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No BBB, Paula diz para Gabriela que gays não deveriam se beijar em público

Matheus Solano e Thiago Fragoso protagonizaram o primeiro beijo gay em "Amor à Vida" (2013) - Divulgação
Matheus Solano e Thiago Fragoso protagonizaram o primeiro beijo gay em "Amor à Vida" (2013) Imagem: Divulgação

Ana Bardella

Colaboração para Universa

13/03/2019 04h00

Quanto mais tempo Paula permanece no BBB 19, em mais polêmicas a mineira se envolve. Desta vez, Gabriela comentava com alguns dos participantes sobre uma vez em que uma ex-namorada foi agredida por estar de mãos dadas com ela, deixando todos surpresos. Paula, que participava da conversa, perguntou: "Por que eles fazem isso?" e a percursionista respondeu: "Porque eles são homofóbicos".

Não satisfeita, ela questionou: "Mas com menina? Porque tem uns gays que ficam querendo provocar o público. Tipo assim, 'a gente tem que ser normal igual eles', e começam a se beijar, se jogar. Eu já vi isso. Acho muito exagero, muito estranho". Sem perder a paciência, Gabi questionou: "Que frase é essa? Que não pode se beijar, que esse povo é estranho?".

A loira respondeu: "Não, tipo, coisas que gente nor... Homem e mulher não fazem em público e eles fazem o dobro para poder se autoafirmar na sociedade. Já vi e não achei legal". Alan comentou: "Estão no direito deles". Para encerrar a discussão, Gabi disse que Paula nunca entenderia o que é precisar soltar a mão da namorada na rua por medo de que a pessoa que se ama seja agredida. "Isso dói demais", confessou.

Essa não foi a primeira vez que uma declaração do tipo foi feita no programa. Em outra ocasião, Diego, que já foi eliminado, disse que "não gosta de gays escandalosos".

Por que afeto ainda é motivo de discussão?

De acordo com José Edmar Saturnino Júnior, psicólogo da Equipe AT e docente no Instituto Paulista de Sexualidade, a homofobia está impregnada na sociedade. "Antes essa parte da população não podia existir, era marginalizada. Por isso, agora que está começando a ser vista, causa estranhamento a ponto de pessoas heterossexuais e cis (que se identificam com o gênero de nascimento) discutirem o que pode ou não ser feito em relação à troca de afeto: se podem andar de mãos dadas, se o beijo foi acalorado ou não. Como se atitudes como estas fossem capazes de lhes gerar algum mal", diz.

Dois pesos, duas medidas

Na opinião de Monica Machado, psicóloga especialista em Psicanálise e Saúde, esse tipo de questionamento dificilmente ocorreria com casais heterossexuais. "O fato de serem pessoas do mesmo sexo gera rejeição, algo que vai além da conservação dos valores e do pudor e esbarra no preconceito", assegura. "Trata-se de uma forma de cercear a liberdade do outro. E que vemos no Brasil, cujo índice de assassinato de pessoas LGBT é enorme, é que as chances de sofrer uma agressão aumentam conforme a cor da pele e a condição econômica da pessoa. Negros e pessoas que vivem na periferia costumam ser as mais afetadas", completa Saturnino.

Autoafirmação não é um problema

O psicólogo ainda chama atenção para o fato de que muitos membros da comunidade LGBT precisam se autoafirmar como estratégia de sobrevivência. "É uma luta diária. Situações de preconceito, tais como sofrer discriminação em uma entrevista de emprego ou pela família, despertam profunda tristeza, podem levar à depressão e desenvolvimento de transtornos de ansiedade. Assim como em outros movimentos sociais, é preciso ir se colocando, se posicionando na sociedade a fim de conquistar mais direitos. Isso não deveria ser encarado como um problema", opina.

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