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Famílias curtem a Parada LGBTQ+: "Vim defender minhas mães"

Leny Fernandes (à esquerda) com a mulher, Leticia Pires, e as filhas Laura e Maria Eduarda: famílias se misturam à multidão durante a Parada LGBTQ+ - Jardiel Carvalho/UOL
Leny Fernandes (à esquerda) com a mulher, Leticia Pires, e as filhas Laura e Maria Eduarda: famílias se misturam à multidão durante a Parada LGBTQ+ Imagem: Jardiel Carvalho/UOL

Natália Eiras

da Universa

23/06/2019 13h59

A Parada LGBTQ+ não é só fervo. Apesar da Av. Paulista estar tomada, neste domingo (23), de gente com glitter, plumas e looks com as cores do arco-íris, famílias compostas por crianças, senhores e bebês se misturam à multidão. Entre elas, está a da investigadora aposentada Leny Fernandes, 57. Ela foi à Paulista com a mulher, a gerente de recursos humanos Leticia Pires, 60, e as filhas das duas, Maria Eduarda, 12, e Laura Luiza, 9.

Esta é a primeira vez que Leny visita a festa. "E foi por causa dessa aqui", diz, apontando para Maria Eduarda. A pré-adolescente a convenceu na base da insistência. "Se a gente não a trouxesse ela teria uma síncope". A garota ficou sabendo do evento pela internet e decidiu se posicionar. "Vim defender a minha família", fala Maria Eduarda.

Um problema na coluna não impediu o estilista Alexandre Faria, 51, de curtir sua 23a Parada LGBT. "A gente vem desde a primeira edição", diz, apoiando-se em uma bengala. Ele é casado há 24 anos com o aposentado Marcelo Makawetskas, 57. "Sempre teve família no evento. É uma festa em que podemos ser exatamente quem somos", diz Alexandre.

 "A gente vem desde a primeira edição", diz Alexandre Faria (à esquerda), casado com Marcelo Makawetskas há 24 anos - Jardiel Carvalho/UOL
"A gente vem desde a primeira edição", diz Alexandre Faria (à esquerda), casado com Marcelo Makawetskas há 24 anos
Imagem: Jardiel Carvalho/UOL

Não é só engajamento

Uma das motivações para os pais trazerem as crianças para a Parada é educacional, eles dizem. É o caso da gerente de contas Luciana Dias, 35, e o analista de sistemas Roberto Almeida, 38. O casal é simpatizante e aproveitou para trazer Cadu, 1, e Aninha, 3, para balançar a bandeira LGBT. "Queremos que eles cresçam sabendo de que lado nós estamos", afirma Luciana.

Simpatizantes da causa, Roberto Almeida e Luciana Dias levaram os filhos para que balançarem a bandeira LGBT na avenida Paulista - Jardiel Carvalho/UOL
Simpatizantes da causa, Roberto Almeida e Luciana Dias levaram os filhos para que balançarem a bandeira LGBT na avenida Paulista
Imagem: Jardiel Carvalho/UOL

Em sua segunda Parada LGBT, Malika de Freitas, 11, foi quem arrastou a avó, a produtora Piki de Freitas, 73. "Estudo esse assunto desde os meus oito anos", afirma. "E é importante ela ter esse posicionamento. Em casa sempre defendemos todas as formas de amor", diz Piki

O mesmo vale para a cuidadora de idosos Raquel Cristina de Moraes, 26. Ela veio acompanhar a irmã Morgana de Moraes, 36, e a cunhada Poliane de Souza Andrade, 24. Trouxe a tiracolo Ana Lídia, 6, e Maria Julia, 2.

Raquel (à esquerda), com a irmã Morgana e a cunhada Poliane, trouxe as filhas Maria Júlia (no colo) e Ana: "Quero que elas saibam que homossexualidade é uma coisa natural" - Jardiel Carvalho/UOL
Raquel (à esquerda), com a irmã Morgana e a cunhada Poliane, trouxe as filhas Maria Júlia (no colo) e Ana: "Quero que elas saibam que homossexualidade é uma coisa natural"
Imagem: Jardiel Carvalho/UOL

Elas chegaram na Paulista às 9h para curtir o domingo de sol e também aprender um pouco sobre as formas de amor. "Quero que elas tenham a noção de que homossexualidade é uma coisa natural, de que não há problema nenhum em ser LGBT", fala Raquel. "E também para, se um dia ela se conhecer e perceber que é lésbica, saber se defender melhor."

Aurora, 9, teve uma aula sobre o significado da bandeira LGBT enquanto passeava com o pai, o programador Iraê Carvalho, 38, e a mãe, a engenheira Paula Sato, 28. "Ontem estávamos no Minhocão e ela viu a bandeira do arco-íris. Já tínhamos falado disso, mas ela quis entender mais sobre o que era o movimento", afirma.

Iraê Carvalho com a mulher, Paula, e as filhas Amora e Clara: novas gerações não veem um casal homoafetivo como "diferente" - Jardiel Carvalho/UOL
Iraê Carvalho com a mulher, Paula, e as filhas Amora e Clara: novas gerações não veem um casal homoafetivo como "diferente"
Imagem: Jardiel Carvalho/UOL

Aurora, no entanto, parece ter aprendido com a vida muito antes de seu pai explicar algo. É que ela tem uma tia que é casada com outra mulher. "Ah, é verdade, né? Nem lembrava", observa. "Viu, só? É tão natural para essa geração que ela nem percebe que é um casal 'diferente'".

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