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Papo de vagina


Ciclo menstrual pode melhorar a prática esportiva; entenda como aproveitar

A menstruação atrapalha sua rotina de exercícios? - iStock
A menstruação atrapalha sua rotina de exercícios? Imagem: iStock

Natália Leão

Colaboração para Universa

03/07/2019 04h00

Confesse, você já cogitou pular o treino porque estava menstruada? E alguma vez saltou da cama para praticar seu esporte favorito na TPM, mas percebeu que, apesar do seu esforço, o rendimento não foi tão bom quanto de costume? Da próxima vez que isso acontecer, não se culpe.

Um estudo conduzido pela University College of London (UCL) com quase 800 mulheres apontou que mais da metade sente que o ciclo menstrual impacta sua performance esportiva. Várias atletas, como a nadadora olímpica chinesa Fu Yuanhui, já atribuíram publicamente seu mau desempenho à menstruação.

"O ciclo menstrual é uma verdadeira roda gigante, um sobe e desce de hormônios" explica a médica ginecologista e especialista em performance feminina Cidinha Ikegiri. "Os hormônios são como chaves do nosso organismo, ativando células nos mais diversos lugares. Algumas portas abrirão lugares agradáveis, outras nem tanto", completa.

Mulher de fases

Parece loucura, mas fazer a planilha de treinos levando em consideração o período do mês pode ser uma boa ideia. Cidinha Ikegiri costuma orientar suas pacientes dedicadas aos esportes a ficarem de olho nas fases do ciclo. A ginecologista do esporte Tathiana Parmigiano explica que o ciclo menstrual varia de mulher para mulher, podendo flutuar entre 21 e 35 dias, embora o mais comum seja 28 dias. "Esse período é dividido em três fases: folicular ou proliferativa, ovulatória e lútea".

Fase 1 - Do primeiro dia de sangramento até o início da ovulação

"Durante esse período, ocorre o aumento progressivo do principal hormônio feminino, o estradiol. Ele está relacionado à melhora da disposição, aumento da transmissão de força muscular, resistência e bem-estar", diz Cidinha. Nesse período, você consegue desfrutar de um ótimo desempenho e altos níveis de energia, no entanto, o sangramento pode causar desconforto, cólicas e fadiga. "Nessa fase podem ocorrer fraquezas e até anemia, já que o fluxo do sangue leva junto com ele hemoglobinas, importantes para transportar oxigênio e ferro", explica Tathiana. Portanto, aumente a intensidade dos treinos conforme o sangramento diminui.

Fase 2 - Fim do sangramento e ovulação

Conforme se aproxima o fim da menstruação os níveis hormonais de estrogênio aumentam progressivamente e a intensidade dos treinos deve crescer junto. "O estrogênio tem receptores localizados nas células musculares que aumentam a transmissão de força e resistência," explica Cidinha. "Ocorre também um pico de testosterona, hormônio envolvido na construção muscular", completa Tathiana. Por isso, os treinos devem ser focados na busca do seu maior potencial, sejam aeróbicos ou de musculação.

Fase 3 - Do fim da ovulação ao dia anterior à chegada do próximo sangramento

"Após a ovulação os níveis de estrogênio diminuem e se inicia a chamada fase lútea, com oscilações hormonais de progesterona e estradiol, associadas à famosa TPM. Com ela, sintomas como fadiga, irritabilidade e dores no corpo são muito comuns, acompanhadas de um possível declínio da performance esportiva. A TPM pode durar até alguns dias depois da menstruação, quando todo o ciclo recomeça," diz Cidinha. Embora sua vontade de abandonar os esportes seja grande nessa fase, centenas de estudos já comprovaram que os hormônios liberados durante a prática de atividades físicas ajudam a reduzir os sintomas negativos. Portanto, é hora de apostar em atividades leves e prazerosas.

Métodos contraceptivos e esporte

Existem basicamente dois tipos de métodos contraceptivos, os hormonais e não hormonais. Entre os primeiros está a pílula anticoncepcional oral combinada, "que é muito eficaz para quem quer 'programar' a menstruação para não coincidir, por exemplo, com uma prova", diz Tathiana. Mas você já deve ter ouvido mulheres praticantes de atividade física reclamarem da sua ação indesejada. "A pílula pode aumentar uma proteína no sangue chamada SHBG, que se liga aos hormônios sexuais, principalmente à testosterona circulante no corpo, inativando sua ação", explica Cidinha. Resultado: pode dificultar o ganho de massa magra - já que a testosterona é um hormônio anabolizante - causar redução de força e desempenho esportivo e até acúmulo de gordura.

Se você está sofrendo com esses efeitos pode se interessar pelo DIU. Existem dois tipos de DIU no mercado, o hormonal e o sem hormônio. "O DIU não hormonal é uma boa opção para mulheres que querem que seu ciclo menstrual funcione sem nenhuma interferência, o que faz com que elas consigam desfrutar do efeito dos picos hormonais benéficos para a prática do exercício físico" explica Cidinha. "O DIU com hormônio libera uma concentração baixa de progesterona, um hormônio que tem como ação atrofiar o endométrio -- camada do útero que descama na menstruação -- e está associado à diminuição significativa do fluxo menstrual" completa.

E, no próximo mês, antes de faltar a um treino por causa da sua TPM ou da menstruação, que tal procurar uma ginecologista especializada no seu desempenho?