que há menor exposição à luz solar.
  • Peeling corporal: pode ser usado para corrigir a hiperceratose pilar -- aquelas bolinhas vermelhas que costumam deixar braços, coxas e glúteos com aspecto áspero.
  • Peeling das mãos: atenua o ressecamento excessivo e as linhas finas das mãos.
  • Lifting iluminador: para dar viço à pele, deixando-a homogênea e macia. Para isso, Carla Albuquerque recomenda uma higienização combinada à esfoliação, seguida de LED azul e radiofrequência multipolar com pulsos magnéticos na face e no pescoço. O tratamento é finalizado com máscara de ouro e peeling de ácido glicólico com concentração adequada a cada paciente.

Como usar em casa?

Tudo depende do que a pele necessita, o que será avaliado pelo médico. Um ponto importante é a textura do produto: "O sérum é ótimo para todos os tipos por ser leve; cremes geralmente são bons para as mais maduras e, para as mistas a oleosas ou acneicas, os géis são os melhores", ressalta Carla Albuquerque.

  • Pele oleosa: Além de dermocosméticos como séruns e géis, Kédima Nassif ressalta a importância do uso de sabonetes à base de ácido glicólico, com ou sem ácido salicílico, para atuar no controle da oleosidade e dos cravos.
  • Peles com manchas e melasma: por ajudar na renovação celular, otimiza os tratamentos clareadores feitos em clínica, diz Kédima. "Em dermocosméticos, o ativo pode ser combinado a clareadores como ácido fítico, kójico e alfa-arbutin", completa.
  • Peles maduras: produtos a base de ácido glicólico são uma ótima opção para atenuar os sinais da pele. Nesses casos, Kédima Nassif indica fórmulas cremosas para evitar irritação e manter a hidratação.

Quem não pode usar?

Em alguns casos, o ativo deve ser evitado. "Quando a pessoa tem algum tipo de alergia ou reatividade na pele, o ácido glicólico pode causar hiperpigmentação pós inflamatória", alerta a farmacêutica Mika Yamaguchi, diretora científica da Biotec Dermocosméticos, de São Paulo (SP). Ele é liberado em gestantes a partir do segundo trimestre, mas não deve ser usado em lesões ativas na pele ou em feridas abertas, acrescenta Kédima Nassif.