Topo

Mapa da mina


Depilação mais rápida e com menos dor virou negócio que fatura R$ 45 mi

Regina Jordão é dona da loja Pello Menos  - Arquivo Pessoal
Regina Jordão é dona da loja Pello Menos Imagem: Arquivo Pessoal

Carolina Prado e Simone Cunha 

Colaboração para Universa

08/03/2019 04h00

A primeira loja Pello Menos foi inaugurada em Copacabana (RJ), em 1996, na salinha alugada em um sobrado. Hoje, o negócio que virou uma franquia atingiu, em 2018, um faturamento anual 45 milhões.

A promessa da marca era oferecer uma depilação rápida e sem tanta dor. Regina foi secretária por anos em uma empresa estatal e, mesmo com o emprego formal, decidiu fazer um curso de estética, porque já sonhava em dedicar-se a essa área. Naquela época, ainda não havia locais específicos para fazer depilação no Brasil. "A gente ia ao salão e, ali, alguma manicure fazia a depilação. Mas o processo era muito demorado e dolorido, o que me incomodava muito", conta. 

Antes de abrir o próprio negócio, ela chegou a atender algumas clientes à noite em uma sala alugada, pois, durante o dia, estava na empresa. Mas não deu certo, por falta de tempo para se dedicar à prática e por falta de investimento em divulgação do serviço. Até que, em 1994, Regina foi convidada para trabalhar em uma clínica médica que seria inaugurada em São Paulo. "Pedi licença na empresa e aceitei o desafio. Ia e vinha do Rio para São Paulo de ônibus e era muito cansativo. Foi uma fase dificílima", lembra. 

A hora de arriscar

Foram dois anos nessa vida, até que um dia o marido comunicou que havia sido demitido. Regina, que já havia se desligado da empresa, diz que ficou sem chão, pois era ele quem segurava as contas da casa. Mas foi nesse momento que ela decidiu arriscar mais.

"A primeira loja teve um investimento de R$ 40 mil, que veio da rescisão dele. Meu marido duvidou que o negócio pudesse dar certo, mas ficou do meu lado", conta. Nessa fase, ela já havia testado uma cera nova, dos Estados Unidos, que havia conhecido durante uma viagem. O produto foi aperfeiçoado por uma química, amiga da família, para que pudesse ser usado em casa, de forma prática e com pouca dor.

Devido à textura mais maleável, a cera não secava nem quebrava. Por isso, quando Regina inaugurou o negócio, conseguia fazer a depilação do corpo todo de uma cliente em apenas 35 minutos. Outra inovação: na Pello Menos, não era necessário agendar horário, bastava chegar e a pessoa já era atendida.

Em seis meses, ela atendeu 1000 clientes  

Ao desenvolver uma cera de melhor qualidade, Regina conseguiu poupar o tempo dos clientes e oferecer um procedimento menos doloroso. A notícia foi se espalhando e sua primeira loja não parava de receber novos clientes. O negócio foi inaugurado em junho e, em dezembro, ela comemorou o atendimento da milésima cliente. Na época, Regina já começava a lucrar com o seu trabalho, enquanto as filas de consumidores esperando pelo atendimento crescia sem parar na porta da loja.

"Percebi que era a hora de abrir uma segunda unidade. Meu irmão investiu e o salão foi inaugurado na Tijuca", diz.

Regina recebia clientes de várias regiões do Rio de Janeiro, como Búzios e Cabo Frio, e, dessa forma, começava a fidelizar o público. Mas, como o Rio é uma cidade turística e quente, sempre chegavam pessoas novas: "As mulheres aprovaram por ser prático: sem hora marcada, depilação com uma esteticista treinada, cera melhor e em menos tempo. A gente atendia cerca de 100 clientes por dia".

De lá para cá, ela continua posicionada no mercado como uma marca que oferece apenas depilação e nunca considerou ampliar o portfólio de serviços. "O que fizemos foi ampliar os métodos, incluir a depilação feita com linha, por exemplo", diz. 

RJ lidera com 46 lojas  

As dez primeiras lojas foram abertas por clientes que perceberam, na rede, um bom negócio. Nesse período, Regina conta que ainda não sabia como funcionava o sistema de franquias, por isso, fazia licenciamentos com o direito de uso de marca. Em 2007, sentiu necessidade de formalizar-se como franquia e, hoje, já conta com 50 lojas. Desse total, 46 estão no Rio, as demais entre São Paulo e Brasília.

"Neste ano, apostamos na expansão em São Paulo, pois há potencial para isso. A meta é alcançar o mesmo número de lojas cariocas em terras paulistas. Mas sabemos que temos muito trabalho pela frente", afirma. 

Para investir em uma franquia, atualmente, é preciso desembolsar R$ 250 mil, incluindo taxa de franquia, projeto arquitetônico, estoque inicial e treinamento de funcionários. A proprietária, claro, defende a sua marca. "Tem loja que atende até 220 clientes por dia, conseguindo faturar cerca de R$ 77 mil por mês", afirma.