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Janelle Monáe defende: "Devemos usar nosso privilégio ao proteger os trans"

Janelle Monáe - AFP
Janelle Monáe Imagem: AFP

da Universa

27/06/2019 15h02

Janelle Monáe é uma das capas do Mês do Orgulho LGBTQ+ da "Paper Magazine". A cantora, que em 2018 lançou seu aclamado disco "Dirty Computer" que aborda suas experiências como mulher negra e pansexual, falou sobre a importância da comunidade LGBTQ+ apoiar seus membros menos privilegiados.

"Da mesma forma que queremos que aliados brancos nos apoiem e usem seu privilégio para fazer a diferença, devemos usar nosso privilégio ao proteger os transexuais e outros menos privilegiados", opina.

"Eu vejo (as atrizes trans) Indya Moore, Mj Rodrigues, Janet Mock, Laverne Cox... Essas mulheres estão se colocando na linha de frente todos os dias. Quando suas irmãs e irmãos trans são assassinados, elas sentem isso. Temos que apoiá-las. É nossa responsabilidade. Eu sinto que poderia fazer mais e eu vou fazer mais", defende Janelle.

Ao receber duas indicações ao Grammy, Janelle fez questão de agradecer aos seus "irmãos e irmãs trans que sempre são barrados desses eventos". A cantora acredita, porém, que os tempos estão mudando e as premiações estão reconhecendo mais diversidade.

"Estou feliz porque minha história pessoal é a história de tantos outros. Tantos jovens vêm do sul dos EUA, de famílias religiosas, e outros dizem que eles nunca serão aceitos por Deus. Eles ouvem meu disco e se sentem abraçados. Se sentem amados. Se sentem enxergados e ouvidos. Isso é a coisa mais linda", comemora.

Nascida e criada em Kansas City com uma família religiosa, Janelle se descobriu queer aos 8 anos. "Eu não sabia como me identificar. Eu só sabia que me atraía por mulheres, homens, garotas e garotos", relembra. "Eu vi pessoas apanhando porque eram consideradas muito femininas ou masculinas", conta a cantora, que lembra de um amigo gay de sua tia que foi expulso de casa. "Foi a ignorância, a insegurança e o medo que fizeram com que sua comunidade o expulsasse. Quando eu vi aquilo... Ser um homem negro e gay quando homens negros são 'chefes da casa' e eu, apenas uma menina negra. Não teria lugar para mim", relata, emocionada.

"Temos que nos certificar que não vamos pressionar pessoas para se assumir. Nem todos lidam com as mesmas circunstâncias. Existem jovens que serão expulsos de casa, enforcados ou presos se viverem sua verdade. Jovens que não se sentem à vontade para falar de sua sexualidade, nós vemos vocês e validamos vocês. Temos que protefer nossos bebês, especialmente os da comunidade LGBTQ+. Temos que nos esforçar mais", conclui.

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