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Pesquisa aponta para falta de modelos negras na capa da "Vogue"

Pesquisa mostra falta de modelos negras na capa da "Vogue" - Divulgação
Pesquisa mostra falta de modelos negras na capa da "Vogue" Imagem: Divulgação

Da Universa

29/04/2019 17h48

Apesar das mudanças na indústria da moda nos últimos anos, ainda é notável o desequilíbrio racial nas publicações segmentadas. Tanto é que o site "The Pudding" fez um extenso estudo e levantou a seguinte questão: a "Vogue" britânica tem escolhido diferentes tipos de mulheres para suas capas, mas ela está de fato dando espaço para todas as cores de pele?

Segundo o levantamento, nas duas últimas décadas notou-se que a mídia ainda perpetua o colorismo -- a ideia de que a pele mais clara é mais bonita. Para o estudo foi analisado como o tom de pele de cada modelo é visto em cada fotografia. Ou seja, como os fotógrafos e editores da publicação decidiram exibi-lo.

Para calcular o fenômeno, a "The Pudding" primeiro utilizou uma ferramenta de edição para retirar o fundo das imagens. Em seguida foi usado um algoritmo chamado K-Means Clustering para identificar quais pixels da foto haviam sido alterados. Na sequência chegou-se a cor média de todos esses pixels. Por fim, o estudo removeu filtros de matiz ou saturação das fotos para identificar se a cor da pele da modelo foi ou não alterada.

A pesquisa criou um gráfico com esses tons de pele e dividiu o lado esquerdo entre os mais escuros e o direito entre os mais claros. No extremo de ambos os lados estão as atrizes Lupita Nyong'o e Anne Hathaway, respectivamente. Segundo o levantamento, entre 2000 e 2005 apenas três de 81 estrelas de capa foram negras: Marion Jones, Halle Berry e Liya Kebede. O estudo também revelou que nesses casos a luz dos ensaios foi alterada. O melhor exemplo talvez seja a cantora Rihanna. Nas cinco vezes que esteve na revista, suas fotos receberam um tratamento de imagem que representou cerca de 40% mais luminosidade do que as outras capas.

Divulgação
Imagem: Divulgação

O "The Pudding" também atentou para outro dado: em 125 anos de publicação apenas um fotógrafo negro participou ativamente da revista. Em setembro de 2018 Beyoncé foi fotografada por Tyler Michell, o primeiro profissional negro a clicar para a capa da revista.

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